Sobre Isa Lisboa

Se acreditasse poder definir-me numa só palavra, diria que a Isa Lisboa é uma escritora. Como são precisas muitas, direi que sou tudo o que vejo.

Distance

I see distance
From what was
Once pain.
A paved road
Lies behind
Each square
Marking a story.
I see distance
From who
I once were
And yet
I am now
So much closer
To her
The lost girl.
These walls
Are now
Truly a home
My skin
Is now
My own.
I see distance
From all of that
Which created the scars
I see beauty
In each of them
The skin needed
To be cut
And the blood
Needed to be drained.
I see distance
From that time
When the scars
Have slowly disappeared.
I see distance
But I know
That time is there
Waiting for me
In the distance
That I see.

© Isa Lisboa

E se não tiver que ser assim?

E se não tivesse sido assim?
Quem pode dizer que os erros conhecidos são maiores que os acertos desconhecidos? Porque acertos não sabemos se seriam, todavia.
E se nos perdêssemos dos caminhos aonde os erros nos levariam; quem sabe? Quem pode dizer que não se revelariam os caminhos certos? Quem sabe dizer, antes de os percorrer? Adivinhos, astrólogos, tarólogos, conselheiros, podem ter pistas.
Mas apenas gastando solas podemos fazer caminhos.
São os caminhos que nos levam aos nossos destinos. Alguns bons, outros nem tanto. Mas é essa a beleza de viver, ser surpreendida. Saltar de alegria quando gostamos do sítio aonde chegamos. Aceitar quando não gostamos. Aceitar, para a seguir encontrar novos caminhos.
Ninguém disse que tem que ser sempre assim. Que tens que jogar com aquelas cartas porque foram as que te calharam. É assim em alguns jogos de cartas; mas não em todos. Há alguns em que podes deitar fora as cartas que não te servem e procurar outras.
Mas na vida nem sempre podes escolher o jogo, dir-me-ão.
Verdade.
Mas às vezes podes.
Aí é que está o desafio. Distinguir uma da outra. Distinguir quando a vida te dá uma mão que podes trocar e quando a vida te obriga a jogar com aquelas cartas.
E quando assim é, tem que ser. Tens que jogar. E se tens que jogar, traz ao de cima o jogador que há em ti. Joga o melhor que sabes. Chama pela tua experiência. Já jogaste antes. A mão que te calhou não foi certamente igual; umas mais fáceis que outras. Adversários mais fáceis que outros. É mesmo assim. Mas há algo que é diferente agora: a tua experiência, jogador!
Já jogaste hoje mais jogos que na última mão que te calhou. Olha bem para os trunfos que tens contigo. Talvez alguns não estejam nas cartas, mas sim, no jogador. Esquecemo-nos muitas vezes disso.
Mas embora a vida dê cartas, somos nós que escolhemos como as jogar. Somos nós que escolhemos se sacrificamos um ás, para melhor jogar à frente.
Ou se no agarramos à sensação de que a vida dá cartas e tudo controla.
Joga!

© Isa Lisboa

Imagem pixabay

Queres mesmo ser feliz?

Gosto do objetivo de ser feliz. É um bom objetivo a ter em mente a cada novo dia.
Procurar sempre a felicidade, parece-me uma boa demanda. Mas ter que ser sempre feliz, é apenas mais uma forma de ser infeliz sem o saber. Ou sem o querer admitir.
Explico. Tempos difíceis sempre existirão. E tristeza, angústia, preocupação são reações normais e expectáveis nessas situações. Há uma diferença entre reagir a essas situações, procurando melhorá-las, e entre dizer que está tudo bem – quando não está.

Acredito no otimismo como força construtora e reformadora. Mas, para mim, otimismo é acreditar que tudo pode ficar melhor, acompanhando esse sentimento de ação. E de reconhecimento.

Ficarmos agarrados ao martírio, à sensação de que o Destino nos fintou e nada ficará, nunca, jamais, bem… Isso não ajuda. Só vai empurrar-te para baixo. Na melhor das hipóteses, não vai deixar-te sair do sítio.

Mas ficar agarrado à sensação de que está tudo bem, mesmo quando não está, é igualmente um obstáculo. Esperar que tudo melhore milagrosamente, só te tira oportunidades. Oportunidades de criar resiliência, por exemplo. Antes pelo contrário; quando o tal milagre não acontece, o mundo desaba e o abismo fica assustadoramente mais perto.

Obrigares-te a estar sempre feliz, priva-te de ver aquilo que já não queres para ti, o que já não te faz bem.

