Acender uma vela na escuridão

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Em tempos que falta a luz, resta-nos acender uma vela, para cortar um pouco da escuridão.  Para nos permitir ver que ainda há um caminho, mesmo que não seja tempo de caminhar.

Acender uma vela em nós mesmos pode revelar-se a tarefa mais difícil que encontramos. Mas só assim saberemos o tamanho da escuridão.

E a escuridão dá medo, lembrando quando éramos crianças e os monstros se escondiam, à noite, nos cantos mais escuros da casa.

Crescemos, e a escuridão passa para aqueles momentos da vida em que tudo parece impossível, irreal e surreal.

Mas na verdade, a escuridão é a perda da esperança e a perda da fé em nós mesmos.

E a escuridão é também a cegueira de não querermos olhar para nós mesmos e ver. Ver os passos que demos e nos levaram ali. Ou os passos que não demos agora para sair.

Porque é preciso muito mais coragem para aceitarmos a nossa quota-parte no nosso destino, do que o é para amaldiçoarmos a escuridão.

Aquele canto escuro, onde nos escondemos, enrolados sobre nós próprios, com pena de nós mesmos… Esse canto, é a verdadeira escuridão, a que escondemos dentro de nós.

E se nos apegarmos demasiado a esse canto, facilmente nos esquecemos de que a escuridão não existe sem a luz: antíteses complementares que se completam.

Basta um passo, basta lembrar, acreditar. Acreditar na luz que nunca se extingue. Mas também acreditar na escuridão que sempre a acompanha.

E, sobretudo, acreditar, lembrar, assumir, que a escolha entre uma e outra, é sempre e só, apenas tua. Em cada momento, em todos os momentos. Não escolhes só uma vez, porque a vida está sempre a pôr-te à prova.

A vida põe-te à prova para que possas reclamar um prémio: a tua essência, o teu ser mais puro, quem tu és. A vida põe-te à prova para que te descubras. E para que quando te encontres te possas reinventar. Hoje, amanhã, quando for.

O que vais escolher, agora?

© Isa Lisboa

A vida é um modelo matemático?

No ramo da matemática que estudei, o passado explica o presente e ajuda a antecipar o futuro. Mas em todos os modelos matemáticos existe alguma dose de incerteza, e nunca podemos dizer que algo acontecerá com certeza absoluta. “Não temos uma bola de cristal.”

Também a vida é assim. Mesmo quem a queira transformar num grande modelo matemático, prevendo tudo… Não consegue.

O passado pode condicionar-nos ou até perseguir-nos. Mas o passado é apenas um livro de memórias com o qual aprendemos a escrever o futuro.

E a tal dose de incerteza está sempre lá presente. Precisamos conceder a nós mesmos uma margem de erro. Ou um intervalo de confiança, se preferirem.

Quantas vezes uma linha recta se transforma num círculo? Porque o fim da linha existe, mesmo que a dada altura do percurso não o consigamos ver.

A boa notícia é que, caso a linha se tenha transformado num nó, podemos sempre desatá-lo. E desenhar a forma geométrica que queremos agora.

© Isa Lisboa

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Imagem: http://www.pixabay.com

Mudar de sapatos

Durante um tempo da nossa vida, precisamos mudar constantemente de sapatos. Com os pés em crescimento, depressa aquele número deixa de nos servir e temos que usar outro. Depois o corpo pára de crescer e aquele tamanho de sapatos deverá ser o nosso para o resto da vida.

E, se não tivermos cuidado, começamos a acreditar que tem que ser assim com tudo na vida.

Começamos a não ver as oportunidades de crescer, a deixá-las passar ao lado. A dizer – pior: a acreditar – que já não é para nós. Não queremos experimentar sapatos novos, porque aqueles assentam tão bem e são tão confortáveis.

Mais grave ainda, compramos cremes e outras panaceias para ajudar com as bolhas e calos, recusando-nos a admitir que é aquele par de sapatos que as está a causar. E os sapatos começam a apertar e a apertar, dificultando o caminhar. Podem até provocar um ligeiro, praticamente imperceptível, coxear.

Mas acreditamos que é preciso continuar, que tem que ser assim, que não há alternativa, que…

A pergunta que se impõe é: porquê? Porque é que tem que ser assim? Porque não podes descalçar-te e ficar um tempo a sentir a terra debaixo dos teus pés? Até decidires o que queres calçar agora. Depois podes até querer outros sapatos.

Às vezes a vida é assim. Porque não?

