Humana

Não acredito

Em falsos deuses

Tão-pouco

Em falsos não-deuses.

Difícil que seja

Todavia

Distinguir

Uns de outros

Leigos disfarçados

De sábios

Sábios disfarçados de leigos.

Tantas verdades

Perigosamente dogmas

Ilusões

Que prometem fazer-te

Escapar-lhes…

Humana apenas

Nada mais ofereço.

 

© Isa Lisboa

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Annonymous pain

There is

An annonymous pain

That one you feel

When a part of you dies

Greater than the pain;

When you are the one

To inflict

The final

Merciful

Stroke.

There are times

The sword must be risen

We know it

Don’t want it

But it has to be done.

That one dead limb

Must be eliminated

The fight

Is for survival

Of the best in you

Of the light

Hidden in the dark.

We face the choice

Of letting go

Cutting loose

Until there’s

Nothing left

But who you were in the beginning

.

.

.

Do you remember who you were in the beginning?

Do you remember

Who you were

Before the pain?

Do you remember what caused the pain?

 

© Isa Lisboa

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Criatividade

Criatividade é atirares-te para o abismo sem saberes se as asas vão crescer na descida. É amar tanto a sensação de voar como a possibilidade da queda. É saber que ambas têm a possibilidade de dar à luz algo novo.

Criatividade é ter medo das alturas, mas subir na mesma. Fazer de conta que o chão está perto e usar a sensação de vertigem para criar a sensação de planar.

Criatividade é estar com os pés assentes no chão e imaginar que eles se tornam raízes. E que nos tornamos árvores, e esticamos os braços para o céu.

Criatividade é sonhar a realidade, esquecer que ela existe e ao mesmo tempo reinventá-la.

Criatividade é atrever-se. Nada é mais arriscado do que sair da norma. Mas nada é mais necessário também.

Agitar as águas, para que se formem rios e mares e lagos. Criar novos oceanos, para descobrir novas terras ao cruzá-los.

Criatividade é uma espécie de dor que alivia, um fogo que refresca. Não se compreende, não tem lógica. Muitas vezes feia, tantas vezes bela.

Criatividade é uma assinatura. É deixar a alma sair e imprimir-se no mundo. Deixá-la correr, cantar, dançar, arrancar as roupas e rebolar na terra, como antes de vir ao mundo.

Criatividade é regressar àquele lugar onde tudo é possível.

Criatividade é regressar a mim.

 

© Isa Lisboa

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Perdi uma pena

 

Naquele dia, ele não sabia que ia ficar mais leve.

Acordou calmamente, como de costume e sacudiu as pequenas gotas de orvalho que caíram por entre as folhas das árvores.

Mas a par das gotinhas, saltou-lhe uma pena. Flutuou por um tempo microscópico e começou a cair em direção ao chão.

Intrigado, deu às asas e desceu atrás dela, até ela aterrar em cima das folhas caídas no chão.

Observou-a atentamente. Era pequena, mas grande ao mesmo tempo. Procurou ao longo do corpo de onde teria saído. Teria um buraco na plumagem? À primeira vista, parecia que não.

Tocou-lhe com o bico e pareceu-lhe macia. As cores pareciam diferentes de quando as limpava. Terminava numa espécie de bico também, provavelmente onde estava antes presa a si.

Enquanto a comtemplava, viu-a levantar-se, puxada por uma brisa mais forte. Movia-se no ar, rodava sobre si mesma, como se fosse agora um corpo próprio.

Ergue-se até perto dela para a observar melhor e a brisa começa a ficar mais forte, puxando-a para mais longe.

Seguiu-a, decidido a não a perder, e continuando a erguer-se. Sentia-se um pouco mais cansado, mas não podia perder a sua pena.

Quando já não conseguia mais, percebeu que tinha voado mais alto que alguma vez se atrevera e o seu pequeno coração apertou-se.

Olhou nervosamente para baixo e teve vontade de descer. Mas tinha ido atrás da sua pena. Olhou à volta e já não a viu em lado nenhum.

Subira demasiado e ainda por cima perdera a sua pena! Mas o que estava ele a pensar? Para que é que se arriscou para tão longe do seu galho? Ainda por cima com menos uma pena!

Olhou à volta à procura de outros pássaros, mas estava sozinho.

Ia começar a descer, mas pelo canto do olho vislumbrou algo fascinante. Olhou à volta e viu. Árvores, árvores e mais árvores. Tantas mais que aquelas que conseguia alcançar do seu galho.

Devia ser disto que ouvia alguns pássaros mais atrevidos a falar.

Devia ser isto a floresta.

 

© Isa Lisboa

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Movimento

Caos e Ordem

Movimento contínuo

Caótico e Ordenado

No turbilhão do meio

Estou eu

Vezes água

Vezes fogo

Algumas sem saber.

Que importa

Tantas vezes

Se a vida pulsa

E o coração se entusiasma.

Tivesse eu nascido

Definida

Certa

Com todos os nomes dados.

Seria rio em vez de mar

Calor em vez de chama.

Pouco seria deste Eu

Que não se contenta

Quer sempre mais

Descobrir mais

Pisar outros sítios

Aprender o novo

Questionar.

Pouco seria de mim

Ainda bem que vos abraço

Caos e Ordem.

Assim sou movimento

Entre um e outro

Vento

De ponta a ponta

Deste meu Mundo.

Viajo

E acalmo.

Apenas para partir de novo!

 

© Isa Lisboa

Isa Lisboa, Escritora e Sonhadora

Distance

I see distance
From what was
Once pain.
A paved road
Lies behind
Each square
Marking a story.
I see distance
From who
I once were
And yet
I am now
So much closer
To her
The lost girl.
These walls
Are now
Truly a home
My skin
Is now
My own.
I see distance
From all of that
Which created the scars
I see beauty
In each of them
The skin needed
To be cut
And the blood
Needed to be drained.
I see distance
From that time
When the scars
Have slowly disappeared.
I see distance
But I know
That time is there
Waiting for me
In the distance
That I see.

© Isa Lisboa

Sometimes

Sometimes
I seem to forget
For a brief moment
I seem to forget
The different layers
Of evil in the world.
For a brief moment
I am reminded
That good people
Can do bad things
That fear
Can darken a heart.
Sometimes
My heart feels darkened
Too.
Seeing that humans forget
Forget that being human
Is being unique
But part of a greater thing.
Humans can be cruel
Even not knowing it
Humans can bring sadness
To hide their own.
Maybe the hardest evil
To fight
Is that one
No one sees
Blended in with normality
Hurting another soul
Because they do not know.
Sometimes
I seem to forget
That people forget.

© Isa Lisboa

Palco

Imagem -Pixabay
O palco está vazio. Não há atores, não há histórias, a ensinar-nos a vida através da imaginação.
Também não há público. Nem nas cadeiras do teatro, nem nas ruas da Realidade.
Dir-se-ia Tragédia grega, que traria espanto das cadeiras, mas não é.
O eco do silêncio ensurdece as paredes, as cortinas tornam-se pesadas com o pó.
O palco sente falta do Teatro, o Teatro sente falta do Palco.
 
© Isa Lisboa
 
27 Março, Dia Mundial do Teatro