Pausa Mindfull – Foco

Esta semana, para a pausa Mindfull, proponho um exercício que podes integrar facilmente no teu dia-a-dia.

Durante o dia, faz uma curta pausa para café / chá / outro, e concentra a tua atenção apenas e só nesse momento de tomar a tua bebida.

Talvez tomes café, ao mesmo tempo que também realizas outras tarefas, como por exemplo ler e-mails ou ligares-te a uma reunião; ou até planeares mentalmente o que vais fazer a seguir.

O convite, neste momento, é que foques a tua atenção apenas no processo de beber a tua bebida e esqueças o resto. Prova a bebida devagar, sente o aroma, o peso da chávena, a temperatura da chávena. Este é o teu momento. Saboreia a tua bebida e saboreia o teu momento!

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Boa semana!

Das liberdades

Ontem celebrou-se o dia da liberdade. Ao mesmo tempo que o país está em confinamento obrigatório, uma medida para nos protegermos uns aos outros. Para que cada um consiga ir-se mantendo livre de uma doença que ainda não conhecemos.

Não me pareceu um dia contraditório.

Mas pôs-me a pensar sobre a liberdade de pensamento, de opinião, de sentir.

Sinto que se adensa um fenómeno que já via antes da pandemia. De certa forma, é também ele uma pandemia. Uma pandemia de opiniões certas. Por toda a internet (e não só), abundam opiniões sobre a pandemia, sobre como começou, sobre o que é e o que não é, sobre como o mundo vai mudar. Vaticínios que preveem o pior, ao lado dos que visionam o melhor. E cada um carregado de certezas, neste momento tão incerto.

Bem hajam as opiniões, mas bem-haja ainda mais o respeito pelas opiniões dos outros. E bem-haja a clareza de não se venderem opiniões como se fossem factos. Estar em algum sítio da internet, não torna o escrito ou o dito, verdadeiros por si só. A ilusão pode estar até onde se avisa contra a ilusão e os livres pensadores podem querer moldar os outros à sua imagem. Ou não.

Mas é por isso que questiono.

No decorrer dos últimos anos recebi várias vezes uma notícia que avisava sobre o perigo de deixar o telemóvel na mesa de cabeceira nessa noite em questão. Devido a algum fenómeno, avisado pela própria NASA, o telemóvel poderia explodir ou emitir radiações perigosas nessa mesma noite. O curioso é que no artigo podia sempre consultar-se a data da notícia. E nenhuma das pessoas que reencaminhou a mensagem percebeu que o seu telemóvel já “devia” ter explodido há anos atrás.

A intenção de quem reencaminhou a mensagem foi sempre boa, decerto, mas esta é uma forma de espalhar o medo. Por outro lado, é também uma forma de, a pouco e pouco, descredibilizar outras mensagens que podem ser sérias.

Procuro ler até ao fim, não me ficar apenas pelo título (tantas vezes enganoso), ler as entrelinhas, perceber quais são as fontes, que relação têm as pessoas com o tema, que emoções podem ter estado à flor da pele enquanto o artigo era escrito.

E procuro formar a minha própria opinião.

Porque liberdade também é isso. A liberdade de pensarmos, de formarmos a nossa opinião, de não cedermos nem ao medo, nem ao escapismo à realidade.

Não sei se caminhamos para um admirável mundo novo – seja em que sentido for que se interprete a expressão. Na verdade, a minha opinião, é que neste momento, ninguém sabe. Podemos já antever mudanças. Mas algumas das mudanças profundas que se falam… Na minha opinião dependem de quem sempre dependeram: de nós mesmos, como seres, como humanos.

E o meu desejo é que consigamos manter a nossa mente livre, mesmo enquanto estamos confinados e os nossos movimentos estão condicionados.

É dentro de ti que a Liberdade começa!

© Isa Lisboa

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Image by Grae Dickason from Pixabay 

 

Pausa Mindfull – Momento de reflexão

A proposta de hoje é um pouco diferente. As ideias anteriores convidavam a um momento de relaxamento. Hoje proponho um momento de reflexão.

