Sobre Isa Lisboa

Se acreditasse poder definir-me numa só palavra, diria que a Isa Lisboa é uma escritora. Como são precisas muitas, direi que sou tudo o que vejo.

Dores de crescimento

Cresci

Com a velocidade

De um foguetão

Prestes a implodir

E das cinzas que

Restaram

Me fiz explosão.

Do fogo

Me acendi a mim mesma

Calor

Luz

Dor.

Também dor.

Da dor cresci.

É sempre assim.

Se soubermos

Entender

Aceitar

Abraçar.

Abraçar a vida.

Abraçar a mim mesma.

Aprendi a ser por mim.

Cresci.

Abraçada a mim mesma

Cresci

E me fiz coragem.

De segurar o coração

Na própria mão

E deixá-lo doer.

Doer para bater.

O sangue flui

E a vida retoma

As lágrimas secam

E tudo muda

Muda num segundo

Ou numa vida

Tudo é eternidade

Para sempre

Cresci.

© Isa Lisboa

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Imagem: Autor não identificado

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Preciso ganhar o Euromilhões

 

 

Costumo dizer em tom de brincadeira:

 “Concluí que preciso ganhar o euromilhões. O único problema é… que eu não jogo!”

 De há uns tempos para cá, começo a ouvir a minha vozinha interior a responder a esta minha piada. E ela responde: “Bela desculpa!”

Como tenho uma descrença algo vincada nos jogos de apostas, imaginei que a minha vozinha estaria a tentar dizer-me algo menos literal que “Joga no euromilhões!”

E realmente, tenho na minha vida um ou outro euromilhões, que quero ganhar, mas… Mas tenho dúvidas e tenho medos.

E depois ganho coragem e decido que é hora de começar a jogar no euromilhões.

Geralmente, é quando mais estou decidida na minha tarefa, que as coisas começam a complicar.

Porque é aí que acontece algo que faz retornar as dúvidas e o medo.

Pode ser alguém que encontramos, que já tentou ganhar o euromilhões e não conseguiu. Pode ser alguém que nunca tentou e que tem uma lista preparada e estruturada com todas as razões pela qual não é bom, seguro, saudável ou talvez politicamente correcto, jogar no euromilhões.

Pode ser ainda – e é aí que tudo fica mais difícil – alguém de quem gostamos. Alguém de quem gostamos que nos diz que não, que não é um bom caminho para nós jogarmos no euromilhões. E aí fica tudo mais difícil. Porque é mais difícil contrariarmos alguém de quem gostamos.

A nossa voz interior diz “sim”, e a voz dessa pessoa diz “não”. E entã, a somar às dúvidas e aos medos, vem o conflito. O conflito interior. Como o resolver?

Uma das chaves é entender a motivação. A motivação da outra pessoa. É certo que algumas das pessoas que nos desencorajam não o fazem pelo mais nobre dos motivos. Mas quando falamos daquelas pessoas próximas, daquelas pessoas que gostam de nós, a situação geralmente é diferente.

Acontece que essas pessoas também têm medo. E têm medo não só por elas, mas também por nós. E querem proteger-nos. E é por isso que tentam demover-nos e, é preciso dizê-lo, desmotivar-nos de fazer certas coisas. Tentam desmotivar-nos de apostar.

A questão ligada a este verbo – apostar – é tanto podemos ganhar, como perder.

Quem gosta de ti, não quer que tu percas. Por isso, não quer que tu apostes.

Mas aí entras tu. És sempre tu a chave.

És tu quem tem que responder a um conjunto de perguntas:

 – “Vale a pena o risco?”

– “O que é o pior que pode acontecer?”

– “Se o pior acontecer, conseguirei lidar com as consequências?”

Se as respostas a estas perguntas te trouxerem tranquilidade e segurança, então… está na altura de fazeres a tua aposta; o que te parece?

Eu quero ganhar o meu Euromilhões e não vou desistir de encontrar a minha chave vencedora.

 

 

E tu, qual é o teu Euromilhões?

© Isa Lisboa

 

 

A este propósito, partilho uma pequena anedota, sobre jogos e sobre algo mais:

“Um homem rezava a Deus: “Meu Deus, faz com que eu ganhe a lotaria! Eu gostava tanto, mas tanto, de ganhar a lotaria! Por favor, meu Deus, faz com que eu ganhe a lotaria!”

O homem rezou a Deus desta forma, durante dias, vários dias seguidos.

Até que Deus decidiu responder ao homem: “Meu filho, se queres mesmo ganhar a lotaria… ao menos joga!”

 

Arestas

Sou uma aresta

Tu e ele também

Juntos formamos um vértice

Unidos a outros

Novo vértice somos

Assim juntos, elo invisível

Para além do sólido que se forma

Somos parte

Dessa grande geometria.

Apenas éramos rectas

Talvez, algumas, infinitas

Sem saber de onde vínhamos

Nem para onde íamos.

Conhecemos a finitude

Mas ganhamos um novo plano

Outra dimensão

Esses onde agora somos sólido

Forte, mais forte

Se uma cair, também outra

Poderá cair

Mas se uma fraqueja

Outra a sustém

Até a força voltar.

E o matemático olha e sonha

Talvez um dia

Cubos, pirâmides, paralelepípedos

Até esferas

Todos se saibam juntar

Ainda

E assim expandir a geometria

Criando novo sólido

Sonha chamar-lhe

Harmonia.

.

© Isa Lisboa


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