Sobre Isa Lisboa

Se acreditasse poder definir-me numa só palavra, diria que a Isa Lisboa é uma escritora. Como são precisas muitas, direi que sou tudo o que vejo.

In the bookshelf Inteligência Emocional, uma abordagem prática

O último livro que li. Fiz o Treino de Inteligência Emocional, com o @paulo.jmoreira e este livro foi um bom relembrar do que aprendi no curso.

Para quem quer aprender ou relembrar técnicos para aumentar a sua Inteligência emocional, recomendo esta leitura!

Isa Lisboa

Sometimes

Sometimes
I seem to forget
For a brief moment
I seem to forget
The different layers
Of evil in the world.
For a brief moment
I am reminded
That good people
Can do bad things
That fear
Can darken a heart.
Sometimes
My heart feels darkened
Too.
Seeing that humans forget
Forget that being human
Is being unique
But part of a greater thing.
Humans can be cruel
Even not knowing it
Humans can bring sadness
To hide their own.
Maybe the hardest evil
To fight
Is that one
No one sees
Blended in with normality
Hurting another soul
Because they do not know.
Sometimes
I seem to forget
That people forget.

© Isa Lisboa

De volta ao normal

Imagem – Pixabay
Foram semanas estranhas, estas. Foi-nos pedido para fazermos o esforço de mudar os nossos hábitos. Para mudarmos a forma de estar, de interagir. Estranhámos, mas tentámos.
A princípio não sabíamos bem como fazer, mas até nos fomos habituando.
Era estranho olhar para as ruas, pegar no telemóvel e ver aquelas imagens.
Sugeriram-nos até que desligássemos os telemóveis, mas isso pouco pegou. Precisávamos partilhar as fotos, mandar mensagens para perceber como os amigos estavam a lidar com aquilo tudo.
Não muito bem, pelo menos não todos. Foi uma mudança muito abrupta.
Ir ao supermercado foi a experiência mais estranha para mim. Custava-me entender a organização das prateleiras e distinguir as marcas e os preços. Online é muito mais fácil fazê-lo. E foi uma aventura manobrar o carrinho. Enchi vários sacos e pareceu-me quase impossível arrumá-los no carro. Como farão os funcionários das entregas? Parece-me um talento!
Caminhar na rua até soube bem, embora tanto espaço aberto me tenha causado alguma ansiedade. Estou contente por poder voltar aos meus passeios curtos.
Já marcámos uma sessão de zoom para podermos falar mais naturalmente.
Estamos todos cansados de tantas semanas fora de casa. Com saudades da segurança das nossas quatro paredes. E da facilidade de abrir o computador e tratar de tudo à distância de um clique.
Hoje encomendei almoço no meu restaurante favorito. Devem ser eles a tocar à campainha.
E assim, finalmente, a vida volta ao normal.
 
© Isa Lisboa
 
[Texto resultante de um desafio de escrita]

Palco

Imagem -Pixabay
O palco está vazio. Não há atores, não há histórias, a ensinar-nos a vida através da imaginação.
Também não há público. Nem nas cadeiras do teatro, nem nas ruas da Realidade.
Dir-se-ia Tragédia grega, que traria espanto das cadeiras, mas não é.
O eco do silêncio ensurdece as paredes, as cortinas tornam-se pesadas com o pó.
O palco sente falta do Teatro, o Teatro sente falta do Palco.
 
© Isa Lisboa
 
27 Março, Dia Mundial do Teatro

 

Poesia

Poesia
(Des)construtora de almas
Estás nos imortais versos
De folhas amareladas
E nas novas páginas
Sem papel, digitais.
Rimas
Mas também não rimas
Como eu.
Refugias-te em letras
Músicas
Símbolos visíveis.
Mas escondes-te à vista,
No vento que passa
Na flor que abre
Na água que corre
Sem rumo.
Como a minha caneta
A experimentar
Rabisco
Deixo sair, os dedos vão
Andando, escorregando
Por entre palavras
Sem sentido.
Tento juntá-las. Dispersas
Algumas
Quem disse
Que precisa ter sentido?
Se para o poeta tem,
Deve vir de algum
Pedaço d’alma.
O artista cria
Nem ele sabe o quê
Por vezes.
Só sabe que aquele mármore,
Pedaço de barro,
Tela em branco,
Quer ser outra coisa.
Assim é o poeta
A tinta desliza no papel
E algo surge
A que chamamos Poema.

© Isa Lisboa

21 Março, Dia Mundial da Poesia

Equilíbrio

Imagem – Elisa Riva, http://www.pixabay.com
O equilíbrio é difícil obter e fácil de perder.
A corda parece firme e nós achamos que já sabemos que nos equilibrar lá. E até sabemos. Mas às vezes escorregamos.
E não vale a pena lamentar, culpar.
Por vezes é inevitável.
O que importa é recomeçar. Subir de novo para cima da corda, concentrar, focar e encontrar de novo e o equilíbrio.
Não é a corda que é bamba, somos nós: Mas é porque somos humanos.

© Isa Lisboa

Vacina

Foram anos de investigação, anos de desânimo.
Na anterior pandemia Covid19, esta pandemia veio ao de cima de forma alarmante. Na verdade, esta doença já existia há muitos anos, mas a humanidade parecia adormecida a ela.
Via-se, no entanto, alguma esperança. Nem todos pareciam ter sido acometidos desta fatalidade invisível e aparentemente assintomática.
Notou-se com o coronavírus, na indiferença às mortes, indiferença igualada à registada face ao aumento da pobreza. Duas tragédias que andaram de mãos dadas, mas que poucos viam, entrincheirados do seu lado das certezas e das soluções únicas.
O mundo cientifico acordou com uma animadora notícia: a vacina há tanto procurada foi encontrada.
Depois de descoberta a vacina para o vírus e atingida a imunidade de grupo, a humanidade começou a aperceber-se lentamente do mal que lastrava entre nós. Escondido, mascarado, desculpando-se com a pandemia.
Aqueles que foram, a custo, mantendo a imunidade decidiram juntar-se. Procuraram cérebros que pudessem ajudar. Alguns deles, eles próprios acometidos pela doença, aceitaram, ainda assim, a tarefa. Seduzidos talvez pelo desafio.
A investigação decorreu durante anos e os primeiros testes foram aprovados no ano passado. Renascia a esperança para o ser humano. A esperança de recuperarmos aquela centelha essencial. A esperança para uma sociedade justa, humana, equilibrada.
Hoje, todas as farmacêuticas do mundo anunciaram que estão prontas para começar a produzir a vacina e a distribuí-la.
Serão primeiro inoculados os mais necessitados. Começarão pelas pessoas com mais altos cargos de poder. Aquelas que mais precisam ser curadas, de forma a começarem a dar o exemplo pelo seu comportamento.
Mas a expectativa é que chegue a todos, até que deixe de ser necessária.
Até que recuperemos a imunidade de grupo, e nos curemos da falta de empatia. Rejubilemos.

© Isa Lisboa

[Texto resultante de um desafio de escrita, que consistia em escrever um artigo / notícia sobre a descoberta de uma vacina conta o que eu considere ser um dos problemas da humanidade.]