Onde está este Pessoa

Sou fã de Fernando Pessoa e tenho aqui em casa esta versão desse grande poeta.

Ele está na minha estante, a acompanhar alguns dos livros que já partilhei convosco.

Querem conhecer alguns desses livros? Vão passando por cá, e podem ir conhecendo a minha estante 😉

Este Fernando Pessoa foi executado pela @kukla.pt. Passem pela página e vejam os fantásticos trabalhos que têm lá!

Isa Lisboa

Mute

“You’re on mute”

Quote of the year 2020

Encontrei há dias esta piada no Linkedyn. Eu que trabalho na área de serviços e que, por isso, passei uma boa parte do ano em teletrabalho e a contactar com os colegas via vídeo – chamada, posso identificar-me. Disse esta frase várias vezes e eu própria já fui avisada de que estava a falar comigo própria, visto ter o microfone desligado.

Para lá da piada, pus-me a pensar quantas vezes não estaremos no mute, sem saber. E não falo de vídeo chamadas.

Quantas vezes não falamos sem sermos ouvidos e não nos apercebemos?

Reformulo: quantas vezes não falamos sem sermos escutados e não nos apercebemos?

Quantas vezes, imersos na nossa vontade de partilhar o nosso ponto de vista, não estaremos apenas a falar? A ser ouvidos, mas não escutados? Falamos, sem nos apercebermos de que perdemos a atenção de quem nos ouve?

Quantas vezes falamos sozinhos, sem que ninguém nos avise de que estamos no mute?

 

© Isa Lisboa

Imagem: pixabay.com

Walks

Foto by Isa Lisboa

Nestes dias atípicos, fazer uma caminhada tem sido uma excelente forma de desentorpecer as permas e de manter a mente calma. Porque uma caminhada também pode funcionar como um exercício de meditação.

Também tem sido uma descoberta de pormenores e cores muitos bonitas, como este, e outros que tenho partilhado no meu Instagram (isa_lisboa_escritora).

E vocês, têm o hábito de fazer uma caminhada?

Isa

On the edge

Imagem: pixabay.com

This is me again

On the edge of myself

As if a stranger

Asking for shelter.

The trip is long

It always is

But departure calls

Whenever

A road reaches an end

Even though there is

No sign

Past and future

Merge

But they are alike

And one must go

Without the other.

Moving along

This is me again

On the edge of myself.

© Isa Lisboa

Sempre escrevi em cadernos…

Sempre escrevi em cadernos… Gosto de abrir o caderno numa nova folha em branco, do toque das folhas nos dedos e do deslizar da caneta pelo papel.

Releio os cadernos antigos, e ao ver o enrrolar mais ou menos agitado da caligrafia, recordo ainda mais intensamente as emoções que me levaram a escrever aquele texto. Releio, como se folheasse um álbum de memórias.

Gosto de ter esses velhos amigos, guardados, à espera de quando preciso falar com eles de novo .

Sempre escrevi em cadernos. Mas hoje, agora, não escrevi…! 😉

Ciclos, bruxas e antepassados

Nesta altura do ano, assinalam-se várias festividades ou efemérides. O Halloween, o Samhain, Lo Dia de Los Muertos e o Dia dos Fiéis Defuntos.
São comuns a todos eles, de alguma forma, o fim de um ciclo. No Samhain marcava-se o fim do Verão e o início do Inverno, na cultura celta. No Dia de Los Muertos e no Dia dos Fiéis Defuntos, honram-se os antepassados, recordam-se os mortos, lembrando a brevidade desse ciclo maior que é a vida. O Halloween evoca o lado escuro, por vezes até terrorífico da vida, e trá-lo à luz do mundo, lembrando que precisamos de nos libertar das trevas para poder ver a luz.
Há quem defenda que estas tradições estão entrelaçadas e que têm origem no festival celta. Há quem celebre um e discorde da celebração dos outros.
Pessoalmente, gosto desse entrelaçar de ideias que estas celebrações me sugerem.
Agrada-me a ideia de que a linha entre este mundo e o sub-mundo se desvanece, por um momento. Que por um momento pomos cá para fora o lado vampiresco, o lado bruxa com verruga, o lado monstro desconhecido. Que o pomos cá para fora, não para o adorar. Mas para o reconhecer e deixar de o recear. Não para o deixar à solta, mas para escolher antes a melhor parte de nós.
Agrada-me essa celebração do fim de um ciclo. Mesmo que o Verão tenha sido difícil e que não saibamos bem como será o Inverno, a verdade é que o Verão acabou, e não vale a pena ficarmos agarrados a ele. Assim é também na vida. Adeus, Verão; bem vindo, Inverno.
É tempo de celebrar o que vem na frente e o passado, o passado é tempo de honrá-lo. Honrá-lo como aos nossos antepassados, que preparam o caminho para o mundo que habitamos hoje. Honrar a sabedoria que nos passaram, ao longo das gerações. Mas também honrar a sabedoria em nós. Aquela que acumulámos em todas as estações que já vivemos. E saber que ela nos acompanha nas que aí vêm.
Adeus, Verão. Bem vindo, Inverno.