Peguem numa folha de papel e dividam-na ao meio, desenhando uma linha. Numa das partes escrevam “Desafios” e na outra escrevam “Conquistas”. Em cada uma das metades, escrevam pelo menos 3 desafios e 3 conquistas no último mês. Se quiserem, continuem a lista, mas sempre colocando o mesmo número de items em cada metade da folha.

No final, dobrem a folha ao meio, com as palavras para dentro e guardem. No dia seguinte, voltem a abrir a folha, re-leiam, e percebam como se sentem ao ler a vossa lista.

Boa semana!

Isa Lisboa

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Pausa Mindfull – Estar Presente

Mindfullness é muitas vezes definido como “Atenção Plena” ou “Estar no Presente”.

Nesse sentido, um dos convites do Mindfullness é sair do piloto automático e vivenciar algo simples do nosso dia com toda a nossa atenção; focando o nosso pensamento apenas nesse momento e tomando atenção a todas as sensações físicas, mentais e emocionais que sentimos. 

É esse o desafio que vos deixo hoje: escolham uma pequena tarefa do vosso dia a dia e vivam-na desta forma. Façam-no com sentido de curiosidade e abertura. Tal como antes, podem escolher uma tarefa curta, que dure apenas 1m, ou uma mais longa. Cada um ao seu ritmo 😉 

Deixo algumas sugestões:

  • Comer e / ou beber
  • Escovar os dentes ou o cabelo
  • Passar creme no rosto / fazer a barba
  • Vestir-se
  • Caminhar
  • Fazer um alongamento
  • Fazer um bolo

Partilhem as vossas experiências, se quiserem 🙂

 

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Um aniversário diferente

Birthday Cake

Ontem foi o meu aniversário. Um aniversário diferente, como me disseram muitas pessoas.

Sim, foi diferente, porque este ano não tive a opção de fazer os meus planos, não pude estar com a família e amigos. E não o pude fazer, porque fora destas quatro paredes, há uma pandemia a acontecer.

Mas, ainda assim, tive opção. Entre telefonemas e vídeo – chamadas, e algum tempo entre tachos, um dos meus hobbys, o dia passou. Fluiu, com uma calma e alegria muito boas.

Um aniversário diferente, mas em que apreciei cada momento, cada voz que ouvi e cada palavra que li. Porque não estamos sozinhos, quando deixamos a felicidade entrar.

© Isa Lisboa

 12.04.2020

Podar

Tenho um pequeno jardim na minha varanda. E hoje foi dia de podar e de tirar ervas daninhas.

Passado o inverno, um período de frio, chuva e outros desafios, as plantas apresentam algumas marcas desse tempo. Folhas secas, talos secos ou a apodrecer.

Mostrando a outra faceta da natureza, algumas folhas novas começam a nascer.

Na natureza não manipulada, as folhas e galhos mortos acabariam por cair, abrindo espaço às novas folhas e caindo no chão, tornando-se fertilizante da planta onde antes estavam.

Neste caso, eu dei uma ajudinha ao processo. Para o tornar mais fácil. Ajudar as plantas a adaptarem-se, uma vez que o vaso não é o seu ambiente natural.

Ao olhar para o que sobrou, os galhos e folhas cortadas, senti que também algo em mim precisa ser podado. Não sei exatamente o quê, neste momento. Mas sinto-o à espreita, prestes a partir e a cair no chão, para fertilizar o que a seguir virá.

Acredito que todos passamos por fases destas, de tempos a tempos. De poda. De fim de ciclo.

E quando um ciclo termina, temos de o deixar ir. E mantermo-nos abertos ao que virá. Mesmo que, como agora, certezas haja poucas.

Olho pela janela e o dia está bonito, o sol entra pela minha sala e aquece o ambiente, ilumina o caderno onde escrevo. O céu está azul e as nuvens brancas parecem fofas e leves.

E hoje, agora, não devo aproveitar este tempo. Mas a vista da minha janela, a mistura destas cores com outros verdes, lembra-me de como a natureza é, também ela cíclica.

Ainda ontem chovia. Hoje está sol. Hoje foi dia de poda. Amanhã, ou daqui a uns dias, talvez encontre um rebento novo, que hoje me escapou.

Um grupo de pássaros acabou de passar, num voo sincronizado.

Vou fechar o caderno e pousar a caneta. Por hoje. Por agora. Há sempre mais dias para escrever.

© Isa Lisboa

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