E se não tiver que ser assim?

E se não tivesse sido assim?
Quem pode dizer que os erros conhecidos são maiores que os acertos desconhecidos? Porque acertos não sabemos se seriam, todavia.
E se nos perdêssemos dos caminhos aonde os erros nos levariam; quem sabe? Quem pode dizer que não se revelariam os caminhos certos? Quem sabe dizer, antes de os percorrer? Adivinhos, astrólogos, tarólogos, conselheiros, podem ter pistas.
Mas apenas gastando solas podemos fazer caminhos.
São os caminhos que nos levam aos nossos destinos. Alguns bons, outros nem tanto. Mas é essa a beleza de viver, ser surpreendida. Saltar de alegria quando gostamos do sítio aonde chegamos. Aceitar quando não gostamos. Aceitar, para a seguir encontrar novos caminhos.
Ninguém disse que tem que ser sempre assim. Que tens que jogar com aquelas cartas porque foram as que te calharam. É assim em alguns jogos de cartas; mas não em todos. Há alguns em que podes deitar fora as cartas que não te servem e procurar outras.
Mas na vida nem sempre podes escolher o jogo, dir-me-ão.
Verdade.
Mas às vezes podes.
Aí é que está o desafio. Distinguir uma da outra. Distinguir quando a vida te dá uma mão que podes trocar e quando a vida te obriga a jogar com aquelas cartas.
E quando assim é, tem que ser. Tens que jogar. E se tens que jogar, traz ao de cima o jogador que há em ti. Joga o melhor que sabes. Chama pela tua experiência. Já jogaste antes. A mão que te calhou não foi certamente igual; umas mais fáceis que outras. Adversários mais fáceis que outros. É mesmo assim. Mas há algo que é diferente agora: a tua experiência, jogador!
Já jogaste hoje mais jogos que na última mão que te calhou. Olha bem para os trunfos que tens contigo. Talvez alguns não estejam nas cartas, mas sim, no jogador. Esquecemo-nos muitas vezes disso.
Mas embora a vida dê cartas, somos nós que escolhemos como as jogar. Somos nós que escolhemos se sacrificamos um ás, para melhor jogar à frente.
Ou se no agarramos à sensação de que a vida dá cartas e tudo controla.
Joga!

© Isa Lisboa

Imagem pixabay

Queres mesmo ser feliz?

Gosto do objetivo de ser feliz. É um bom objetivo a ter em mente a cada novo dia.
Procurar sempre a felicidade, parece-me uma boa demanda. Mas ter que ser sempre feliz, é apenas mais uma forma de ser infeliz sem o saber. Ou sem o querer admitir.
Explico. Tempos difíceis sempre existirão. E tristeza, angústia, preocupação são reações normais e expectáveis nessas situações. Há uma diferença entre reagir a essas situações, procurando melhorá-las, e entre dizer que está tudo bem – quando não está.

Acredito no otimismo como força construtora e reformadora. Mas, para mim, otimismo é acreditar que tudo pode ficar melhor, acompanhando esse sentimento de ação. E de reconhecimento.

Ficarmos agarrados ao martírio, à sensação de que o Destino nos fintou e nada ficará, nunca, jamais, bem… Isso não ajuda. Só vai empurrar-te para baixo. Na melhor das hipóteses, não vai deixar-te sair do sítio.

Mas ficar agarrado à sensação de que está tudo bem, mesmo quando não está, é igualmente um obstáculo. Esperar que tudo melhore milagrosamente, só te tira oportunidades. Oportunidades de criar resiliência, por exemplo. Antes pelo contrário; quando o tal milagre não acontece, o mundo desaba e o abismo fica assustadoramente mais perto.

Obrigares-te a estar sempre feliz, priva-te de ver aquilo que já não queres para ti, o que já não te faz bem.

Estares sempre à espera de um milagre, priva-te de veres que o milagre és tu. A tua capacidade de te reinventares, de lutares, de reagires.

Procura ser feliz, não deixes que te digam que não podes sê-lo. Mas também não deixes que te digam que tens que ser sempre feliz.

Permite-te sentires-te triste, mas não permitas que a tristeza fique para sempre. Deixa que ela fale contigo, mas responde só quando ela merecer resposta.

Não tens mesmo que ser (sempre) feliz. Mas podes escolher ser feliz. Podes escolher ser (realmente) feliz.

© Isa Lisboa

In the bookshelf @

A história de Joana d’ Arc, contada por Mark Twain.

A perspectiva da história é a do Senhor Louis de Compte, que teria sido seu secretário pessoal e que a terá acompanhado desde a infância e durante o seu percurso como general das tropas francesas, até à sua morte.

A história de Joana D’Arc, dos seus feitos e da sua morte, é bastante conhecida pela História. Mas este romance, escrito sobre esta perspectiva – de um amigo de longa data – traz-nos mais que um relato histórico. Aqui lemos um romance histórico com muitos toques pessoais, que fala da menina que se tornou mulher guerreira e que ajudou a devolver a coroa à cabeça de Carlos VII.

