Quantos passos além da dor?

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Quantos passos precisamos dar para superar a dor? Não tenho um número certo, mágico. Mas sei que é preciso dar um passo de cada vez. E o primeiro, parece-me a mim, é aceitar a dor. Aceitar que está a doer e tudo aquilo que está a fazer doer.

Se ignorares a dor, ignoras tudo o que ela te está a dizer. Ignoras a experiência má e tudo quanto ela te pode ensinar, quanto te pode preparar para o futuro.

O melhor é sempre se não doer. Mas dói sempre, em alguma altura. Somos feitos de carne mole e de nervos sem aço. E é por isso que, nalguma altura, vai acabar por doer. E não é no corpo, é no coração, ou no lugar onde descansam as emoções. Aí é onde dói a sério.

Podes até dizer ao mundo que não dói, que foi só um entalão, coisa pouca,

Mas de ti mesm@ não escondas nada, não te enganes, não finjas que não vês a pele rasgada. Se não, a ferida fica por curar, anda ali naquele impasse, de prestes a infectar, ou, quem sabe, prestes a gangrenar.

Para curares a ferida, tens que olhar para ela e ver exatamente quanto de ti ela dilacerou. Só assim percebes o caminho que tens pela frente.

Depois disso, vêm os próximos passos. Escolhe o teu penso rápido, o desinfectante e o teu cicatrizador. Podes precisar de um analgésico. Mas escolhe-o bem. Doseia-o ainda melhor. Demasiado analgésico mascara a dor.

Escolhe a tua panaceia e aplica-a.

Mas não tenhas pressa. Seja quantos passos precisares dar para superar a tua dor – dá um passo de cada vez. E não saltes nenhum. A seu tempo, deixa de doer, e a ferida cicatriza.

 

© Isa Lisboa

In the Bookshelf – Hábitos Atómicos

“Hábitos Atómicos” foi o último livro que acabei de ler e partilho-o ainda em Janeiro, a jeito de ajuda com as resoluções de novo ano que possam ter feito.

É um livro que dá dicas práticas sobre como criar novos hábitos (saudáveis) e deixar de ter hábitos menos saudáveis.

Parte da ideia base de que “se conseguirmos melhorar 1% todos os dias, durante um ano, chegaremos ao fim 37 vezes melhor”. A partir daqui e de 4 leis, James Clear apresenta-nos o poder dos pequenos hábitos. Para nos ajudar a libertarmo-nos dos maus hábitos, inverte essas mesmas 4 leis, com dicas igualmente úteis.

Para além da sua componente bastante prática, destaco principalmente a ideia que o autor apresenta de que aquilo que fazemos é um reflexo do que julgamos ser. Uma vez que queremos sempre manter a nossa identidade e a nossa auto – imagem, é difícil implementar um hábito que as contrarie.

Por exemplo, é difícil conseguir implementar o hábito de comer mais legumes se nos identificarmos como alguém que só gosta de “junk food”. No entanto, se lembramos que gostamos de ter mais energia, que  gostamos de ter o nosso corpo são, então aí começamos a identificar-nos como uma pessoa saudável, e é mais fácil adaptarmos esse novo hábito.

Por outro lado, imaginemos que deixaste de fumar e, quando te oferecem um cigarro, dizes “Não quero, estou a deixar de fumar.”. Agora, imagina dares a resposta alternativa: “Não quero, não sou fumador@!”. Com cada uma destas frases passamos ao nosso próprio cérebro uma mensagem muito diferente. E a segunda parece envolver muitos menos tentações, o que vos parece?

Assim, fica a ideia fora da caixa (ou nem por isso 😉) de nos questionarmos, de começarmos a descobrir novas facetas de nós mesmos e de começarmos a ter um discurso interno diferente.

E por aí, já leram este livro? Se sim, o que acharam e que dicas implementaram?

Partilhem e boas leituras!

 

© Isa Lisboa

E se não tiver que ser assim?

