Frase da semana – Felicidade

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“A Constituição só nos dá o direito de procurarmos a felicidade. Somos nós próprios que a temos que encontrar.”

Benjamim Franklin
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Eu, pecadora, me confesso

Vou partilhar uma história que ouvi há algum tempo.

Uma mulher estava no meio de uma multidão em círculo. Estava ajoelhada, chorava e pedia piedade. Pedia piedade aos homens que a rodeavam com pedras na mão.

Entretanto, um homem atravessa a multidão, ajoelha-se ao lado dela e ajuda-a a levantar-se. A seguir diz algumas palavras, finalizando com a poderosa frase: “Aquele que de entre vós nunca pecou, que atire a primeira pedra.”

Esta é uma passagem da bíblia amplamente (re)conhecida tanto por cristãos como por não cristãos.

A bíblia descreve que, nesse momento, um por um, os homens começaram a largar as pedras ao chão. Maria Madalena e Jesus ficaram sozinhos, todos os “juízes” se afastaram.

Esta é a história original.

Na história que me contaram, Jesus puxa Maria Madalena por um braço e diz-lhe: “Fujamos daqui, pois somos os únicos pecadores.”

Nesta história, Jesus e Maria Madalena viveriam na era actual.

Ouvi esta história há alguns anos já, mas lembro-me dela muitas vezes, sempre que vejo alguém a pegar numa pedra, resoluto.

Com o aumento da velocidade da comunicação, novas formas de atirar pedras apareceram. Tenho observado algumas nos títulos das notícias do Facebook.

Parece-me que o fenómeno é o que se terá observado na moderna história de Jesus e Maria Madalena. Acredito que, na história original, algum dos homens teve a coragem de assumir os seus pecados para si mesmo. E esse homem foi o primeiro a largar a sua pedra. Outros o seguiram. Hoje em dia, vê-se alguém que atira a primeira pedra, seguindo-se a saraivada de pedras. Muitas vezes, alguém atira uma pedra da barricada contrária e as pedras antes atiradas são reaproveitadas para o novo inimigo.

Quando reaprenderemos a voltar a entender as palavras ditas por Jesus?

“Quem, de entre vós, que nunca pecou, que atire a primeira pedra.”

© Isa Lisboa

Apontar o dedo

Imagem: Autor não identificado

Labirinto

À entrada do labirinto, nunca sabemos bem o que nos espera. Apenas sabemos que nada será como é cá fora.

Vemos a porta de entrada à nossa frente, foi-nos dito que devemos atravessar um caminho desconhecido que, no final, levará a uma outra porta, a de saída. Não temos mapa, não sabemos se teremos indicações ao longo do caminho, se teremos luz no percurso ou se devemos tactear a parede.

E então algo em nós evoca a lenda do Minotauro, a criatura de pele de breu, chifres ameaçadores e olhos ensanguentados pelas vítimas do labirinto que habitava. O labirinto que era a sua prisão.

Mas e se o Minotauro formos nós mesmos? Uma parte de nós que está presa ao labirinto e que, por não conseguir sair, está condenado a não permitir que mais ninguém atravesse o labirinto, que mais ninguém encontre a porta de saída. Uma criatura surgida de humano e de besta, para desencorajar os aventureiros que querem saber mais, viver mais, sentir mais. Talvez o sacrifício que o Minotauro exigia, fosse que os humanos abdicassem dos seus sonhos, deixando-os devorar-se pela mitológica criatura. Devorados por aquela criatura cuja fome não se aplacava. E seremos nós Teseu? Poderemos ser. Podemos encontrar o centro do labirinto e matar o medo. E, agarrados ao fio invisível que nos prende uns aos outros e a tudo o que existe, voltaremos então à vida que queremos viver.

© Isa Lisboa

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Encolhida

Vida perdida

Morte adiantada

Caminhando

Sobre pernas esquecidas

A vida segue

Fingindo que ainda existe

Passa ao lado

Do destino

Fingindo não o ver

Ou demasiado adormecida

Passa sem parar

Sequer ponderar

Quem

Como

Poderia ser

Fugir à dor dói

Libertar-se ainda mais

O medo é grilheta

O grito afoga-se

Sem ar na garganta

O coração…

Lentamente esmorece

A alma encolhe-se

Protegida espera

Que agarres a vida

Sejas quem és!

© Isa Lisboa

Vera Chimera

Imagem: Vera Chimera

Do fim ao princípio

No dia em que nasci

Foi aquele em que morri

A noite em que me fui

Foi a aurora do primeiro grito

Ou assim o via

Quando acreditava

Que Tempo havia

E que o Fim

Era Antítese

Do Princípio

Olhos não tinha ainda

Para ver

Que caímos à terra

Apenas para árvore

Renascer

E que antes que a matéria

Se torne noutra forma

Aquilo que a habita

Havemos de tocar

Nascemos para entender

Que o destino somos Nós

E o caminho

Nada mais é que

Ser!

© Isa Lisboa

Vadim Stein 11

Foto: Vadim Stein