Desafios literários

Esta semana descobri dois interessantes desafios literários no Instagram.

A Fnac desafia os leitores a partilhar a sua máscara literária, tal como se lê no site :

“Tal como as máscaras que nos habituamos a usar em contexto de pandemia, há outras máscaras que nos protegem, desta vez contra a falta de conhecimento e imaginação: as máscaras literárias!”

Já a página Constele_se desafia-nos a partilhar fotos da capa de um livro favorito e uma citação de uma página do mesmo.

Fiquei com vontade de participar, mas estava com muito problemas em escolher um livro para responder a estes desafios. Porque para mim é difícil indicar apenas um livro favorito.

Até que me lembrei daquele clássico, que acompanha a minha criança interior e a adulta crescida que já sou também: O Principezinho, de Antoine Saint-Exupery.

É, sem dúvida, uma excelente máscara literária para mim, como podem ver:

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Porquê mo utensílio de jardim a espreitar? Como diz uma personagem do livro:

“Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante!”

Daí que esta máscara literária também vos convide a regarem-se a vocês própri@s todos os dias, com calma e cuidado! 🙂

A não esquecer também, a citação que partilhei no segundo desafio:

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“Duas ou três borboletas terei mesmo que suportar para ficar a conhecer as borboletas.”

Participem nestes desafios, e assim divulguem mais um livro, que pode chegar a alguém que o quer ler!

(C) Isa Lisboa

Quando a capa está F*dida!

Já por duas vezes encontrei nas redes sociais uma crítica que me pareceu curiosa. O post apresentava uma foto com escaparates com os dois livros de Mark Manson: “A arte subtil de dizer que se f*da!” e “Está tudo f*dido”.

Resumindo, o conteúdo da crítica resumia-se às ideias: “Não li o livro” e “Não tenho nada contra asneiras, mas isto era mesmo necessário?”

Das duas vezes achei muito divertida esta leitura pela capa. Apenas li o primeiro dos livros, mas esse é um livro em que são passadas algumas mensagens sobre a vida e o desenvolvimento pessoal. Curiosamente, temas sobre os quais estas chocadas leitoras com a capa muito postam nas redes.

Lembrei-me de o Mark contar na introdução que o questionaram se ele devia mesmo publicar um livro com aquele título. E ele disse: claro que sim! Ao ler este comentário pela segunda vez, pensei: “Mark, tu sabia-la toda!”

Também me lembrei do nosso conterrâneo Miguel Esteves Cardoso e do seu “O amor é f*dido!”. Li esse livro há muitos anos, quando andava no secundário ou na faculdade;não sei precisar. Vá lá, não haja quem fique chocado por eu ter lido esse livro tão nova. Na verdade ainda não sabia o que era o amor, mas já intuía que era f*dido!

Mas se as personagens do Miguel acabam por demonstrar que o amor é realmente f*dido – pelo menos para eles, que passaram a vida um bocado f*didos – o mesmo não se passa no livro do Mark.

True, que ele às vezes diz “Que se f*da!”. Mas para demonstrar que por vezes é preciso virar a mesa, dizer não. Mas que também não podemos apenas dizer “Que se f*da!” a tudo na vida. Senão, onde fica aquela responsabilidade? Pois, às vezes queremos evitá-la. E é confortável. Mas, se o fizermos sempre, aí não é só a capa que fica f*dida, é a p*rra da vida toda. E podes botar a culpa em “tódo’o mundo”, na família, nos professores, nas instituições – no que tu quiseres. Mas a verdade é que ninguém é melhor do que tu a f*der a tua vida.

So… faz-te à vida e unfuck yourself!

Ai, ai, que cometi o erro gramatical de misturar calão, inglês e ainda calão em inglês! Olha, apeteceu-me!

E que se f*da a capa, e que se f*dam os palavrões, e que se f*da o que não se pode dizer. Que se f*da tudo o que se f*deu durante a vida. O que importa é apanhar os cacos e continuar. Reerguer.

Que se f*da a pedra no sapato, quem o quiser dizer. Mas eu cá, vou tirá-la, arrancá-la e continuar. É para a frente que quero ir, e a olhar para a pedra no sapato…. Não chego a lado nenhum.

E a vida, em algum ponto do caminho, há-de voltar a ficar lixada com F grande. But…that’s life. Se estavas à espera que te servissem a vida numa bandeja de prata, estás… já sabes: enganad@.

Pois é, o amor é f*dido, a vida é f*dida, mas… também é tudo muito bom, e, já que aterrámos por cá… ‘Bora lá viver e deixar as capas. Se não, a vida tem um bocadinho menos de piada!

© Isa Lisboa

In the bookshelf – Alimentação, Mitos e Factos, de Isabel do Carmo

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Li sobre este livro num artigo e fiquei com muita curiosidade. Neste momento em que a informação flui mais fácil é rapidamente, são muitas as opções de estilo de alimentação saudável que encontramos, todas defendidas mais ou menos ferozmente por quem as pratica.