Estares sempre à espera de um milagre, priva-te de veres que o milagre és tu. A tua capacidade de te reinventares, de lutares, de reagires.

Procura ser feliz, não deixes que te digam que não podes sê-lo. Mas também não deixes que te digam que tens que ser sempre feliz.

Permite-te sentires-te triste, mas não permitas que a tristeza fique para sempre. Deixa que ela fale contigo, mas responde só quando ela merecer resposta.

Não tens mesmo que ser (sempre) feliz. Mas podes escolher ser feliz. Podes escolher ser (realmente) feliz.

© Isa Lisboa

In the bookshelf @

A história de Joana d’ Arc, contada por Mark Twain.

A perspectiva da história é a do Senhor Louis de Compte, que teria sido seu secretário pessoal e que a terá acompanhado desde a infância e durante o seu percurso como general das tropas francesas, até à sua morte.

A história de Joana D’Arc, dos seus feitos e da sua morte, é bastante conhecida pela História. Mas este romance, escrito sobre esta perspectiva – de um amigo de longa data – traz-nos mais que um relato histórico. Aqui lemos um romance histórico com muitos toques pessoais, que fala da menina que se tornou mulher guerreira e que ajudou a devolver a coroa à cabeça de Carlos VII.

Segundo Twain “De todos os meus livros, Joana D’Arc é o meu preferido, é o melhor: sei-o quase de cor. Além disso, deu-me sete vezes mais prazer do que qualquer um dos outros: doze anos de preparação e dois anos de escrita. Os outros não precisariam de preparação e não a tiveram.”

© Isa Lisboa

Sometimes

Sometimes
I seem to forget
For a brief moment
I seem to forget
The different layers
Of evil in the world.
For a brief moment
I am reminded
That good people
Can do bad things
That fear
Can darken a heart.
Sometimes
My heart feels darkened
Too.
Seeing that humans forget
Forget that being human
Is being unique
But part of a greater thing.
Humans can be cruel
Even not knowing it
Humans can bring sadness
To hide their own.
Maybe the hardest evil
To fight
Is that one
No one sees
Blended in with normality
Hurting another soul
Because they do not know.
Sometimes
I seem to forget
That people forget.

© Isa Lisboa

De volta ao normal

Imagem – Pixabay
Foram semanas estranhas, estas. Foi-nos pedido para fazermos o esforço de mudar os nossos hábitos. Para mudarmos a forma de estar, de interagir. Estranhámos, mas tentámos.
A princípio não sabíamos bem como fazer, mas até nos fomos habituando.
Era estranho olhar para as ruas, pegar no telemóvel e ver aquelas imagens.
Sugeriram-nos até que desligássemos os telemóveis, mas isso pouco pegou. Precisávamos partilhar as fotos, mandar mensagens para perceber como os amigos estavam a lidar com aquilo tudo.
Não muito bem, pelo menos não todos. Foi uma mudança muito abrupta.
Ir ao supermercado foi a experiência mais estranha para mim. Custava-me entender a organização das prateleiras e distinguir as marcas e os preços. Online é muito mais fácil fazê-lo. E foi uma aventura manobrar o carrinho. Enchi vários sacos e pareceu-me quase impossível arrumá-los no carro. Como farão os funcionários das entregas? Parece-me um talento!
Caminhar na rua até soube bem, embora tanto espaço aberto me tenha causado alguma ansiedade. Estou contente por poder voltar aos meus passeios curtos.
Já marcámos uma sessão de zoom para podermos falar mais naturalmente.
Estamos todos cansados de tantas semanas fora de casa. Com saudades da segurança das nossas quatro paredes. E da facilidade de abrir o computador e tratar de tudo à distância de um clique.
Hoje encomendei almoço no meu restaurante favorito. Devem ser eles a tocar à campainha.
E assim, finalmente, a vida volta ao normal.
 
© Isa Lisboa
 
[Texto resultante de um desafio de escrita]

Palco

Imagem -Pixabay
O palco está vazio. Não há atores, não há histórias, a ensinar-nos a vida através da imaginação.
Também não há público. Nem nas cadeiras do teatro, nem nas ruas da Realidade.
Dir-se-ia Tragédia grega, que traria espanto das cadeiras, mas não é.
O eco do silêncio ensurdece as paredes, as cortinas tornam-se pesadas com o pó.
O palco sente falta do Teatro, o Teatro sente falta do Palco.
 
© Isa Lisboa
 
27 Março, Dia Mundial do Teatro