Poema sem sentido

Nasceu pássaro
Perdeu as asas
Por falta de uso;
Tentou cantar
Mas não era ave canora
Esse ofício não ia ter;
Não sabia nadar
Peixe não poderia todavia ser;
Correr também não conseguia
Para a savana não havia de ir.

Fincou-se então ao chão
Falou com a terra
Bem alto lhe pediu,
A terra acedeu.

Árvore ali nasceu
Dá abrigo e sombra,
A quem asas tem
E a voar quer aprender.

© Isa Lisboa

desejo, carlos saramago

Arte: “Desejo”, de Carlos Saramago
http://carlos-saramago.blogspot.pt/

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Workshop “Descobre-te numa história”

descobre-te numa história

As histórias que chamamos de mitos, lendas e contos de fadas começaram a ser contadas oralmente, antes de a palavra escrita as levar mais longe. Estas histórias eram passadas de geração em geração e, mesmo após a escrita, o gosto por contar histórias perdurou.

Os nossos avós contavam histórias, aprendidas dos seus antepassados. Sentados à volta do fogo no Inverno e debaixo das estrelas nas noites de Verão. As palavras circulavam entre famílias, amigos e conhecidos.

Também quando éramos crianças, gostávamos de ouvir e de ler histórias, para adormecer e para sonhar.

“Descobre-te numa história” é um convite para voltares a ouvir histórias contadas. Mas também um convite a perceberes o que essa história te pode ensinar, como pode ser um guia na tua vida. Como pode ajudar-te a descobrir algo novo sobre ti.

A partir da leitura de um conto, um excerto de um livro ou outra forma de história, iremos em conjunto descobrir a mensagem que nos espera naquelas palavras. Para além dos momentos de leitura, irei convidar-vos a explorar alguns pequenos exercícios, escritos e não só. Estes exercícios são ferramentas de desenvolvimento pessoal e da inteligência emocional, que poderão utilizar noutros momentos.

Este workshop é conduzido por mim: escritora, contadora de histórias, matemática, formadora e constante questionadora do seu mundo exterior, mas principalmente do seu mundo interior.  Procuro sempre conhecer-me melhor e usar esse conhecimento para melhor conhecer os outros. O meu convite é para partilhar convosco este meu percurso e aprendizagem no mundo das palavras.,

Nesta 6ª edição do workshop, peço que, quem use agenda, a leve para o workshop. Se não tiverem agenda, não faz mal, outros materiais serão usados como alternativa! 😉

Espero-vos, para uma caminhada de auto-conhecimento e desenvolvimento pessoal!

Informações adicionais:

Troca: 8€ ( Na 1ª vez convidares um amiga(o) troca 12€)

Local: H3 Estética e Harmonia
Rua Alfredo Marceneiro, Loja 3H, Vila Fria, Porto Salvo, Oeiras

Informações e Marcações para: 919 165 182
E-mail: h3esteticaeharmonia@gmail.com
https://www.facebook.com/h3esteticaeharmonia/

Mais informações: isa.lisboa.blog@isalisboa.com

Encontrem o evento no facebook: https://www.facebook.com/events/504550976731497/

Partilho também alguns momentos das sessões anteriores:

 

 

 

Recordando um início

Hoje partilho convosco um início desta minha aventura chamada escrita. Digo um início, porque comecei a escrever bastante antes. Mas foi em 2011 que eu, Isa Lisboa, nasci. E nasci para o “mundo” no blog “Instantâneos a preto e branco”. O primeiro post foi retirado de um dos meus cadernos, que ia enchendo de palavras e palavras, tentando deixar uma parte de mim falar. E as palavras foram estas:

