Bookshelf – O Princípezinho

Por estes dias, no Facebook, surgiu um desafio literário ao qual eu respondi. Assim, durante 7 dias postei a capa de um livro de que gostei ou que me marcou, sem dar qualquer explicação.

Porque sou apaixonada por livros desde que me lembro, a única dificuldade que tive foi  mesmo de escolher APENAS 7 livros para partilhar. 

Mas tendo conseguido fazer essa escolha, tive vontade de partilhar aqui no blog (pelo  menos) esses 7 títulos e desta vez acompanhando-os de uma pequena explicação.

O livro que escolhi partilhar hoje foi “O Princípezinho” de Antoine Saint Exupery. Este foi um dos primeiros livros que li em criança. 

Embora em criança eu não o tivesse entendido totalmente, este livro é um livro cheio de lições de vida, não só para crianças, mas também (e talvez principalmente), para os adultos.

O exemplar na foto foi-me oferecido há uns anos por uma amiga, que sabia do meu fascínio por esta pequena história. E já o li e reli várias vezes, porque é uma história que nunca me canso de recordar. O livro é pequeno em dimensão, mas está cheio de pensamentos e frases inspiradoras. 

Embora também me custe escolher apenas uma dessas frases, acabei por escolher esta, para partilhar convosco:

“Porque todas as pessoas crescidas já foram crianças. (Há é poucas que se lembrem).”  … Antoine Saint-Exupéry …

E por aí? Quem já leu o Princípezinho? 

E quem se lembra de que já foi criança? 😉

Contem-me! 🙂

© Isa Lisboa

O Principezinho

Anúncios

Observando formigas

ants-1730011__340
Imagem: http://www.pixabay.com

Vi duas formigas na parede da minha cozinha. Uma subia e outra descia. Exactamente na mesma linha recta. A meio do percurso encontraram-se frente a frente. Pararam brevemente, talvez nem por um segundo.

Quase automaticamente, uma desviou-se ligeiramente para a esquerda e a outra ligeiramente para a direita.

E seguiram o seu caminho.

Estas duas formigas fizeram-me pensar nos humanos.

Quantos estariam dispostos a mudar ligeiramente a sua rota? E quantos insistiriam, frente a frente, que aquela estrada era sua, sem se moverem um milímetro? Parados, cada vez mais longe do seu destino?

Como seres humanos, temos esta dificuldade em ajustar a rota. Mas tal como na história dos dois barcos, por vezes a vida prova-nos que essa insistência é na realidade, obstinação, e que não estamos a querer ver todos os aspectos do que nos rodeia.

O obstácuilo à frente pode na verdade não ser um obstáculo. Pode estar lá apenas para iluminar melhor a rota e nos ajudar a ver que o caminho em que nos movemos não é na realidade o caminho. Não é o nosso caminho.

E, nesse momento, precisamos parar na nossa corrida para o nosso destino e ajustar a rota.

Precisamos parar para chegar mais depressa.

© Isa Lisboa

O grande navio de guerra

Deixo-vos hoje uma pequena história, que podem encontrar em locais da internet, e sobre a qual vos convido a reflectir!

«Durante uma noite escura e nublada, um grande navio de guerra navegava nas águas do mar. O marinheiro observou um feixe de luz que vinha em direção ao poderoso navio. Percebendo que os dois iriam chocar, caso um deles não mudasse sua rota, o marinheiro avisou o seu capitão sobre a perigosa situação.

O capitão do grande navio confirmou que a colisão era certa e mandou a seguinte mensagem para o navio que estava à sua frente: “Altere o seu curso 10 graus à sua esquerda.”.

Logo depois chegou a resposta: “Você vire à sua esquerda por 10 graus.”.

Isso deixou o capitão bastante irritado e, apesar de os dois navios estar cada vez mais próximos, ele mandou outra mensagem: “Eu sou Almirante! Vire 10 graus à sua esquerda.”.

Uma nova resposta chegou quase que imediatamente: “Eu sou um simples marinheiro. Vire 10 graus à sua esquerda!”.

Aquela resposta foi demais. Completamente indignado, o capitão resolveu mandar a sua última ordem com uma ameaça: “Eu sou um navio de guerra de 200.000 toneladas. Vire 10 graus à sua esquerda ou eu vou passar por cima de si!”.

