Sometimes

Sometimes
I seem to forget
For a brief moment
I seem to forget
The different layers
Of evil in the world.
For a brief moment
I am reminded
That good people
Can do bad things
That fear
Can darken a heart.
Sometimes
My heart feels darkened
Too.
Seeing that humans forget
Forget that being human
Is being unique
But part of a greater thing.
Humans can be cruel
Even not knowing it
Humans can bring sadness
To hide their own.
Maybe the hardest evil
To fight
Is that one
No one sees
Blended in with normality
Hurting another soul
Because they do not know.
Sometimes
I seem to forget
That people forget.

© Isa Lisboa

Poesia

Poesia
(Des)construtora de almas
Estás nos imortais versos
De folhas amareladas
E nas novas páginas
Sem papel, digitais.
Rimas
Mas também não rimas
Como eu.
Refugias-te em letras
Músicas
Símbolos visíveis.
Mas escondes-te à vista,
No vento que passa
Na flor que abre
Na água que corre
Sem rumo.
Como a minha caneta
A experimentar
Rabisco
Deixo sair, os dedos vão
Andando, escorregando
Por entre palavras
Sem sentido.
Tento juntá-las. Dispersas
Algumas
Quem disse
Que precisa ter sentido?
Se para o poeta tem,
Deve vir de algum
Pedaço d’alma.
O artista cria
Nem ele sabe o quê
Por vezes.
Só sabe que aquele mármore,
Pedaço de barro,
Tela em branco,
Quer ser outra coisa.
Assim é o poeta
A tinta desliza no papel
E algo surge
A que chamamos Poema.

© Isa Lisboa

21 Março, Dia Mundial da Poesia

Falta pouco

Filha de mim

De mim orfã

Não sei onde me encontro

Nem se me perdi

À volta, nada vejo

Nada oiço

Nada sinto.

O meu corpo está fechado

Sobre si mesmo

Enconchando a alma,

Dentro de pedra dura.

Qual ouriço,

Criei espinhos protectores,

Perfuram-me a pele,

Ainda não endureceu.

Falta pouco.

© Isa Lisboa

On the edge

Imagem: pixabay.com

This is me again

On the edge of myself

As if a stranger

Asking for shelter.

The trip is long

It always is

But departure calls

Whenever

A road reaches an end

Even though there is

No sign

Past and future

Merge

But they are alike

And one must go

Without the other.

Moving along

This is me again

On the edge of myself.

© Isa Lisboa

Porque escrevo?

Escrevo

Para que a alma se solte

Das amarras

Que o corpo tem.

Para que os ruídos inventados,

Em silêncio se transformem,

Deixem de ser o grito

O que se impõe

Sobre o silêncio que não entendo

Escrevo

Para que a Vida

Me saia pelos dedos.

© Isa Lisboa

 

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Imagem: pixabay.com

Vulgar ladrão

Chryssalis

Medo.

Vulgar ladrão.

Com um suspiro

Prendes ao chão.

Dizes-te seguro

Mas seguro só tu

Pois patrão te tornas

Um olhar, uma palavra

Dúvida semeada

Vida petrificada.

Suores frios

Coração acelerado

É do que te alimentas.

Não vivem sem ti

Queres fazer crer

Que proteges,

Vulgar mentiroso.

Proteges de viver

E assim, lentamente

Matas!

© Isa Lisboa

Impiedoso Tempo

O Tempo passa

E é impiedoso

Mas para quem

O deixa passar

Apenas.

Não o deixes passar

Passa com ele

Vive-o!

Verás que não passa

Afinal

Só soma!

Tu cobras o Tempo

Mas ele nada te deve

Limitou-se a ser

Medida inexacta

Daquela vida

Que escolheste

Não viver

Que ficou esquecida

Nos planos do Tempo.

No que deixaste

Para amanhã

Para qualquer dia

Para quando der.

Tu deixaste.

E o Tempo passou.

Passou por ti.

Por aquela vida.

Aquela que não viveste.

Ocupad@. Tão ocupad@.

Não há tempo.

Pois não.

Quando deixas passar

O Tempo consome-se

Tu consomes-te.

Febril.

Como aquela Black Friday

Imperdível.

Tens que conseguir a

Melhor pechincha

Fica tão bem

Na sala de estar.

Ganhaste.

Chegaste primeiro.

E o Tempo?

Amanhã.

Amanhã logo se vê.

Ontem não tive Tempo.

Hoje

Não sei que é este lugar

Onde cheguei…

Vim andando

E não sei bem onde é.

Não sei bem

Quem sou

Quanto Tempo se perdeu

Não sei bem

Quanto de mim

Eu não fui.

Tempo.

Ainda há?

 

© Isa Lisboa

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So…About love… (II)

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So…

Love is but a game

So they say

Why should it be?

A move to win

Risking to loose.

Loose your fears

Your ties

That’s all it should be.

Games are

For those who like chances

Love is for those who give a chance.

A chance to freedom

To free one’s heart.

Love cannot be

A boardgame

Trying to get

The strongest piece

Strategy is bound to fail.

Unlike the games of mundane life

Love is a game you win

Only when you are

Willing to loose,

So that you can

Win a new space

In your own heart.

So…

About love…

Just let the games begin…

© Isa Lisboa

(So… about love… (I))