 © Isa Lisboa

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Que as férias não sejam desculpa…

… Para abandonar o teu animal de estimação.

Ao fazer scrol nas redes sociais, são inúmeros os posts que mostram animais abandonados, pedindo adoptantes ou FAT’s. Infelizmente, nas férias, costumam aumentar os casos.

Se não podes levar o teu animal contigo, pede a um familiar ou a um amigo que tome conta dele enquanto estás fora. Também existem hotéis para animais ou pet sitters que se deslocam a tua casa e tomam conta do teu animal. É certo que estas últimas alternativas são mais dispendiosas e que nem todos têm disponibilidade financeira para optar por elas. Mas lembra-te de que quando levaste um animal para tua casa, assumiste um compromisso com uma vida. Por isso, encontra a melhor alternativa. A alternativa que o inclua.

Um animal doméstico não aprendeu a sobreviver na rua, como um animal que nasceu numa colónia. Tu ensinaste-o a receber mimos e a enroscar-se na mantinha que lhe deste. Ensinaste-o a comer no prato onde lhe dás a comida. Não o ensinaste a lutar com outros animais, a fugir de animais que não gostam dele, a encontrar locais para se proteger do frio. Não o ensinaste a encontrar a sua própria comida.

Um animal ama incondicionalmente. Até quando páras o carro e o abandonas na estrada, entregue à sua sorte, até nesse momento, ele continua a amar-te incondicionalmente. Lembra-te disso quando fores de férias.

© Isa Lisboa

Adão e Eva

Recentemente, visitei o Museu do Chiado, em Lisboa.

Ao chegar perto de uma escultura, fiquei a observá-la de vários ângulos.

Era um casal, um homem e uma mulher, frente a frente, de mãos estendidas um para o outro.

No rosto, mostravam uma expressão de intensa paz, de um ser que flui com a vida. Quando fui ver o autor e o nome da escultura, percebi que tinha estado com Adão e Eva. Deve ter sido aquela imensa paz que eles sentiram, aquela sensação de pertença e união com o cosmos.

Foi bom voltar a esse momento do tempo.

© Isa Lisboa

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O que ouves no silêncio?

“O silêncio é uma qualidade divina, que só é apreciada e compartilhada quando é tão real que você não precisa falar muito.”

Horácio Graça

Imagem: Horácio Graça

Talvez seja por isso que tememos tanto o silêncio, especialmente nestes tempos de comunicação instantânea. Talvez seja por isso também que tanto procuramos o silêncio.

Estamos cercados de várias formas de comunicação e cada vez comunicamos menos. É um cliché que convém ser repetido e repetido. Para que a comunicação não se torne uma recordação.

Algumas pessoas não conseguem estar ao pé de outra em silêncio. Sentem uma espécie de obrigação de dizer algo. Preencher os espaços vazios. Preencher o espaço de voz, assim como preenchemos um post de uma rede social com “likes” ou com comentários.

Mas se numa rede social a ausência de “som” é suspeita de que não és ouvido(a); quando estamos frente a frente, isso nem sempre é verdade.

Porque por vezes só precisamos ser ouvidos. Não precisamos necessariamente ouvir. Por vezes, o silêncio diz tudo. Diz “Estou aqui”. Diz “Eu compreendo”. Diz “Eu aceito”. Diz “Desabafa”.

É por isso que encontrar alguém com quem podemos compartilhar o silêncio é algo poderoso. Indeed, divino, até!

© Isa Lisboa

Imaginação de Einstein (E outras divagações)

“É mais importante ter imaginação do que conhecimento.”

Albert Einstein

Sem dúvida que o conhecimento é importante. Sem ele, o mundo não conheceria o progresso, as revoluções científicas.

Alguns argumentarão que, sem o conhecimento, ainda viveríamos em cavernas.

Mas também me parece que foi a imaginação que nos tirou de lá.

Devem ter existido mentes que imaginaram uma vida diferente da de sobrevivência diária. Uma vida diferente de caçar ou ser caçado.

E deve ter havido quem se atreveu a testar essa imagem imaginada. Essa vida utópica, que a tantos parecia impossível.

Essa coisa de “ser feliz” devia parecer ainda mais estranha no tempo das cavernas. Mais estranha do que é hoje.

Sim, porque ainda hoje nos sentimos tentados a acreditar que, ou caçamos ou somos caçados. Que ganhamos ou perdemos.