A resposta chegou de imediato: “Eu sou um farol. Vire 10 graus à sua esquerda!”.»

Num redemoinho de ondas

Um dia, quase me afoguei.

Estava na água com uma amiga e, sem que nos apercebêssemos, as ondas em redemoinho foram-nos empurrando para longe da costa e de onde tínhamos pé.

Quando me apercebi disso e visto que as ondas eram fortes, o meu primeiro pensamento foi nadar para a margem. Apesar de as ondas estarem fortes, eu sabia que o conseguia fazer.

Mas a minha amiga não sabia nadar e, por isso, a primeira reacção dela foi bem diferente. Com medo das ondas e não sabendo nadar, agarrou-se às minhas mãos, pedindo-me que não a largasse.

Eu nunca tinha tentado tirar da água uma pessoa que não soubesse nadar. Mas tive a forte certeza de que daquela forma não o conseguiria fazer. Porque tinha, literalmente, as mãos amarradas e precisava dos braços para nadar.

Creio que por uns segundos, tudo parou à minha volta. Percebi que assim nenhuma de nós duas sairia daquele redemoinho.

Então simplesmente disse-lhe isso e disse que ela tinha que largar as minhas mãos e agarrar-se aos meus ombros, sem fazer força. E que dessa forma, eu conseguiria nadar e levar-nos às duas para a margem.

E foi mesmo assim que ambas conseguimos voltar.

Entretanto uma outra amiga já se tinha apercebido do que se passava e tinha ido chamar o nadador-salvador. Portanto, de alguma forma, o perigo não era tão grande assim, ou, pelo menos, tínhamos mais uma hipótese de ajuda.

Lembrei-me desta história porque um dos ensinamentos que posso tirar dela é o de que, se nós deixarmos, o medo de outra pessoa pode paralisar-nos e afogar-nos.

Neste caso, era um medo perfeitamente justificado, visto que ela não sabia nadar.

Mas também era um medo que nos poderia ter levado a não lutar contra as ondas. Agarrar-se às minhas mãos era algo, que, para ela, naquele momento, fazia sentido; e era isso que estava a mantê-la salva. Mas também era isso que poderia ter-nos impedido de sair dali.

E uma parte de mim, ouvindo o apelo aflito de “Não me largues!”, uma parte de mim achava “Não posso largar!”.

Também na vida isso nos acontece: Temos medo do medo de outra pessoa. Sabemos que temos que agir de outra forma, mas temos medo. Medo que o medo da outra pessoa esteja certo. Medo de lhe falharmos.

Mas se esse medo nos faz ficar parados num redemoinho de ondas, em vez de nada com força para um lugar seguro… Será esse medo útil…?

© Isa Lisboa

underwater-1150045__340
Imagem: http://www.pixabay.com

Os meus cabelos brancos

images (4)
Imagem: Google

Sonhei que, de repente, ficava com os meus cabelos todos brancos. Brancos não, cinza. Cinza como os da minha avó. E bonitos como os dela.

De repente, olhei-me ao espelho, na rua, numa montra, e tinha os cabelos brancos.

De repente, até as feições pareciam diferentes. Mas não me demorei nos traços, porque a minha atenção ficou presa no olhar e na serenidade que vinha de dentro.

Acordei e pensei: “será que vou ser assim?”

Essa serenidade, que consigo encontrar, que fica algum tempo, mas não sempre!

Ela demora-se cada vez mais, fica, senta-se, falamos, ou ficamos apenas em silêncio. E sorri, sobretudo sorri.

A mulher dos cabelos brancos também sorria. Mas não era um sorriso que se via ao espelho, era um sorriso de dentro. Um sorriso que se sabia, sabes?

Eu sei. Às vezes sei. Nem sempre. Às vezes também choro. Mas já sei sorrir aquele sorriso.

Apetece-me passar as mãos por aquele cabelo, fazer um afago no rosto daquela mulher.

Mas é ela que me afaga a mim. É ela que me encoraja, não desistas, tu sabes. E eu sei.

Eu sei que um dia vou ter cabelos cinza, olhar-me no espelho e sorrir. Com um sorriso que vem de dentro.

Sabes?

© Isa Lisboa

Post Scriptum:

Bem vindo, Setembro!

hello-september-with-stones-composition