Observando formigas

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Imagem: http://www.pixabay.com

Vi duas formigas na parede da minha cozinha. Uma subia e outra descia. Exactamente na mesma linha recta. A meio do percurso encontraram-se frente a frente. Pararam brevemente, talvez nem por um segundo.

Quase automaticamente, uma desviou-se ligeiramente para a esquerda e a outra ligeiramente para a direita.

E seguiram o seu caminho.

Estas duas formigas fizeram-me pensar nos humanos.

Quantos estariam dispostos a mudar ligeiramente a sua rota? E quantos insistiriam, frente a frente, que aquela estrada era sua, sem se moverem um milímetro? Parados, cada vez mais longe do seu destino?

Como seres humanos, temos esta dificuldade em ajustar a rota. Mas tal como na história dos dois barcos, por vezes a vida prova-nos que essa insistência é na realidade, obstinação, e que não estamos a querer ver todos os aspectos do que nos rodeia.

O obstácuilo à frente pode na verdade não ser um obstáculo. Pode estar lá apenas para iluminar melhor a rota e nos ajudar a ver que o caminho em que nos movemos não é na realidade o caminho. Não é o nosso caminho.

E, nesse momento, precisamos parar na nossa corrida para o nosso destino e ajustar a rota.

Precisamos parar para chegar mais depressa.

© Isa Lisboa

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Labirinto

À entrada do labirinto, nunca sabemos bem o que nos espera. Apenas sabemos que nada será como é cá fora.

Vemos a porta de entrada à nossa frente, foi-nos dito que devemos atravessar um caminho desconhecido que, no final, levará a uma outra porta, a de saída. Não temos mapa, não sabemos se teremos indicações ao longo do caminho, se teremos luz no percurso ou se devemos tactear a parede.

E então algo em nós evoca a lenda do Minotauro, a criatura de pele de breu, chifres ameaçadores e olhos ensanguentados pelas vítimas do labirinto que habitava. O labirinto que era a sua prisão.

Mas e se o Minotauro formos nós mesmos? Uma parte de nós que está presa ao labirinto e que, por não conseguir sair, está condenado a não permitir que mais ninguém atravesse o labirinto, que mais ninguém encontre a porta de saída. Uma criatura surgida de humano e de besta, para desencorajar os aventureiros que querem saber mais, viver mais, sentir mais. Talvez o sacrifício que o Minotauro exigia, fosse que os humanos abdicassem dos seus sonhos, deixando-os devorar-se pela mitológica criatura. Devorados por aquela criatura cuja fome não se aplacava. E seremos nós Teseu? Poderemos ser. Podemos encontrar o centro do labirinto e matar o medo. E, agarrados ao fio invisível que nos prende uns aos outros e a tudo o que existe, voltaremos então à vida que queremos viver.

© Isa Lisboa

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My red shoes

A vida é feita, todos os dias, de escolhas e decisões. Todos os dias escolhemos a roupa que vestimos, o caminho a tomar para o trabalho, o que tomar às refeições, etc, etc

Se a um nível tão curriqueiro, muitas são as escolhas que se nos apresentam, mais são as decisões que temos que tomar ao longo da vida.

Em cada ciclo em que nos vemos, somos convidados a reavaliar o nosso caminho, se há que nos mantermos  neste ou arrancar para outro.

E ainda, quando temos um Caminho à frente e sabemos que é o certo, ainda há que escolher os sapatos certos para a caminhada.

E esses são sempre os que sejam o nosso número, confortáveis, que nos possam levar na caminhada com um andar leve, sem apertões e sem mais cansaços além das pernas.

E, se possível, um par de sapatos com aquele toque, aquele diferente, que reflecte a nossa personalidade. Como os sapatos vermelhos da Dorothy, por exemplo!

© Isa Lisboa

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