Solitude

Solitude

Palavra estranha

A alguns desconhecida

É aqui junto ao mar

Que melhor a saboreio

Deixo-a pousar

Na palma da minha mão

O vento levanta-a

E ela rodeia-me

No abraço de quem

Me conhece

Descansa em mim

E eu descanso nela

Como duas velhas amigas

A ouvir o mar.

© Isa Lisboa

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Publicado originalmente no blog Tubo de Ensaio:

http://tubodeensaio-laboratorio.blogspot.pt/2015/01/solitude.html

Safira

 

Kawica Singson, Lava and water on camera

Foto: Kawica Singson

Lúcio observa a estranha mulher que, descalça e de calças arregaçadas se aproxima da água. Estava ali parada, apenas parada. Parece enterrar os pés na areia molhada, um de cada vez.

Antes de descer, percorreu o rochedo que ali se ergue, parando de tempos a tempos e também ali permanecendo imóvel por uns tempos. Parecia procurar alguma coisa, mas nada havia ali para achar. À frente, só o mar e, ocasionalmente, um pequeno barco à vela.

Move-se, segue em frente. Acaba por voltar atrás, talvez surpreendida pela onda mais forte que agora veio. Imóvel, continua imóvel, apenas olhando agora para a água, em baixo.

 

Safira olha a água do mar a ir e vir e a forma como os grãos de areia deslizam lentamente ao seu sabor. Nunca antes tinha reparado: parecem grãos de ouro a desfazerem-se e refazerem-se na água.

 

© Isa Lisboa

Publicado originalmente no blog Tubo de Ensaio