Sobre Isa Lisboa

Se acreditasse poder definir-me numa só palavra, diria que a Isa Lisboa é uma escritora. Como são precisas muitas, direi que sou tudo o que vejo.

Sentido de orientação

Há alguns anos atrás, quando comecei a conduzir, percebi que tenho maus sentido de orientação. Pelo menos enquanto conduzo; muito embora a pé, encontre mais facilmente o caminho.

Com o avançar da tecnologia, fui-me socorrendo das mais populares “app’s” de localização no telemóvel. Também me tornei um pouco dependente destes truques.

E isso notou-se quando, há dias, fiquei sem bateria na viagem de regresso.

Na viagem da manhã, fui seguindo as indicações, descontraidamente, e sem prestar muita atenção ao percurso. Como não é uma zona que conheço bem, não podia agora fiar-me na minha memória. Por isso, naquele momento, não sabia muito bem como encontrar o caminho para voltar para casa.

Mas, parada, não valia a pena ficar.

Arranquei e fui andando. Aqui e ali via pequenos pontos de referência e depois comecei a encontrar placas que me indicavam que o caminho parecia o certo.

Finalmente, cheguei a uma estrela que já conhecia bem.

Quando me vi nessa estrada, subitamente dei-me conta de que a havia encontrado, sobretudo, seguindo a minha intuição.

Aquela minha vozinha que fala do fundo.

Aquela vozinha que, quando eu me silencio para a ouvir, muito me diz. Aquela vozinha que sempre me ensina como voltar para casa.

© Isa Lisboa

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Invernos, Sonhos e Andorinhas – Opinião de uma leitora

Foi este o texto que a Ana partilhou sobre o meu livro “Invernos, Sonhos e Andorinhas

É sempre recompensador ler partilhas destas! Obrigada, Ana! 🙂

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2020: Onde estão os carros voadores?

É certo: Não estamos a viver um filme futurista do século passado. Nem skates que flutuam, chips por debaixo da pele, nem carros voadores.

Ainda assim, dizem, o futuro está a chegar. Dizem-no as casas inteligentes, as assistentes pessoais do telemóvel e robots com nome próprio e os primeiros carros sem condutor.

Quando eu nasci, a TV era a preto e branco e, quando eu queria mudar de canal, não tinha controlo remoto – precisava levantar-me e mudar o canal no aparelho. Um dos canais. Alguns anos depois, quando a TV já era a cores, vieram mais dois.

Houve um tempo em que eu via na TV os Jogos sem Fronteiras. Hoje, após a explosão da internet, o mundo tem cada vez menos fronteiras. Talvez as pessoas tenham descoberto novas fronteiras, especialmente entre pessoas. Também descobriram algumas nelas próprias, mas encontraram formas novas de as ultrapassar.

Também nesse tempo das minhas memórias, o telefone estava preso à parede e discávamos o número para onde ligar. Hoje, nós e os telemóveis estamos menos presos aos mesmos lugares. E ainda bem: viajar é preciso. Especialmente, é preciso viajar para fora de nós.

E hoje podemos viajar sem sair do lugar. O mundo (quase) todo está à distância de um clique. Também o está a sala de cinema ou uma refeição levada a casa. Habilidades do nosso smartphone. Smarts são também alguns watches. E os novos carros, já ligados ao phone, o smartphone.

Estão mais inteligentes, os carros. Mas ainda não voam. E por acaso acho isso uma pena, especialmente quando estou no meio de uma qualquer fila de trânsito.

É provável que também as haja no ar, quando os carros voarem. Sim, porque os carros ainda não voam, mas tudo indica que estão a ganhar asas. E tudo indica que sempre iremos querer ir a algum lugar.

Foi essa vontade de ir, de descobrir, que nos trouxe aqui. A este futuro sem carros voadores, mas com tantas coisas fantásticas!

Também com bastantes e novos desafios, é certo. Mas o vento que travou algumas caravelas, também empurrou outras para lá do Cabo Bojador.

Por isso, talvez eu ainda veja auto-estradas no céu e conduza um carro alado!

© Isa Lisboa

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Imagem: pixabay.com

Amendoim, o Esquilo

Amendoim gostava muito de comer amendoins. Os seus amigos gostavam de nozes, avelãs, bolotas e alguns gostavam de procurar cogumelos e sumarentas frutas.

No entanto, o nosso esquilo gostava de amendoins e sempre que podia degustava uma bela dose desta iguaria.

Mas um dia, o Esquilo – Mor reuniu toda a comunidade de esquilos e anunciou que a forma como se alimentavam precisava ser redefinida. De forma a optimizar os recursos, os alimentos mais difíceis de encontrar deixariam de fazer parte da dieta. Nessa lista, incluíam-se os amendoins.

O Amendoim ficou desolado! Como ia deixar de comer amendoins, se eram o seu alimento favorito? Até era esse o seu nome, como lhe podiam de repente negar este repasto?

Uma vez que não podia deixar de comer, lá foi buscando as suas doses de bolotas e nozes. Apesar de não lhe saberem tão bem como os amendoins, deu por si a comer mais e cada vez mais. Sentia-se culpado, afinal porque tinha aquela necessidade de comer todas aquelas bolotas? Comia até sentir o seu estômago bem forrado. Estranhamente, isso dava-lhe uma certa sensação de segurança, que nem sequer sabia explicar.

