Sobre Isa Lisboa

Se acreditasse poder definir-me numa só palavra, diria que a Isa Lisboa é uma escritora. Como são precisas muitas, direi que sou tudo o que vejo.

Quantos passos além da dor?

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Quantos passos precisamos dar para superar a dor? Não tenho um número certo, mágico. Mas sei que é preciso dar um passo de cada vez. E o primeiro, parece-me a mim, é aceitar a dor. Aceitar que está a doer e tudo aquilo que está a fazer doer.

Se ignorares a dor, ignoras tudo o que ela te está a dizer. Ignoras a experiência má e tudo quanto ela te pode ensinar, quanto te pode preparar para o futuro.

O melhor é sempre se não doer. Mas dói sempre, em alguma altura. Somos feitos de carne mole e de nervos sem aço. E é por isso que, nalguma altura, vai acabar por doer. E não é no corpo, é no coração, ou no lugar onde descansam as emoções. Aí é onde dói a sério.

Podes até dizer ao mundo que não dói, que foi só um entalão, coisa pouca,

Mas de ti mesm@ não escondas nada, não te enganes, não finjas que não vês a pele rasgada. Se não, a ferida fica por curar, anda ali naquele impasse, de prestes a infectar, ou, quem sabe, prestes a gangrenar.

Para curares a ferida, tens que olhar para ela e ver exatamente quanto de ti ela dilacerou. Só assim percebes o caminho que tens pela frente.

Depois disso, vêm os próximos passos. Escolhe o teu penso rápido, o desinfectante e o teu cicatrizador. Podes precisar de um analgésico. Mas escolhe-o bem. Doseia-o ainda melhor. Demasiado analgésico mascara a dor.

Escolhe a tua panaceia e aplica-a.

Mas não tenhas pressa. Seja quantos passos precisares dar para superar a tua dor – dá um passo de cada vez. E não saltes nenhum. A seu tempo, deixa de doer, e a ferida cicatriza.

 

© Isa Lisboa

Annonymous pain

There is

An annonymous pain

That one you feel

When a part of you dies

Greater than the pain;

When you are the one

To inflict

The final

Merciful

Stroke.

There are times

The sword must be risen

We know it

Don’t want it

But it has to be done.

That one dead limb

Must be eliminated

The fight

Is for survival

Of the best in you

Of the light

Hidden in the dark.

We face the choice

Of letting go

Cutting loose

Until there’s

Nothing left

But who you were in the beginning

.

.

.

Do you remember who you were in the beginning?

Do you remember

Who you were

Before the pain?

Do you remember what caused the pain?

 

© Isa Lisboa

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Ser mulher

Ser mulher é….

…sorrir e às vezes chorar; é ter glamour e outras vezes até não; sorrir, ser curiosa; criar e ser criativa; lutar e umas vezes ganhar, outras perder; ser traquinas e depois ser séria; ver a vida cheia de cor, exceto quando está a preto e branco; aceitar desafios, mas também parar para descansar.

E, afinal, apenas basta…ser! 😉

Isa Lisboa

Criatividade

Criatividade é atirares-te para o abismo sem saberes se as asas vão crescer na descida. É amar tanto a sensação de voar como a possibilidade da queda. É saber que ambas têm a possibilidade de dar à luz algo novo.

Criatividade é ter medo das alturas, mas subir na mesma. Fazer de conta que o chão está perto e usar a sensação de vertigem para criar a sensação de planar.

Criatividade é estar com os pés assentes no chão e imaginar que eles se tornam raízes. E que nos tornamos árvores, e esticamos os braços para o céu.

Criatividade é sonhar a realidade, esquecer que ela existe e ao mesmo tempo reinventá-la.

Criatividade é atrever-se. Nada é mais arriscado do que sair da norma. Mas nada é mais necessário também.

Agitar as águas, para que se formem rios e mares e lagos. Criar novos oceanos, para descobrir novas terras ao cruzá-los.

Criatividade é uma espécie de dor que alivia, um fogo que refresca. Não se compreende, não tem lógica. Muitas vezes feia, tantas vezes bela.

Criatividade é uma assinatura. É deixar a alma sair e imprimir-se no mundo. Deixá-la correr, cantar, dançar, arrancar as roupas e rebolar na terra, como antes de vir ao mundo.

Criatividade é regressar àquele lugar onde tudo é possível.

Criatividade é regressar a mim.

 

© Isa Lisboa

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Perdi uma pena

 

Naquele dia, ele não sabia que ia ficar mais leve.

Acordou calmamente, como de costume e sacudiu as pequenas gotas de orvalho que caíram por entre as folhas das árvores.

Mas a par das gotinhas, saltou-lhe uma pena. Flutuou por um tempo microscópico e começou a cair em direção ao chão.