Mas ganhamos o quê? Que prémio é esse? Sabes qual é esse prémio pelo qual tanto lutas? Esse prémio em nome do qual te esqueces de ti, dos teus valores, dos teus desejos? Esse prémio em nome do qual passas por cima de todos os que são fracos (ou assim os julgas tu)? Sabes?

Quando corres, sabes para onde? Sabes se realmente vale a pena correr e se queres até correr? E se estiveres a correr só por habituação? Ou porque julgas que tens uma meta a cortar?

Pois é, essa coisa de ser feliz ainda parece meio estranha. E custa pôr o nariz de fora da caverna, não é?

Divago? Ah, imaginação a mais.

Dirão alguns. Dirão alguns, de lá de dentro da caverna.

© Isa Lisboa

TEDx ULisboa – Insights sobre e com a palestra de Catarina Holstein

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Catarina Holstein, TEDx ULisboa

Catarina Holstein decidiu um dia despedir-se do seu trabalho. Entre as suas opções estava fazer um MBA. Mas decidiu fazer antes um MLA – Masters in Life Adventures. Viajando pelo mundo, aprendeu muitas coisas novas e fez assim o seu Mestrado.

Desta “aula” retive duas ideias que acho muito importantes.

A primeira é de que não é necessário viajar pelo mundo para nos auto-conhecermos. Mas para nos auto-conhecermos temos que arranjar tempo para.

Assim como precisamos de tempo para conhecermos bem outra pessoa, também precisamos de tempo para travar conhecimento connosco mesmos. Precisamos construir um relacionamento sério connosco mesmos. E isso leva tempo.

A segunda ideia foi sobre o mestrado ideal. Cada um pode encontrar o formato do seu Mestrado para a Vida. Tudo começa em decidir fazê-lo e acaba em fazer os nossos talentos florescer, e depois partilhá-los.

Catarina fez do mundo a sua sala de aulas. Mas nós, cada um de nós, pode fazer da vida o seu professor.

© Isa Lisboa

TEDx ULisboa – Insights sobre e com a palestra de Daniel Caramujo

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Daniel Caramujo, palestra no TEDx ULisboa

Estudante de psicologia, Daniel Caramujo, falou-nos sobre um tema cada vez mais atual: a solidão.

Relembrou-nos de que todos nós já nos sentimos sós em algum ponto da nossa vida. E isto quer dizer que todas as pessoas à nossa volta já se sentiram sós em algum ponto da sua vida.

Continua o Daniel a dizer que, por isso, sabemos reconhecer a solidão dos outros. Mas que raramente tomamos a iniciativa de contactar com os outros e “interromper” essa solidão. Mesmo quando nós próprios estamos sozinhos.

Lembrou o nosso hábito português de dizer “Temos de combinar qualquer coisa!”. Dizemo-lo muitas vezes, mas fazemo-lo poucas.

Fica o desafio, para mim também, de combinar qualquer coisa mais vezes!

© Isa Lisboa

TEDx ULisboa – Insights sobre e com a palestra de Nuno Santos

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Palestra de Nuno Santos – TEDx ULisboa

Nuno Santos entrou em palco a andar de bicicleta. O que seria pouco extraordinário, não fosse o facto de Nuno Santos ter decidido amputar uma das suas pernas, na sequência de um cancro ósseo. Embora já tivesse vencido o cancro, a perna causava-lhe muitas dores e retirava-lhe mobilidade. Hoje, com apenas uma perna, mostra uma enorme vitalidade.

E não apenas vitalidade física, mas sobretudo mental e emocional. Numa intervenção pautada pelo bom humor, Nuno Santos inspirou a audiência com o seu exemplo de superação. O humor é precisamente um dos ingredientes que aponta como ferramenta para superar os momentos difíceis.

O outro é a gratidão. Gratidão pelo que temos e foco no positivo e não no que falta, no que dói. A esta ferramenta está associada uma mudança de mindset. Por vezes temos mesmo que começar a ver a vida de outra maneira. No caso dele, a mudança de mindset mudou-lhe a vida, no sentido em que contribuiu para a salvar.

Por último, a decisão. Talvez este seja o mais difícil de seguir, de entre estes conselhos. Pelo menos para mim.

Ele deixou um conselho poderoso: “Quando algo te impede de avançar, corta o mal pela raiz”. A sua história é um exemplo desse conselho.

Tive oportunidade de falar com ele por alguns minutos, enquanto ele assinava o meu exemplar do livro com a sua biografia. De perto, o seu sorriso sincero confirma tudo o que o ouvi dizer no palco.

Senti-me grata.

© Isa Lisboa