Este livro oferece uma análise dessas opções, do ponto de vista científico. Fala do que a ciência já percebeu e do que ainda está a procurar descobrir, ao nível da alimentação. Dá – nos uma perspectiva histórica de porquê comemos o que comemos. É também uma visão de como a indústria agro-alimentar tem influenciado as nossas opções alimentares.

Li o livro numa perspectiva de questionar as minhas próprias ideias sobre a alimentação e sobre alguns dos regimes alimentares em voga actualmente. Pela forma objectiva como os temas são apresentados, foi um livro que me permitiu essa reflexão e que me ajudou a cimentar muitas ideias. Recomendo-o a quem se interessar por estes temas e quiser “arriscar-se” a ter algumas das suas ideias desafiadas! 😉

(C) Isa Lisboa

Bookshelf – meu gato, meu guru

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Quem tem ou já teve gatos, vai identificar-se com cada um dos conselhos deste livro. Vocês, como eu, sabem que os gatos são grandes mestres, não é?

Quem nunca partilhou a casa com um gato, pode retirar também conselhos sábios deste livro. E, quem sabe, ficar com vontade de adoptar um gato! 

© Isa Lisboa

 

Para quem ficar com vontade de adoptar um gato, deixo o link para algumas instituições que cuidam de gatos abandonados e onde podem encontrar um animal.

Abrigo do gato

União Zoofila

Gatos da vila

Bookshelf – A arte subtil de dizer que se f*oda

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Li nas redes sociais um comentário sobre este título e sobre o outro livro do autor “Está tudo f*dido”. A pessoa dizia não entender o interesse neste tipo de títulos. Bom, eu li apenas ainda o primeiro. Como geralmente acontece, e como era minha expectativa, o livro é muito mais do que o óbvio. O título será uma forma de chamar a atenção. Dos públicos menos púdicos e dos mais púdicos.

E embora o autor diga várias vezes “Que se f*da!” ao longo do livro, li-o como uma subtil chamada de atenção para algumas formas de pensar instaladas na nossa sociedade. Longe de ser um convite a mandar tudo ao ar e deixar andar, é sim um convite a reavaliarmos algumas das nossas crenças.

Se o auto-conhecimento e o teu crescimento como pessoa são conceitos vagos e que não te interessam minimamente, então diz “Que se f*da!” e não leias o livro. Caso contrário, experimenta folhear o livro e lê-o para lá do título.

© Isa Lisboa

 

Bookshelf – The minotaur takes a cigarette break

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Continuando a partilhar um pouco das minhas leituras, deixo-vos hoje um livro que posso classificar como intrigante. Esta é uma edição em inglês, e, traduzindo o título à letra, venho falar de “O Minotauro faz uma pausa para fumar”. 

A personagem principal é ele mesmo: o Minotauro. O temível. O que guardava o labirinto e se banqueteava com sacrifícios humanos.

Vive agora uma vida comum, num trabalho normal, imerso na humanidade contemporânea. Tentando deixar o passado para trás, procura manter os chifres baixos e a cauda escondida. 

Será mesmo este livro sobre uma criatura mítica? Ou sobre tantas e tantas pessoas reias?

Se já leram, deixem os vossos comentários sobre a obra 🙂

Isa Lisboa

Bookshelf – Até ao fim

Descobri Vergílio Ferreira na escola, com “Aparição”. No meses seguintes, devorei vários outros títulos deste autor, pedidos emprestados na Biblioteca Municipal. Já na faculdade, comprei alguns títulos, que guardei em conjunto com aquele primeiro livro do autor.

Hoje venho partilhar convosco um pouco do livro “Até ao Fim”, deixando-vos com um excerto que considero que nos leva a várias reflexões, mesmo lido isoladamente.

© Isa Lisboa

“Não me ponhas o pão com água, oh não, Tina. Cresci muito. Durmo já noites de homem. Nem botija no Inverno? Cresci já até aos ombros viris, tenho já a voz grossa, o que digo agora nela tem o peso do mundo, Tina. Estou já cheio de responsabilidades, tu não podes imaginar. Lutas ódios maldições. E os sonhos, que também pesam. E a estafa para atingir o futuro. E os desastres falhanços humilhações. E essa coisa esquisita dos «problemas de consciência». Não me perguntes o que isso seja, que também não sei bem, Tina. E os ideais com que embandeira a loucura. E o quotidiano que é chato por sua intrínseca natureza e que tem também o seu direito. E mesmo o amor, só é bom enquanto não é ou quando já não. como todas as coisas. E esta chatice absurda de só se gostar a valer do que nunca pode existir. E não me ponhas essa cara pasmada de quem viu o demónio em feitio de cabra à meia-noite, porque tudo o que te digo tem uma verdade solar como um dia de canícula. Ah, cresci demais para poderes existir. Em todo o caso não posso ainda existir todo para largar tudo de mão. Uns anos ainda, Tina. Estou bem confuso da vida – enquanto a sonata me envolve ainda de melancolia. Tenho a alma enregelada, se tu fosses ainda a botija. Estou cheio de horrores adultos e seria bom vir ainda de ti a pacificação.”

Vergílio Ferreira, in Até ao Fim

Até ao fim