Estou no meu carro, a conduzir na auto-estrada. Túnel. Não sei porquê, mas chama-me a atenção o tecto do túnel, noto a simetria crua e simples das imagens que se sucedem. Fim do túnel.
De novo uma estrada à minha frente. Sinto-me invadida por um torpor, que não sei se é sono ou a paz comigo mesma que de repente sinto. Sinto vontade de seguir em frente, mas mudo de direcção maquinalmente, dirijo-me para casa.
Aqui está escuro, preciso de mais luz. Melhor. No rádio continuam a passar as músicas que me transportam para trás, às recordações que tenho e às que não tenho. E dou por mim a não sentir falta das recordações que não tenho, porque agora tenho outras.
Chego a casa, livro-me de tudo e deito-me, sem certezas, mas com respostas, certas ou não, talvez amanhã saiba melhor. Se não for amanhã, não é importante, saberei. Vou apagar a luz e recordar a viagem.
Isa Lisboa
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Podem ler o post original em: <://instantaneospretobranco.blogspot.com/2011/03/tunel.html

Gratidão por tudo o que esta aventura me trouxe!

Vem aí mais uma passagem

Aproxima-se mais uma passagem de ano. Muitos deverão estar a preparar a festa e muitos, também, estarão a preparar os seus rituais de passagem de ano.

Eu também costumo fazer alguns pequenos rituais, alguns por ter adoptado tradições, outros por os ter começado a criar por mim e para mim mesma.

Um dos rituais é uma auto-reflexão sobre o ano que passou, sobre o que aprendi e sobre como cresci enquanto pessoa, nos vários aspectos da vida. Também essas reflexões costumam vir acompanhadas de uma espécie de resoluções de ano novo, em que me propunha objectivos. Objectivos não apenas do mundo material, mas também objectivos emocionais e espirituais.

Suspeito que hei-de retomar estes rituais, mas agora, neste exacto momento em que escrevo estas palavras, não me apetece. Não me apetece fazer balanços, nem objectivos, nem contar badaladas.

Apetece-me apenas aproveitar este tempo de pausa, ver a lareira a crepitar e ouvir o vento do Inverno. Apetece-me apenas ficar a ver o ano 2018 a despedir-se com um sorriso e 2019 a chegar com outro sorriso.

“All is yet to come”. O futuro está sempre à espera de acontecer.

Vem.

© Isa Lisboa

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Carta do Pai Natal

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Este texto foi escrito originalmente para o blog Tubo de Ensaio, e descreve uma carta que o Pai Natal poderia escrever-nos!