Segundo Twain “De todos os meus livros, Joana D’Arc é o meu preferido, é o melhor: sei-o quase de cor. Além disso, deu-me sete vezes mais prazer do que qualquer um dos outros: doze anos de preparação e dois anos de escrita. Os outros não precisariam de preparação e não a tiveram.”

© Isa Lisboa

Vacina

Foram anos de investigação, anos de desânimo.
Na anterior pandemia Covid19, esta pandemia veio ao de cima de forma alarmante. Na verdade, esta doença já existia há muitos anos, mas a humanidade parecia adormecida a ela.
Via-se, no entanto, alguma esperança. Nem todos pareciam ter sido acometidos desta fatalidade invisível e aparentemente assintomática.
Notou-se com o coronavírus, na indiferença às mortes, indiferença igualada à registada face ao aumento da pobreza. Duas tragédias que andaram de mãos dadas, mas que poucos viam, entrincheirados do seu lado das certezas e das soluções únicas.
O mundo cientifico acordou com uma animadora notícia: a vacina há tanto procurada foi encontrada.
Depois de descoberta a vacina para o vírus e atingida a imunidade de grupo, a humanidade começou a aperceber-se lentamente do mal que lastrava entre nós. Escondido, mascarado, desculpando-se com a pandemia.
Aqueles que foram, a custo, mantendo a imunidade decidiram juntar-se. Procuraram cérebros que pudessem ajudar. Alguns deles, eles próprios acometidos pela doença, aceitaram, ainda assim, a tarefa. Seduzidos talvez pelo desafio.
A investigação decorreu durante anos e os primeiros testes foram aprovados no ano passado. Renascia a esperança para o ser humano. A esperança de recuperarmos aquela centelha essencial. A esperança para uma sociedade justa, humana, equilibrada.
Hoje, todas as farmacêuticas do mundo anunciaram que estão prontas para começar a produzir a vacina e a distribuí-la.
Serão primeiro inoculados os mais necessitados. Começarão pelas pessoas com mais altos cargos de poder. Aquelas que mais precisam ser curadas, de forma a começarem a dar o exemplo pelo seu comportamento.
Mas a expectativa é que chegue a todos, até que deixe de ser necessária.
Até que recuperemos a imunidade de grupo, e nos curemos da falta de empatia. Rejubilemos.

© Isa Lisboa

[Texto resultante de um desafio de escrita, que consistia em escrever um artigo / notícia sobre a descoberta de uma vacina conta o que eu considere ser um dos problemas da humanidade.]

Será que a culpa se casa?

Há dias numa reunião de trabalho, um colega brincou, dizendo “a culpa disto tudo é da Susete!”
Ri-me interiormente porque, no meu anterior trabalho, os meus colegas usavam muito esta frase. Tornou-se tal a tradição de dizer esta frase que, no meu último dia na empresa, recebi de presente uma tshirt que não me deixa esquecer que a culpa é minha.
Ao ouvir a frase repetida, dei por mim a perguntar se será verdade que a culpa morre sempre solteira ou se decidiu casar-se comigo. Mesmo que eu não tenha dito o famigerado “Sim!”.
Isto da culpa é um casamento difícil de manter. E dificilmente é um casamento feliz. Quer digamos sempre “Sim”, quer digamos sempre “Não”.
Se assumirmos sempre as culpas de tudo, somos aquela pessoa do casal que ama sempre pelos dois. Se formos a que sempre atira a culpa para o outro lado… bom, existe uma certa probabilidade de recebermos um pedido de divórcio, em algum momento.
É por isso que prefiro a palavra “responsabilidade”.
Ser responsável é tomar decisões e assumir os efeitos dessas decisões. É sermos crescidos, viver tanto com o que pode vir de bom, como de mau. E procurar corrigir os efeitos maus, na totalidade das nossas possibilidades. Também é conseguir viver com o facto de que, às vezes, não conseguiremos reparar o que correu mal.
Se a culpa morreu solteira, desejo que a responsabilidade encontre um casamento feliz e duradouro.

© Isa Lisboa

Criando asas

Por vezes a vida apresenta-nos desafios. A resposta pode ser saltar e construir as asas na descida. Mas também pode ser parar e reflectir, de forma a encontrar a melhor forma de os ultrapassar.

E o que tudo isto tem de divertido é que ambas as reações podem estar certas, dependendo do contexto.

É por isso que a vida tem o seu quê de difícil e o seu quê de entusiasmante. Enquanto o coração se agita, estamos realmente a viver. E isso só pode ser bom.

Isa Lisboa

In the bookshelf – Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes

Um livro interessante para quem está a começar a saber mais sobre o desenvolvimento pessoal. Explora sobretudo uma filosofia de vida, transformada em um método.

Na parte final, são feitas perguntas ao autor. Com humildade, o autor assume que a prática dos hábitos é um exercício diário e que não consegue ter todos os hábitos, todos os dias. É assim que vejo o verdadeiro desenvolvimento pessoal: um exercício diário, um olhar constante sobre nós próprios, os nossos valores e a consistência dos nossos comportamentos. Estamos sempre em construção e em processo de evolução.

Isa Lisboa