Humana

Não acredito

Em falsos deuses

Tão-pouco

Em falsos não-deuses.

Difícil que seja

Todavia

Distinguir

Uns de outros

Leigos disfarçados

De sábios

Sábios disfarçados de leigos.

Tantas verdades

Perigosamente dogmas

Ilusões

Que prometem fazer-te

Escapar-lhes…

Humana apenas

Nada mais ofereço.

 

© Isa Lisboa

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Annonymous pain

There is

An annonymous pain

That one you feel

When a part of you dies

Greater than the pain;

When you are the one

To inflict

The final

Merciful

Stroke.

There are times

The sword must be risen

We know it

Don’t want it

But it has to be done.

That one dead limb

Must be eliminated

The fight

Is for survival

Of the best in you

Of the light

Hidden in the dark.

We face the choice

Of letting go

Cutting loose

Until there’s

Nothing left

But who you were in the beginning

.

.

.

Do you remember who you were in the beginning?

Do you remember

Who you were

Before the pain?

Do you remember what caused the pain?

 

© Isa Lisboa

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Movimento

Caos e Ordem

Movimento contínuo

Caótico e Ordenado

No turbilhão do meio

Estou eu

Vezes água

Vezes fogo

Algumas sem saber.

Que importa

Tantas vezes

Se a vida pulsa

E o coração se entusiasma.

Tivesse eu nascido

Definida

Certa

Com todos os nomes dados.

Seria rio em vez de mar

Calor em vez de chama.

Pouco seria deste Eu

Que não se contenta

Quer sempre mais

Descobrir mais

Pisar outros sítios

Aprender o novo

Questionar.

Pouco seria de mim

Ainda bem que vos abraço

Caos e Ordem.

Assim sou movimento

Entre um e outro

Vento

De ponta a ponta

Deste meu Mundo.

Viajo

E acalmo.

Apenas para partir de novo!

 

© Isa Lisboa

Isa Lisboa, Escritora e Sonhadora

Distance

I see distance
From what was
Once pain.
A paved road
Lies behind
Each square
Marking a story.
I see distance
From who
I once were
And yet
I am now
So much closer
To her
The lost girl.
These walls
Are now
Truly a home
My skin
Is now
My own.
I see distance
From all of that
Which created the scars
I see beauty
In each of them
The skin needed
To be cut
And the blood
Needed to be drained.
I see distance
From that time
When the scars
Have slowly disappeared.
I see distance
But I know
That time is there
Waiting for me
In the distance
That I see.

© Isa Lisboa

Sometimes

Sometimes
I seem to forget
For a brief moment
I seem to forget
The different layers
Of evil in the world.
For a brief moment
I am reminded
That good people
Can do bad things
That fear
Can darken a heart.
Sometimes
My heart feels darkened
Too.
Seeing that humans forget
Forget that being human
Is being unique
But part of a greater thing.
Humans can be cruel
Even not knowing it
Humans can bring sadness
To hide their own.
Maybe the hardest evil
To fight
Is that one
No one sees
Blended in with normality
Hurting another soul
Because they do not know.
Sometimes
I seem to forget
That people forget.

© Isa Lisboa

Poesia

Poesia
(Des)construtora de almas
Estás nos imortais versos
De folhas amareladas
E nas novas páginas
Sem papel, digitais.
Rimas
Mas também não rimas
Como eu.
Refugias-te em letras
Músicas
Símbolos visíveis.
Mas escondes-te à vista,
No vento que passa
Na flor que abre
Na água que corre
Sem rumo.
Como a minha caneta
A experimentar
Rabisco
Deixo sair, os dedos vão
Andando, escorregando
Por entre palavras
Sem sentido.
Tento juntá-las. Dispersas
Algumas
Quem disse
Que precisa ter sentido?
Se para o poeta tem,
Deve vir de algum
Pedaço d’alma.
O artista cria
Nem ele sabe o quê
Por vezes.
Só sabe que aquele mármore,
Pedaço de barro,
Tela em branco,
Quer ser outra coisa.
Assim é o poeta
A tinta desliza no papel
E algo surge
A que chamamos Poema.

© Isa Lisboa

21 Março, Dia Mundial da Poesia

Falta pouco

Filha de mim

De mim orfã

Não sei onde me encontro

Nem se me perdi

À volta, nada vejo

Nada oiço

Nada sinto.

O meu corpo está fechado

Sobre si mesmo

Enconchando a alma,

Dentro de pedra dura.

Qual ouriço,

Criei espinhos protectores,

Perfuram-me a pele,

Ainda não endureceu.

Falta pouco.

© Isa Lisboa

On the edge

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This is me again

On the edge of myself

As if a stranger

Asking for shelter.

The trip is long

It always is

But departure calls

Whenever

A road reaches an end

Even though there is

No sign

Past and future

Merge

But they are alike

And one must go

Without the other.

Moving along

This is me again

On the edge of myself.

© Isa Lisboa