Oh, Oh, Oh!
Olá, meninos adultos!!
Lembram-se de mim? Não, não estou a falar da figura no centro comercial, ou nos filmes de Hollywood ou impressa nos papéis de embrulho para o Natal…
Pergunto se se lembram de mim, o pai Natal, aquele a quem escreviam cartas a pedir um presente, o que estacionava o trenó no telhado e descia pela chaminé abaixo. O velhinho das barbas, eu mesmo!
Eu sei que alguns de vocês se lembram de mim. Vocês, que sorriem quando vêm as luzes de Natal a acenderem-se. E vocês, que voltam a ser crianças quando fazem a árvore de Natal e enquanto escolhem os enfeites. E vocês, que ao oferecerem presentes no Natal, sentem aquele calor no coração, igual ao que eu sinto na noite de Natal.
A vocês, eu poderia escrever, mas eu sei que vocês sabem que eu vos visito todos os Natais, e que vos deixo algo para afagar esse espírito que têm no coração. E vocês sabem também que estão dentro do meu coração.
Na realidade, esta carta é para os meninos adultos que já não se lembram de mim e, especialmente, para aqueles que nunca me escreveram.
Talvez alguns de vocês já se achem grandes demais para acreditar no Pai Natal e por isso não queiram perder tempo com todas essas coisas.
Bom, confesso-vos que isso me deixa um bocadinho triste… Porque o vosso lado criança é uma das melhores coisas que existem dentro de vocês. Não se lembram como eram felizes quando podiam ir brincar ou quando acreditavam que criaturas mágicas se escondiam no vosso jardim ou no vosso quarto? Lembram-se do que sentiam no Natal quando ouviam o “Oh, Oh, Oh”? Bem sei que agora há a azáfama toda, a correria para comprar todas as prendas antes do dia 24 – algumas no dia 24 – a preocupação a olhar para o extrato do Multibanco antes de ir comprar a seguinte. E depois, ainda falta comprar a comida para a ceia de Natal e preparar tudo. E, e, e…
E se parássemos só por um bocadinho? Pergunta-te: porquê toda essa preocupação? Não podes comprar o presente caro que querias? A pessoa a quem ias comprar vai ficar triste? Tu ficarás triste? Porquê? Já te perguntaste? Experimenta, pelo menos este ano, uma coisinha: compra o presente que podes comprar, mas compra algo que sabes que a outra pessoa vai gostar. Pode até ser algo simples. Se não puderes comprar, faz-lhe algo. Aposto que vai ser uma prenda ainda mais especial.
E, acima de tudo, não te esqueças do mais importante de tudo: ao ofereceres o presente, acompanha-o de um abraço sincero, sentido.
Se não puderes comprar ou fazer mais nada, esse pode até ser o único presente. Pode parecer-te pouco. À outra pessoa pode também parecer pouco a princípio. Mas… e se eu disser que esse presente irá deixar uma marca mais duradoura que qualquer um que possas embrulhar? Parece-te estranho, eu sei. Mas porque não tentas? Mas tenta de coração aberto, de outra forma não me darás oportunidade de mostrar que tenho razão.
Peço-te apenas um pequeno acto de fé. E nem é em mim, é em ti.
Depois me dirás… Ou não digas, se não o quiseres. Guarda o que sentires para ti. Mas depois não te esqueças desse pequeno fogo que te aqueceu o coração. E busca-o no resto do ano. Chama-o tantas vezes quantas as que quiseres e conseguires…!
Talvez no próximo ano já acreditem um pouco mais em mim. Ou talvez não. Mas eu ficarei feliz se já acreditarem um pouco mais em vocês!
Vou aproveitar ainda esta carta para falar também com outros meninos-adultos. Aqueles que não gostam das prendas que recebem e que, por isso, já desistiram de mim.
Entendo que às vezes seja frustrante pedir uma coisa e receber outra. Mas, sabem, eu gosto de dar prendas úteis. Úteis no sentido de ajudarem a conseguir algo – que devem sempre ser vocês a conseguir – ou no sentido de vos ensinarem algo.
Sei que não é assim que se entendem alguns presentes, à primeira vista. Mas agora que leram esta revelação, digam-me lá se, olhando para trás, não receberam presentes que traziam estas benesses atrás?
É esse o meu desafio: da próxima vez que receberem algo de que não gostem tanto, perguntem a vós mesmos o que pode aquele presente ensinar-vos ou trazer de bom, ao fim de um tempo!
E, finalmente, ainda há quem, por vezes, receba o famoso pedaço de carvão. Pois é, parece um presente pequeno, inútil e sem graça. Ainda por cima é associado aos meninos que se portam mal. Mas eu tenho a dizer-vos que não é essa a intenção. Eu não quero castigar-vos. O pedaço de carvão é apenas uma mensagem… Se um pedaço de carvão está apagado e sem vida, também é verdade que ainda não é cinza. E que com um pedaço de calor e um pouco de fogo, voltará finalmente à vida e ele próprio a produzir fogo e calor. E assim são também vocês. Assim somos todos nós, com o potencial de sermos chama viva. É esse o desafio que vos deixo, caso encontrem um pedaço de carvão no sapatinho: que o reavivem com a vossa luz. E não me digam que não a têm, porque têm! Pode até estar diminuída e mal se ver, mas não está extinta. E basta um pequeno sopro para que ela se reavive.
E isto vale para todos vocês, meninos-adultos. Mesmo para os que não receberam carvão. Nunca se esqueçam da vossa luz!
E para que ela se fortaleça, já acendi a luz do Natal e mando-a para todos, para que ilumine o vosso coração e lá viva durante todo o ano!
Feliz Natal!

S. Nicolau

© Isa Lisboa