O Universo é feito de números… mas não só

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Recentemente, fui convidada para falar num evento destinado a alunos da faculdade onde fiz a minha formação na área das matemáticas. Foi-me lançado um desafio com uma componente um pouco intimidante: o de contar a minha história. A minha história como matemática e a minha história como escritora.

Gostei da ideia de poder voltar a um espaço que foi também uma casa durante uma parte da minha vida e, nessa casa, poder falar um pouco sobre mim e sobre o que aprendi aós sair de lá. E, por isso, desafio aceite!

Para além de participar no evento como oradora, assisti também às restantes palestras e revi alguns dos meus professores. Também conheci o grupo de alunos que organizou o evento, saíndo fora da sua habitual zona de conforto das aulas.

Hoje gostaria de partilhar convosco o que vi e senti nos oradores e nas pessoas com quem falei: sempre existiram sonhos, paixões e pessoas que os seguiram. E continuam a existir. Há quem, como eu, partilhe as ciências exactas com áreas mais artísticas, como a música, a fotografia ou os trabalhos manuais. E há quem dedique a sua paixão ao rigor da matemática, da investigação histórica ou da física. Mas em todas as vozes e rostos se sentia entusiasmo pelo tema que estava a ser mostrado.

E, por isso, agradeço a todos com quem me cruzei nesse dia. Obrigada por terem partilhado um pouco das vossas paixões. O Universo é feito de números, mas não só. E é movido por pessoas como vocês.

© Isa Lisboa

 

Matemásia

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Uma experiência em “matematiquês”

 

Matemática não é poesia

Disseram-me outro dia

Discordei. Sem esta dicotomia

Aqui eu não estaria.

 

O poeta pediu-me emoção,

O matemático demonstração.

 

Na caneta peguei

Daquela geometria,

Eu lembrei logo,

Em que um círculo é uma recta;

Digam-me se tal exercício

Não é fora da caixa pensar!

E que dizer das paralelas

Que caminham lado a lado

Até ao sem fim,

Nunca se tocando,

Maior amor impossível

Só o Romeu e a Julieta!

E na onda do romance

Ainda aquela equação

Em que x explica y,

Que um não se acha

Sem se achar o outro.

Mais, que maior mistério

O daquele conto

Em que x termina

Tendendo para mais infinito;

Até podia ser

Para menos infinito

O Mundo que fica apenas

Do outro lado.

 

E somando letras

Subtraindo palavras

Assim se faz a metáfora,

Uma rima que divide os versos

Ou até não:

Se uma simples constante

Marca o ritmo do poema

Quando a variável entra

Talvez até em soneto se transforme.

 

Quem pode afirmar ainda

Que matemática e poesia

Pura antítese são?

Duas faces da minha alma

O contradizem

A Emoção e a Demonstração.

© Isa Lisboa