Falta pouco

Filha de mim

De mim orfã

Não sei onde me encontro

Nem se me perdi

À volta, nada vejo

Nada oiço

Nada sinto.

O meu corpo está fechado

Sobre si mesmo

Enconchando a alma,

Dentro de pedra dura.

Qual ouriço,

Criei espinhos protectores,

Perfuram-me a pele,

Ainda não endureceu.

Falta pouco.

© Isa Lisboa

On the edge

Imagem: pixabay.com

This is me again

On the edge of myself

As if a stranger

Asking for shelter.

The trip is long

It always is

But departure calls

Whenever

A road reaches an end

Even though there is

No sign

Past and future

Merge

But they are alike

And one must go

Without the other.

Moving along

This is me again

On the edge of myself.

© Isa Lisboa

Porque escrevo?

Escrevo

Para que a alma se solte

Das amarras

Que o corpo tem.

Para que os ruídos inventados,

Em silêncio se transformem,

Deixem de ser o grito

O que se impõe

Sobre o silêncio que não entendo

Escrevo

Para que a Vida

Me saia pelos dedos.

© Isa Lisboa

 

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Imagem: pixabay.com

Vulgar ladrão

Chryssalis

Medo.

Vulgar ladrão.

Com um suspiro

Prendes ao chão.

Dizes-te seguro

Mas seguro só tu

Pois patrão te tornas

Um olhar, uma palavra

Dúvida semeada

Vida petrificada.

Suores frios

Coração acelerado

É do que te alimentas.

Não vivem sem ti

Queres fazer crer

Que proteges,

Vulgar mentiroso.

Proteges de viver

E assim, lentamente

Matas!

© Isa Lisboa

Impiedoso Tempo

O Tempo passa

E é impiedoso

Mas para quem

O deixa passar

Apenas.

Não o deixes passar

Passa com ele

Vive-o!

Verás que não passa

Afinal

Só soma!

Tu cobras o Tempo

Mas ele nada te deve

Limitou-se a ser

Medida inexacta

Daquela vida

Que escolheste

Não viver

Que ficou esquecida

Nos planos do Tempo.

No que deixaste

Para amanhã

Para qualquer dia

Para quando der.

Tu deixaste.

E o Tempo passou.

Passou por ti.

Por aquela vida.

Aquela que não viveste.

Ocupad@. Tão ocupad@.

Não há tempo.

Pois não.

Quando deixas passar

O Tempo consome-se

Tu consomes-te.

Febril.

Como aquela Black Friday

Imperdível.

Tens que conseguir a

Melhor pechincha

Fica tão bem

Na sala de estar.

Ganhaste.

Chegaste primeiro.

E o Tempo?

Amanhã.

Amanhã logo se vê.

Ontem não tive Tempo.

Hoje

Não sei que é este lugar

Onde cheguei…

Vim andando

E não sei bem onde é.

Não sei bem

Quem sou

Quanto Tempo se perdeu

Não sei bem

Quanto de mim

Eu não fui.

Tempo.

Ainda há?

 

© Isa Lisboa

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So…About love… (II)

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So…

Love is but a game

So they say

Why should it be?

A move to win

Risking to loose.

Loose your fears

Your ties

That’s all it should be.

Games are

For those who like chances

Love is for those who give a chance.

A chance to freedom

To free one’s heart.

Love cannot be

A boardgame

Trying to get

The strongest piece

Strategy is bound to fail.

Unlike the games of mundane life

Love is a game you win

Only when you are

Willing to loose,

So that you can

Win a new space

In your own heart.

So…

About love…

Just let the games begin…

© Isa Lisboa

(So… about love… (I))

So…About love…

So…

Love is a moment.

That one moment

When everything changes

You realize

There’s a bit of you

Which now lives

In someone else’s.

A moment of pain and bliss.

Blissful pain, perhaps.

Love is the moment

You realize

And the moment

You have no clue.

How to make it right

Is not a question

All is right

Even if it is wrong

All is unsure

But life is an adventure

And love reminds you

To go out and live it.

Love is the moment

Your heart smiles

And hides it’s face

At the same time;

Hope and fear.

Love is so many

Moments;

Love is but a moment,

But a moment can be

Timeless.

So…about love…

Only lovers know…

 

© Isa Lisboa

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As asas de Ícaro

Skipholt (by)

A sombra –

Essa sedutora –

Roubou as asas de Ícaro.

Desamparado

Caiu

Anteveu o embate

Com a terra seca.

Doeram os músculos

Os ossos

E a pele rasgou.

O sol era um sonho

O que lhe deu asas

Foi o mesmo

Que as derreteu

Ilusões a escorrer

A pingar sobre a Terra

Onde o seu corpo

Caiu

Com vida, mas com dor.

Chamem-lhe soberba

Orgulho

O que for

A sombra sussurrou

Ao ouvido de Ícaro

Sobe

Acima do que és

Sobe

Sem olhar

Sobe até mais não.

Corpo caído

Dorido

Ferido

Dor em mais que corpo.

Uma mão passa-lhe

Na fronte

Água fresca

Nos lábios.

A Sombra

Roubou as asas de Ícaro.

Mas o Amor

Devolveu-lhe a vida.

© Isa Lisboa