Dia Mundial do Livro

Hoje é dia mundial do livro e, por isso, partilho convosco o resultado de um desafio que me foi proposto: escrever um pequeno texto sobre livros. 

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Como leitora ávida desde que me conheço, o tema “LIVRO” é um tema que me é muito grato. Não saberia precisar quantos livros já li e muito menos quantos livros ainda espero ler. Só sei dizer que espero ler muitos. Muitos mais para além dos que esperam a sua vez na minha estante.

Gosto de vários estilos de escrita e, talvez por isso, os livros que li têm ocupado vários papéis na minha vida. Alguns foram uma distracção, palavras que discorreram num momento de relaxamento. Outros foram companheiros, por contarem histórias que em alguns momentos se cruzaram com histórias minhas; por mostrarem personagens que parecem compreender-me, nas suas reflexões impressas. Alguns ofereceram-me viagens, a lugares e a vidas, distantes, mas muito enriquecedoras.

E, finalmente, tive a sorte de me cruzar com alguns livros que foram mestres silenciosos e pacientes. Livros que foram lidos mais devagar, e que revisito de vez em quando, procurando aquele excerto que preciso reler.

Há dias, uma pessoa disse-me algo muito bonito sobre livros e que vou tomar a liberdade de citar: “Por vezes, as pessoas precisam de ajuda e não conseguem pedi-la, e então conseguem encontrar a ajuda de que precisam num livro.” Concordo com esta frase. Por vezes, precisamos de alguém que nos oiça. E um livro, apesar de não parecer, pode ouvir-nos. Quando as palavras que tem vão de encontro ao que sentimos. E quando nos devolve algo que precisávamos ouvir ou nos ajuda a encontrar uma resposta de que precisávamos.

Talvez esta seja uma das grandes razões pelas quais “colecciono” livros e leituras. Pelo que aprendo com eles e pelo que ganho em cada leitura.

Alguns livros têm impressa a palavra “Fim” na última página, mas, para mim, a leitura é algo que nunca terá fim. Quando um livro se fecha na contracapa, outro espera para ser aberto.
 
© Isa Lisboa

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O Universo é feito de números… mas não só

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Recentemente, fui convidada para falar num evento destinado a alunos da faculdade onde fiz a minha formação na área das matemáticas. Foi-me lançado um desafio com uma componente um pouco intimidante: o de contar a minha história. A minha história como matemática e a minha história como escritora.

Gostei da ideia de poder voltar a um espaço que foi também uma casa durante uma parte da minha vida e, nessa casa, poder falar um pouco sobre mim e sobre o que aprendi aós sair de lá. E, por isso, desafio aceite!

Para além de participar no evento como oradora, assisti também às restantes palestras e revi alguns dos meus professores. Também conheci o grupo de alunos que organizou o evento, saíndo fora da sua habitual zona de conforto das aulas.

Hoje gostaria de partilhar convosco o que vi e senti nos oradores e nas pessoas com quem falei: sempre existiram sonhos, paixões e pessoas que os seguiram. E continuam a existir. Há quem, como eu, partilhe as ciências exactas com áreas mais artísticas, como a música, a fotografia ou os trabalhos manuais. E há quem dedique a sua paixão ao rigor da matemática, da investigação histórica ou da física. Mas em todas as vozes e rostos se sentia entusiasmo pelo tema que estava a ser mostrado.

E, por isso, agradeço a todos com quem me cruzei nesse dia. Obrigada por terem partilhado um pouco das vossas paixões. O Universo é feito de números, mas não só. E é movido por pessoas como vocês.

© Isa Lisboa

 

Matemásia

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Uma experiência em “matematiquês”

 

Matemática não é poesia

Disseram-me outro dia

Discordei. Sem esta dicotomia

Aqui eu não estaria.

 

O poeta pediu-me emoção,

O matemático demonstração.

 

Na caneta peguei

Daquela geometria,

Eu lembrei logo,

Em que um círculo é uma recta;

Digam-me se tal exercício

Não é fora da caixa pensar!

E que dizer das paralelas

Que caminham lado a lado

Até ao sem fim,

Nunca se tocando,

Maior amor impossível

Só o Romeu e a Julieta!

E na onda do romance

Ainda aquela equação

Em que x explica y,

Que um não se acha

Sem se achar o outro.

Mais, que maior mistério

O daquele conto

Em que x termina

Tendendo para mais infinito;

Até podia ser

Para menos infinito

O Mundo que fica apenas

Do outro lado.

 

E somando letras

Subtraindo palavras

Assim se faz a metáfora,

Uma rima que divide os versos

Ou até não:

Se uma simples constante

Marca o ritmo do poema

Quando a variável entra

Talvez até em soneto se transforme.

 

Quem pode afirmar ainda

Que matemática e poesia

Pura antítese são?

Duas faces da minha alma

O contradizem

A Emoção e a Demonstração.

© Isa Lisboa

Entrevista ao novo espaço cultural Caravela Artística

No passado dia 22, nasceu um novo projecto cultural, a Caravela Artística! No link abaixo, poderão ler a entrevista que dei, e que vos convido a ler, bem como a visitar o site e ler as outras duas primeiras entrevistas, bem como o restante conteúdo! 🙂

http://www.caravelaartistica.com/2016/09/entrevista-escritora-isa-lisboa-invernos-sonhos-andorinhas.html

A amiga Grazi Calazans partilha também a resenha que escreveu sobre o meu primeiro livro, Invernos, Sonhos e Andorinhas:

http://www.caravelaartistica.com/2016/09/invernos-sonhos-e-andorinhas-de-isa-lisboa.html

Muito obrigada pela oportunidade de ter esta conversa, aqui, na Caravela Artística!

Bons ventos para esta Caravela e todas as suas navegações!

 

 

 

 

Rodo a chave…

… devagar, apreciando o momento. Quando ela alivia a resistência, rodo-a de uma vez e entro, um pé a seguir ao outro, de peito aberto ao sol que entra pelas janelas e à brisa fresca que espalha boas energias à volta.

Olhando mais à frente, vejo como a vida flui lá fora, se renova e se reinventa ao sabor das estações, ao sabor do fio invisível que as conduz.

Se este espaço fosse uma casa, seria assim, gosto de pensar; sinto que sim.

Sentada no meio da sala, então viajo até 5 anos atrás. Quando nasceu o Instantâneos a preto e branco. Depois o Dias em que olho o mundo. Tantas descobertas em formas de palavras, tanto que os dois espaços me deram.

Recordo tudo com um sorriso, sei que aqueles eram os lugares das palvras de então.

As de agora pertencem aqui. A casa está quase vazia ainda. Pronta para receber e guardar os meus novos passos. Aqueles que dou na descoberta do (Eu)nigma que sou.

Num dos contos do meu primeiro livro, imaginei uma Menina de Plasticina que, um dia, se atreve a fazer uma pergunta aparentemente simples. Mas uma pergunta que acaba por se revelar enorme. E de tão grande que é, é a pergunta que todos devemos fazer, pois a resposta será o que mais nos preencherá e insuflará de vida.

A grande pergunta que se coloca é “Quem sou eu?” É uma pergunta à qual venho respondendo todos os dias, pois a cada dia que passa me completo e me reencontro de novo. Talvez na verdade sejamos todos um (Eu)nigma toda a vida. Ou talvez, antes, já tenhamos desvendado o mistério há muito, muito tempo. E apenas precisemos de lembrar.

Esta casa é apenas uma parte da minha busca e das minhas descobertas.

Querem conversar comigo? Entrem e sentem-se.

 © Isa Lisboa

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Fonte imagem: www.pixabay.com