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Menino-Sonho

Em menino tinha um sonho

De construir uma fábrica

De sonhos;

E sonhos distribuir.

Do sonho

Não se esqueceu

O menino grande.

Tijolo a tijolo

A fábrica ergueu.

Peça a peça

Construiu suas máquinas.

Pedaço a pedaço

Encontrou matéria-prima.

Um a um

Sonhador a sonhador

Aos sonhos que via

Vida ele deu.

Deu-os a todos

Tantos.

Feliz

Por seu sonho realizar.

De fabricar sonhos

Nunca se ia cansar.

Um dia saía

Mais um sonho terminado;

E na rua ali ao lado

Um dos sonhos

Ali

Esquecido

Como se nunca tivesse sido;

Apanhou-o:

Estava coçado

Com a roupa rota

O seu sonhador

Havia-o abandonado.

Mais à frente

Outro

Ainda quase não tinha sido usado;

Com ambos no regaço

Mais órfãos encontrou

Levou-os de volta à fábrica,

E chorou…

Menino sonhador não sabia

Que muitos são os homens

Que esquecem

Seus sonhos de menino,

Ainda mais os que os temem

E deles fogem,

Quando os encontram.

Menino sonhador

Não mais fabrica sonhos;

Agora procura

Sonhos perdidos

E meninos que não cresceram.

.

© Isa Lisboa

Dores de crescimento

Cresci

Com a velocidade

De um foguetão

Prestes a implodir

E das cinzas que

Restaram

Me fiz explosão.

Do fogo

Me acendi a mim mesma

Calor

Luz

Dor.

Também dor.

Da dor cresci.

É sempre assim.

Se soubermos

Entender

Aceitar

Abraçar.

Abraçar a vida.

Abraçar a mim mesma.

Aprendi a ser por mim.

Cresci.

Abraçada a mim mesma

Cresci

E me fiz coragem.

De segurar o coração

Na própria mão

E deixá-lo doer.

Doer para bater.

O sangue flui

E a vida retoma

As lágrimas secam

E tudo muda

Muda num segundo

Ou numa vida

Tudo é eternidade

Para sempre

Cresci.

© Isa Lisboa

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Imagem: Autor não identificado

Arestas

Sou uma aresta

Tu e ele também

Juntos formamos um vértice

Unidos a outros

Novo vértice somos

Assim juntos, elo invisível

Para além do sólido que se forma

Somos parte

Dessa grande geometria.

Apenas éramos rectas

Talvez, algumas, infinitas

Sem saber de onde vínhamos

Nem para onde íamos.

Conhecemos a finitude

Mas ganhamos um novo plano

Outra dimensão

Esses onde agora somos sólido

Forte, mais forte

Se uma cair, também outra

Poderá cair

Mas se uma fraqueja

Outra a sustém

Até a força voltar.

E o matemático olha e sonha

Talvez um dia

Cubos, pirâmides, paralelepípedos

Até esferas

Todos se saibam juntar

Ainda

E assim expandir a geometria

Criando novo sólido

Sonha chamar-lhe

Harmonia.

.

© Isa Lisboa


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Intermitências

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Sou eu

Mas já não sou

Quanto mudou

Nas intermitências

De esquecer

E de deixar ir…

Leve,

Sei que ainda há

A libertar.

Decidida

Tranquila.

De mim

Não mais abdicarei.

O que a mais habita

Não ficará

Passo a passo, a seu tempo

Se irá

Quando olhar para trás

Será mais um degrau

Da história que quem fui

Da escada que subi

Para chegar a quem sou.

© Isa Lisboa

(Dis)Connected

Bound to Earth
That was how I woke up
One day, feeling lost
Not knowing why!
All of the sudden
The memories
Were no longer lost
I remembered everything
How I used to fly
And I used to be one with you
And the Universe was one
Now I’me here
Disconnet
No recolection of my elder tongue
My eyes hurt for not seeing
My ears hollow for lack of use
All my body hurts
Feeling the soul pounding from whitin
My thought wants to let
Her scream out
But she’s afraid the world won’t listen!

Lost within myself
Only one thing to do:
I kneel
And say that old prair
Only you and I know
You listen
And you answer
‘Cause you are me
And I am you.
I remember.
I want to go back.
Here I am.
I want to go home.
Ready to leave all the rest
Behind.
You are in me.
I am in you.
Connected.

© Isa Lisboa