Intrigado, deu às asas e desceu atrás dela, até ela aterrar em cima das folhas caídas no chão.

Observou-a atentamente. Era pequena, mas grande ao mesmo tempo. Procurou ao longo do corpo de onde teria saído. Teria um buraco na plumagem? À primeira vista, parecia que não.

Tocou-lhe com o bico e pareceu-lhe macia. As cores pareciam diferentes de quando as limpava. Terminava numa espécie de bico também, provavelmente onde estava antes presa a si.

Enquanto a comtemplava, viu-a levantar-se, puxada por uma brisa mais forte. Movia-se no ar, rodava sobre si mesma, como se fosse agora um corpo próprio.

Ergue-se até perto dela para a observar melhor e a brisa começa a ficar mais forte, puxando-a para mais longe.

Seguiu-a, decidido a não a perder, e continuando a erguer-se. Sentia-se um pouco mais cansado, mas não podia perder a sua pena.

Quando já não conseguia mais, percebeu que tinha voado mais alto que alguma vez se atrevera e o seu pequeno coração apertou-se.

Olhou nervosamente para baixo e teve vontade de descer. Mas tinha ido atrás da sua pena. Olhou à volta e já não a viu em lado nenhum.

Subira demasiado e ainda por cima perdera a sua pena! Mas o que estava ele a pensar? Para que é que se arriscou para tão longe do seu galho? Ainda por cima com menos uma pena!

Olhou à volta à procura de outros pássaros, mas estava sozinho.

Ia começar a descer, mas pelo canto do olho vislumbrou algo fascinante. Olhou à volta e viu. Árvores, árvores e mais árvores. Tantas mais que aquelas que conseguia alcançar do seu galho.

Devia ser disto que ouvia alguns pássaros mais atrevidos a falar.

Devia ser isto a floresta.

 

© Isa Lisboa

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In the Bookshelf – Hábitos Atómicos

“Hábitos Atómicos” foi o último livro que acabei de ler e partilho-o ainda em Janeiro, a jeito de ajuda com as resoluções de novo ano que possam ter feito.

É um livro que dá dicas práticas sobre como criar novos hábitos (saudáveis) e deixar de ter hábitos menos saudáveis.

Parte da ideia base de que “se conseguirmos melhorar 1% todos os dias, durante um ano, chegaremos ao fim 37 vezes melhor”. A partir daqui e de 4 leis, James Clear apresenta-nos o poder dos pequenos hábitos. Para nos ajudar a libertarmo-nos dos maus hábitos, inverte essas mesmas 4 leis, com dicas igualmente úteis.

Para além da sua componente bastante prática, destaco principalmente a ideia que o autor apresenta de que aquilo que fazemos é um reflexo do que julgamos ser. Uma vez que queremos sempre manter a nossa identidade e a nossa auto – imagem, é difícil implementar um hábito que as contrarie.

Por exemplo, é difícil conseguir implementar o hábito de comer mais legumes se nos identificarmos como alguém que só gosta de “junk food”. No entanto, se lembramos que gostamos de ter mais energia, que  gostamos de ter o nosso corpo são, então aí começamos a identificar-nos como uma pessoa saudável, e é mais fácil adaptarmos esse novo hábito.

Por outro lado, imaginemos que deixaste de fumar e, quando te oferecem um cigarro, dizes “Não quero, estou a deixar de fumar.”. Agora, imagina dares a resposta alternativa: “Não quero, não sou fumador@!”. Com cada uma destas frases passamos ao nosso próprio cérebro uma mensagem muito diferente. E a segunda parece envolver muitos menos tentações, o que vos parece?

Assim, fica a ideia fora da caixa (ou nem por isso 😉) de nos questionarmos, de começarmos a descobrir novas facetas de nós mesmos e de começarmos a ter um discurso interno diferente.

E por aí, já leram este livro? Se sim, o que acharam e que dicas implementaram?

Partilhem e boas leituras!

 

© Isa Lisboa

Movimento

Caos e Ordem

Movimento contínuo

Caótico e Ordenado

No turbilhão do meio

Estou eu

Vezes água

Vezes fogo

Algumas sem saber.

Que importa

Tantas vezes

Se a vida pulsa

E o coração se entusiasma.

Tivesse eu nascido

Definida

Certa

Com todos os nomes dados.

Seria rio em vez de mar

Calor em vez de chama.

Pouco seria deste Eu

Que não se contenta

Quer sempre mais

Descobrir mais

Pisar outros sítios

Aprender o novo

Questionar.

Pouco seria de mim

Ainda bem que vos abraço

Caos e Ordem.

Assim sou movimento

Entre um e outro

Vento

De ponta a ponta

Deste meu Mundo.

Viajo

E acalmo.

Apenas para partir de novo!

 

© Isa Lisboa

Isa Lisboa, Escritora e Sonhadora