Arestas

Sou uma aresta

Tu e ele também

Juntos formamos um vértice

Unidos a outros

Novo vértice somos

Assim juntos, elo invisível

Para além do sólido que se forma

Somos parte

Dessa grande geometria.

Apenas éramos rectas

Talvez, algumas, infinitas

Sem saber de onde vínhamos

Nem para onde íamos.

Conhecemos a finitude

Mas ganhamos um novo plano

Outra dimensão

Esses onde agora somos sólido

Forte, mais forte

Se uma cair, também outra

Poderá cair

Mas se uma fraqueja

Outra a sustém

Até a força voltar.

E o matemático olha e sonha

Talvez um dia

Cubos, pirâmides, paralelepípedos

Até esferas

Todos se saibam juntar

Ainda

E assim expandir a geometria

Criando novo sólido

Sonha chamar-lhe

Harmonia.

.

© Isa Lisboa


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Intermitências

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Sou eu

Mas já não sou

Quanto mudou

Nas intermitências

De esquecer

E de deixar ir…

Leve,

Sei que ainda há

A libertar.

Decidida

Tranquila.

De mim

Não mais abdicarei.

O que a mais habita

Não ficará

Passo a passo, a seu tempo

Se irá

Quando olhar para trás

Será mais um degrau

Da história que quem fui

Da escada que subi

Para chegar a quem sou.

© Isa Lisboa

(Dis)Connected

Bound to Earth
That was how I woke up
One day, feeling lost
Not knowing why!
All of the sudden
The memories
Were no longer lost
I remembered everything
How I used to fly
And I used to be one with you
And the Universe was one
Now I’me here
Disconnet
No recolection of my elder tongue
My eyes hurt for not seeing
My ears hollow for lack of use
All my body hurts
Feeling the soul pounding from whitin
My thought wants to let
Her scream out
But she’s afraid the world won’t listen!

Lost within myself
Only one thing to do:
I kneel
And say that old prair
Only you and I know
You listen
And you answer
‘Cause you are me
And I am you.
I remember.
I want to go back.
Here I am.
I want to go home.
Ready to leave all the rest
Behind.
You are in me.
I am in you.
Connected.

© Isa Lisboa

Fronteiras das emoções

 

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Foto: Christos Lamprianidis, via Art_Pics (Facebook)

 

Encontrei-me, perdendo-me. E também me perdi, encontrando-me. As fronteiras das nossas emoções não se demarcam a caneta. Tão pouco a lápis as conseguimos muitas vezes desenhar.

Nunca saberemos o que é o amor, até que o nosso coração se abra, sabendo que tanto a dor como a felicidade podem entrar.

E nunca saberemos o que é a felicidade, se não estivermos dispostos a sentir a dor. A dor também nos ensina a vida; e apaziguá-la ensina-nos a contactar com a nossa humanidade.

Somos paradoxos. Frágeis nas nossas fortalezas auto erguidas. Fortes, nas nossas fragilidades olhadas nos olhos.

Encontrei-me, olhando-me. Desviando os olhos, dou um passo para me perder.

Só fazendo um mapa poderei apagar as falas fronteiras. E o Caminho far-se-á um passo após o outro, nas pontes entre mim.

© Isa Lisboa

Encolhida

Vida perdida

Morte adiantada

Caminhando

Sobre pernas esquecidas

A vida segue

Fingindo que ainda existe

Passa ao lado

Do destino

Fingindo não o ver

Ou demasiado adormecida

Passa sem parar

Sequer ponderar

Quem

Como

Poderia ser

Fugir à dor dói

Libertar-se ainda mais

O medo é grilheta

O grito afoga-se

Sem ar na garganta

O coração…

Lentamente esmorece

A alma encolhe-se

Protegida espera

Que agarres a vida

Sejas quem és!

© Isa Lisboa

Vera Chimera

Imagem: Vera Chimera

Do fim ao princípio

No dia em que nasci

Foi aquele em que morri

A noite em que me fui

Foi a aurora do primeiro grito

Ou assim o via

Quando acreditava

Que Tempo havia

E que o Fim

Era Antítese

Do Princípio

Olhos não tinha ainda

Para ver

Que caímos à terra

Apenas para árvore

Renascer

E que antes que a matéria

Se torne noutra forma

Aquilo que a habita

Havemos de tocar

Nascemos para entender

Que o destino somos Nós

E o caminho

Nada mais é que

Ser!

© Isa Lisboa

Vadim Stein 11

Foto: Vadim Stein

 

Inexplicável

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Imagem: Vladimir Kush

Sento-me

Naquela cadeira

Sento-me para descansar

 

Pessoas vêm

De todas as direcções

Cruzam-se

Inexplicável

Que não choquem

Que não se atrapalhem

 

Inexplicável

Que não se vejam

 

Inexplicável

Que eu não as veja

Ainda que reconheça

Em alguns rostos

Cansaço maior que o meu

 

Inexplicável

Eu aqui, nesta cadeira

Como se os muros nascessem connosco

Ao invés de serem construídos…

 

© Isa Lisboa

Pintando o Mundo

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Pinta o Mundo

Oxalá recorde sempre

Lápis de cores

© Isa Lisboa

 

Haiku, definição via wikipédia:

A essência do haiku é o “corte” (kiru). Isto é geralmente representado pela justaposição de duas imagens ou ideias e um kireji (“palavra que corta”) entre elas, um tipo de marca de pontuação verbal que sinaliza o momento da separação e destaca a maneira pela qual os elementos justapostos são relacionados.
O haiku tradicional consiste de 17 on (também conhecida como mora), em três frases de 5, 7 e 5 on respectivamente.

Em japonês, os haikus são tradicionalmente impressos em uma linha vertical única, enquanto o haiku ocidental geralmente aparece em três linhas paralelas, uma para cada das três frases do haiku japonês.