E se não tivesse sido assim?
Quem pode dizer que os erros conhecidos são maiores que os acertos desconhecidos? Porque acertos não sabemos se seriam, todavia.
E se nos perdêssemos dos caminhos aonde os erros nos levariam; quem sabe? Quem pode dizer que não se revelariam os caminhos certos? Quem sabe dizer, antes de os percorrer? Adivinhos, astrólogos, tarólogos, conselheiros, podem ter pistas.
Mas apenas gastando solas podemos fazer caminhos.
São os caminhos que nos levam aos nossos destinos. Alguns bons, outros nem tanto. Mas é essa a beleza de viver, ser surpreendida. Saltar de alegria quando gostamos do sítio aonde chegamos. Aceitar quando não gostamos. Aceitar, para a seguir encontrar novos caminhos.
Ninguém disse que tem que ser sempre assim. Que tens que jogar com aquelas cartas porque foram as que te calharam. É assim em alguns jogos de cartas; mas não em todos. Há alguns em que podes deitar fora as cartas que não te servem e procurar outras.
Mas na vida nem sempre podes escolher o jogo, dir-me-ão.
Verdade.
Mas às vezes podes.
Aí é que está o desafio. Distinguir uma da outra. Distinguir quando a vida te dá uma mão que podes trocar e quando a vida te obriga a jogar com aquelas cartas.
E quando assim é, tem que ser. Tens que jogar. E se tens que jogar, traz ao de cima o jogador que há em ti. Joga o melhor que sabes. Chama pela tua experiência. Já jogaste antes. A mão que te calhou não foi certamente igual; umas mais fáceis que outras. Adversários mais fáceis que outros. É mesmo assim. Mas há algo que é diferente agora: a tua experiência, jogador!
Já jogaste hoje mais jogos que na última mão que te calhou. Olha bem para os trunfos que tens contigo. Talvez alguns não estejam nas cartas, mas sim, no jogador. Esquecemo-nos muitas vezes disso.
Mas embora a vida dê cartas, somos nós que escolhemos como as jogar. Somos nós que escolhemos se sacrificamos um ás, para melhor jogar à frente.
Ou se no agarramos à sensação de que a vida dá cartas e tudo controla.
Joga!

© Isa Lisboa

Imagem pixabay

Queres mesmo ser feliz?

Gosto do objetivo de ser feliz. É um bom objetivo a ter em mente a cada novo dia.
Procurar sempre a felicidade, parece-me uma boa demanda. Mas ter que ser sempre feliz, é apenas mais uma forma de ser infeliz sem o saber. Ou sem o querer admitir.
Explico. Tempos difíceis sempre existirão. E tristeza, angústia, preocupação são reações normais e expectáveis nessas situações. Há uma diferença entre reagir a essas situações, procurando melhorá-las, e entre dizer que está tudo bem – quando não está.

Acredito no otimismo como força construtora e reformadora. Mas, para mim, otimismo é acreditar que tudo pode ficar melhor, acompanhando esse sentimento de ação. E de reconhecimento.

Ficarmos agarrados ao martírio, à sensação de que o Destino nos fintou e nada ficará, nunca, jamais, bem… Isso não ajuda. Só vai empurrar-te para baixo. Na melhor das hipóteses, não vai deixar-te sair do sítio.

Mas ficar agarrado à sensação de que está tudo bem, mesmo quando não está, é igualmente um obstáculo. Esperar que tudo melhore milagrosamente, só te tira oportunidades. Oportunidades de criar resiliência, por exemplo. Antes pelo contrário; quando o tal milagre não acontece, o mundo desaba e o abismo fica assustadoramente mais perto.

Obrigares-te a estar sempre feliz, priva-te de ver aquilo que já não queres para ti, o que já não te faz bem.

Estares sempre à espera de um milagre, priva-te de veres que o milagre és tu. A tua capacidade de te reinventares, de lutares, de reagires.

Procura ser feliz, não deixes que te digam que não podes sê-lo. Mas também não deixes que te digam que tens que ser sempre feliz.

Permite-te sentires-te triste, mas não permitas que a tristeza fique para sempre. Deixa que ela fale contigo, mas responde só quando ela merecer resposta.

Não tens mesmo que ser (sempre) feliz. Mas podes escolher ser feliz. Podes escolher ser (realmente) feliz.

© Isa Lisboa

In the bookshelf @ Joana D’ Arc, de Mark Twain

A história de Joana d’ Arc, contada por Mark Twain.

A perspectiva da história é a do Senhor Louis de Compte, que teria sido seu secretário pessoal e que a terá acompanhado desde a infância e durante o seu percurso como general das tropas francesas, até à sua morte.

A história de Joana D’Arc, dos seus feitos e da sua morte, é bastante conhecida pela História. Mas este romance, escrito sobre esta perspectiva – de um amigo de longa data – traz-nos mais que um relato histórico. Aqui lemos um romance histórico com muitos toques pessoais, que fala da menina que se tornou mulher guerreira e que ajudou a devolver a coroa à cabeça de Carlos VII.

Segundo Twain “De todos os meus livros, Joana D’Arc é o meu preferido, é o melhor: sei-o quase de cor. Além disso, deu-me sete vezes mais prazer do que qualquer um dos outros: doze anos de preparação e dois anos de escrita. Os outros não precisariam de preparação e não a tiveram.”

© Isa Lisboa