Dia Mundial do Livro

Hoje é dia mundial do livro e, por isso, partilho convosco o resultado de um desafio que me foi proposto: escrever um pequeno texto sobre livros. 

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Como leitora ávida desde que me conheço, o tema “LIVRO” é um tema que me é muito grato. Não saberia precisar quantos livros já li e muito menos quantos livros ainda espero ler. Só sei dizer que espero ler muitos. Muitos mais para além dos que esperam a sua vez na minha estante.

Gosto de vários estilos de escrita e, talvez por isso, os livros que li têm ocupado vários papéis na minha vida. Alguns foram uma distracção, palavras que discorreram num momento de relaxamento. Outros foram companheiros, por contarem histórias que em alguns momentos se cruzaram com histórias minhas; por mostrarem personagens que parecem compreender-me, nas suas reflexões impressas. Alguns ofereceram-me viagens, a lugares e a vidas, distantes, mas muito enriquecedoras.

E, finalmente, tive a sorte de me cruzar com alguns livros que foram mestres silenciosos e pacientes. Livros que foram lidos mais devagar, e que revisito de vez em quando, procurando aquele excerto que preciso reler.

Há dias, uma pessoa disse-me algo muito bonito sobre livros e que vou tomar a liberdade de citar: “Por vezes, as pessoas precisam de ajuda e não conseguem pedi-la, e então conseguem encontrar a ajuda de que precisam num livro.” Concordo com esta frase. Por vezes, precisamos de alguém que nos oiça. E um livro, apesar de não parecer, pode ouvir-nos. Quando as palavras que tem vão de encontro ao que sentimos. E quando nos devolve algo que precisávamos ouvir ou nos ajuda a encontrar uma resposta de que precisávamos.

Talvez esta seja uma das grandes razões pelas quais “colecciono” livros e leituras. Pelo que aprendo com eles e pelo que ganho em cada leitura.

Alguns livros têm impressa a palavra “Fim” na última página, mas, para mim, a leitura é algo que nunca terá fim. Quando um livro se fecha na contracapa, outro espera para ser aberto.
 
© Isa Lisboa

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Luz e escuridão

Há quem só veja sombras, mais ou menos difusas. E há quem só veja luzes. Pelo menos assim parece.

Não acredito na tese sem a antítese, o que, trocado por miúdos, quer dizer que não acredito que a visa sempre nos sorria. Que tudo sempre corra bem. Que só exista Luz.

A Escuridão também existe. E pode ser tão poderosa quanto a Luz.

Mas como pode a Escuridão ser combatida com Escuridão? O que mais pode combatê-la senão a Luz?

E é nos dias em que a Escuridão nos visita que mais devemos procurar a Luz. E que mais nos devemos socorrer da Luz que temos dentro de nós.

© Isa Lisboa

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Imagem: Tumblr

Nunca será fácil

Nunca será fácil”

Vi, há algum tempo, um filme sobre a vida de Maria, a mãe de Jesus. Para além da perspectiva bíblica e religiosa, este filme apresentava uma visão de Maria que muito me fascina e faz reflectir. A visão de Maria filha, mulher, esposa e mãe. Em suma, Maria, a humana.

Maria foi alguém como nós. Uma mulher, que cresceu numa comunidade, que criou expectativas e sobre quem foram criadas expectativas. Uma mulher que amou. Uma mulher a quem um dia foi proposta uma missão, a ela, mulher cheia de graça, escolhida pelo seu Deus para dar à luz e acompanhar o crescimento de uma criança especial. Uma criança com uma missão ainda maior que a sua: a de salvar a Humanidade.

Dizem-nos as escrituras que Maria aceitou a sua missão – “Eis aqui a serva do Senhor.” Mas pergunto-me eu os dilemas e dúvidas que esta mulher – jovem, e apenas com a sua fé como apoio – terá tido.

Pergunto-me quantas lágrimas terá chorado, a dor que sentiu ao ser rejeitada e acusada pela comunidade que a viu nascer. Ao ser rejeitada, em certa altura, pelo homem que amava, com quem sonhava uma vida em conjunto.

Numa das cenas iniciais do filme, José volta, dirige-se a Maria, dizendo que acredita nela, que cumprirão a missão juntos e que daí em diante, tudo será mais fácil.

Maria responde-lhe, com certeza na voz, mas serena: “Nunca será fácil. Nunca nada na nossa vida será fácil.” Aquela jovem mulher, com um filho no ventre, tinha uma única certeza: a de que a sua vida não seria fácil. De que a esperavam provações. Perguntas às quais não sabia se iria dar resposta. Sabia que teria que preparar o seu filho para uma missão que ela própria não entendia. Sabia, talvez no seu âmago, que um dia ele partiria para sempre. Primeiro para o Mundo. Depois para a morte. Não o saberia em termos concretos, mas todo o seu ser lhe dizia “Nunca será fácil”.

Ao ouvir essa frase, e ao imaginar Maria a dizê-la, olhei-a sob uma nova luz e passei a admirá-la mais. Maria era mulher como eu.

Talvez esta frase choque alguns, mas a verdade é que eu acredito que Maria era uma mulher como eu. Jesus foi uma criança como eu fui, e um adulto como eu sou. Ambos foram humanos, e conheceram sentimentos como o medo e a dúvida.

Existiam, claro, grandes diferenças entre nós. As missões de Maria e de Jesus eram maiores que as minhas. A sua fé em algo que a todos Une e Maior que cada um de nós isoladamente – era maior. Não era uma fé, eles sabiam. A sua fé não era fé, era certeza.

E por isso souberam abraçar a sua vida e as suas missões. Missões que a maioria de nós acharia impossível ou, no mínimo, demasiado grande para suportar.

E essa é uma das dádivas que Maria, José, Jesus e outros nos deixaram. Também eu sei que nunca será fácil.

“Nunca será fácil”. Eu sei. Mas também sei que viver vai sempre valer a pena. Por isso me esforço por aproveitar como posso esta oportunidade que me foi dada.

Nunca será fácil, mas será sempre belo!

© Isa Lisboa

Mãe Maria

Imagem: Autor não identificado

Rosto Anónimo

Rosto Anónimo. Rostos.

Sonho. Sonhos.

Um perdido. Um por cumprir. Um fechado na mão.

Para não fugir.

O passado nas costas.

O futuro à frente dos olhos.

O relógio grita: Tic Tac Tic Tac!

As costas pesam.

Os olhos correm.

O dia espera. A noite é curta. Já foi.

O passado corre atrás.

Corre atrás do futuro.

E o presente, Rosto Anónimo?

© Isa Lisboa

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