Um dia comeu tanto que ficou com dores de estômago. Alguma coisa tinha que mudar.

Amendoim não queria comer todas aquelas bolotas; nem sequer lhe sabiam assim tão bem! Não sabiam tão bem quanto os amendoins. Suspirou ao lembrar-se dos seus amendoins, do seu sabor, da sua textura e de como o seu estômago ficava feliz a comê-los.

Pensou que não se importaria de comer menos amendoins que bolotas, porque eram amendoins e por isso valia a pena. E, deste pensamento, foi um raio até outro: não se importava nada de ter mais trabalho para encontrar amendoins. O Esquilo – Mor queria optimizar recursos, mas o Amendoim podia optimizar os seus próprios recursos, não podia?

Entusiasmado, foi a correr encontrar um amigo seu que estava numa dieta privada de castanhas e contou-lhe a sua ideia.

O amigo fez um ar assustado: “Não, não, se o Esquilo – Mor diz que é assim que temos que fazer, é assim que temos que fazer. Precisamos de comida, devemos fazer o que ele diz.”

Amendoim explicou a sua proposta: iriam continuar a reunir a comida proposta pelo Esquilo – Mor mas, no seu tempo, iriam procurar a comida de que mais gostavam.

O amigo deu-lhe uma longa lista de contras, mas o Amendoim preferiu focar-se nos prós, lembrando-se do sabor dos amendoins.

Durante semanas, seguiu o seu plano. Tinha dias em que se sentia mais cansado, e em que quase se esquecia do porquê da sua luta. Ainda por cima, todos lhe diziam que era uma tolice continuar com tudo aquilo. Já lhe tinham encontrado uma forma de viver, para quê complicar?

Mas quando chegava à sua toca e podia degustar os seus amendoins, o pequeno esquilo sentia uma paz e alegria que não sabia verbalizar.

Agarrando-se a essa sensação, Amendoim continuou.

Um dia, ao observar humanos ao longe viu que eles lançavam coisas à terra e esperavam que elas crescessem.

Curioso, Amendoim observou e aprendeu.

E de tudo o que aprendeu, foi testando, errando, testando…

E assim, Amendoim, o Esquilo, se tornou no primeiro esquilo plantador de amendoins.

© Isa Lisboa

História escrita para a Ana Margarida, num Workshop de “Histórias e Metáforas Terapeuticas”.

Se quiserem ouvir-me a contar esta história, podem fazê-lo no YouTube, Instagramou https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fisa.lisboa.escritora%2Fvideos%2F775549386294751%2F&show_text=0&width=560” target=”_blank” rel=”noopener”>Facebook.


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A pequena fada das flores

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Imagem: pixabay.com

Era uma vez uma pequena fada, que vivia no Jardim das Orquídeas. A sua função nesse jardim era cuidar das plantas, regá-las, e deixá-las bonitas.  Sentia-se muito feliz ali, no Jardim das Orquídeas.

Um dia, andava a voar por ali perto e encontrou uma fada amiga. Ela vivia no Jardim das Rosas. Começou a falar-lhe da vida por lá e convidou-a a dar um passeio por entre as rosas.

A nossa pequena fada aceitou o convite e seguiu-a. Achou as rosas muito bonitas. Mas não eram tão bonitas quanto as suas orquídeas – pensou. As orquídeas eram bem mais exóticas, apesar de lhe parecer que era mais difícil cuidar delas que das rosas.

Meio imersa nestes pensamentos, sobressaltou-se com um conjunto de risadas e vozes familiares. Eram amigas suas que já não via há muito tempo. Conversaram até ao final do dia e foi muito bom! Enquanto voltava para casa, percebeu que tinha muitas saudades daquelas três amigas. Seria bom trabalharem no mesmo jardim e estarem mais tempo juntas.

No outro dia, voltando ao trabalho, tinha as suas orquídeas com muitas saudades dela e a precisar dos seus cuidados. E foi a isso que se dedicou durante todo o dia.

Quando chegou ao final do dia, percebeu que estava dividida entre Orquídeas e Rosas.

Não queria deixar as suas lindas flores, mas sentia falta das suas amigas.

Precisava de um conselho e, para isso, ninguém melhor que a Fada Azul. Voou até ela, ansiosa!

“Acalma-te, pequena fada.” – disse-lhe logo a anciã – “A tua mente está dividida, mas não é aí que encontrarás as respostas que procuras. As tuas respostas só podem ser ouvidas dentro do teu coração. É o teu coração que sabe qual é o teu verdadeiro lar.”

A pequena fada saiu a pensar naquelas palavras. Como ouvir o coração?

Decidiu ir até um lugar silencioso, onde estivesse sozinho, sem ninguém à volta, sem ninguém a opinar.

No início foi difícil ouvir-se, porque mesmo longe de tudo, continuava a ouvir barulho.

Mas depois de um tempo dedicada apenas a ela própria, a resposta ao seu dilema apareceu; clara como água, dentro de si.

© Isa Lisboa

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Imagem:pixabay.com

História escrita para a Ana Catarina, num Workshop de “Histórias e Metáforas Terapeuticas”.

E vocês, já passaram por um dilema semelhante? Em que têm dois caminhos à frente e, seja qual for que seguirem, há sempre algo a ganhar, mas também a perder? Conseguiram encontrar a solução dentro de vocês mesmos?

Se quiserem ouvir-me a contar esta história, podem fazê-lo no YouTube, Instagram ou Facebook.