© Isa Lisboa

Peças do (Eu)Nigma #1 – O Fit

Há uns tempos atrás, li uma frase que ficou meio impressa na minha memória. Dizia algo como “agora que chegaste aos 40, podes achar que já sabes tudo sobre ti mesma, mas ainda tens muito a descobrir!”
A frase foi recebida por mim como uma espécie de aviso.
Se era verdade que achava que ainda tinha coisas a aprender sobre mim mesma, também era verdade que, naquele momento, não estava à espera de encontrar grandes surpresas.
Mas, por alguma razão, surpresas eram o que aquela frase me prometia, naquele momento.
E cumpriu a sua promessa.
No último ano e meio da minha década de 40, tenho vindo a descobrir novas peças do (Eu)Nigma.
Uma delas comecei a descobri-la no início do ano e fui-a investigando melhor durante a quarentena. Vou chamar-lhe o (Eu)Fit.
Há cerca de um ano decidi perder os 15kg que se tinham instalado nos três anos anteriores. Começava a sentir os efeitos do excesso de peso no meu estado físico em geral, desde sentir-me mais cansada, até sentir pequenos sinais ao nível dos músculos.
Identifiquei duas medidas para começar a caminhada para os menos 15. Uma delas foi, literalmente, começar a fazer algumas caminhadas. A outra foi reduzir a quantidade no prato e cortar as refeições pouco saudáveis que lá iam acontecendo com mais frequência que o habitual.
Cheguei aos menos 4.
Mas como o corpo não continuava a responder da mesma forma, decidi intensificar os treinos, além da hidroginástica, que fazia duas vezes por semana.
Após um mês desta experiência começar, eis que fico quarentenada.
Aqui começam as surpresas. Além de nunca ter sido fã de treino, também acreditava não conseguir treinar em casa.
Mas assim como durante o dia transformava a minha sala num escritório, ao final do dia transformava-a num ginásio. Três vezes por semana. Com a orientação de um personal trainer, também a minha despensa se transformou numa fonte de objetos de treino. Pacotes de arroz e de leite, garrafas de água, também se transfiguravam em cargas, quando o ginásio caseiro estava aberto.
Com o levantamento da quarentena, os treinos evoluíram e também as caminhadas evoluíram. Um dia decidi tentar correr. Consegui fazê-lo durante um minuto e meio. Mas claro que não quis ficar por aí. Fui tentando aumentar o tempo progressivamente e, neste momento, o meu recorde é de quase 53m!
E a tal caminhada inicial está nos menos 14. A adicionar uma melhoria a nível de resistência, de energia e da satisfação de conseguir completar treinos que há 9 meses não teria imaginado fazer.
E porque estou a partilhar isto contigo? Para te pedir que tentes. Talvez não saibas se és capaz. Mas tenta. Só assim saberás. E também não te agarres à ideia de que não consegues. Podes surpreender-te, como eu. Podes descobrir que também tens um Eu Fit aí dentro de ti e não sabes.
Tenta. Uma caminhada de alguns passos pode transformar-se numa corrida.

© Isa Lisboa

À conversa no Et Cetera

Estive à conversa com o Luciano Gouveia no Et Cetera, um podcast que convida escritores a falar sobre o seu processo criativo.

Falámos sobre o meu livro Invernos, Sonhos e Andorinhas e sobre aquilo que me inspirou para escrever estes contos, e também sobre o que inspira as minhas palavras, em geral. Tive ainda a oportunidade de aprender algo novo sobre mim mesma.

Vejam no Youtube ou ouçam no Spotify e digam-me o que acharam:

Youtube:

Spotify:

Visitem também os espaços do Luciano:

https://linktr.ee/Gouvea_luciano