In the bookshelf – Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes

Um livro interessante para quem está a começar a saber mais sobre o desenvolvimento pessoal. Explora sobretudo uma filosofia de vida, transformada em um método.

Na parte final, são feitas perguntas ao autor. Com humildade, o autor assume que a prática dos hábitos é um exercício diário e que não consegue ter todos os hábitos, todos os dias. É assim que vejo o verdadeiro desenvolvimento pessoal: um exercício diário, um olhar constante sobre nós próprios, os nossos valores e a consistência dos nossos comportamentos. Estamos sempre em construção e em processo de evolução.

Isa Lisboa

Um carnaval diferente

Imagem: pixabay

Este ano temos um carnaval diferente. As máscaras não podem sair à rua, e não podemos extravasar a alegria como de costume.

Precisamos talvez lembrar-nos que a alegria está em nós e que enquanto a soubermos encontrar, pouco importa o dia no calendário.

Espreitem para lá da máscara e do samba que hoje não toca e lembrem-se de onde são alegres!

Isa Lisboa

Eu sei

Não olhes assim para mim! Estás a pensar que é impossível, mas não é! Ou, pelo menos, não podes afirmá-lo sem primeiro tentares.
É incerto, é arriscado! Pois é! Mas e o risco de te renderes ao que não queres, ao que te esvazia, ao que é Nada? Não é esse risco maior?
O risco de te perderes de ti, de te esqueceres de quem és e do que queres. Aceitar apenas o que te dão já feito. Confortável. Talvez.
Não precisar decidir. Não precisar lutar. Lutar cansa. Cansa! Às vezes dói. Levamos umas bofetadas sem esperar.
Se dói, é porque o sangue corre. Faz parte. Não vais ganhar sempre. E só a perder aprendes a ganhar.
Não olhes assim para mim. Lá estou eu com as minhas maluquices, eu sei.
Mas eu também sei: não é impossível.

© Isa Lisboa

Conto de Pequena Holanda

Imagem: http://www.pixabay.com

Ao ver a palavra “Fim” naquela tela gigante, percebeu que algo de novo começava,
Sempre vivera em Pequena Holanda, rodeada de flores. Começara cedo a profissão da família, cultivando aqueles pedaços de beleza. A maior beleza do mundo, como sempre lhe tinham dito.
E sempre acreditara que o seu pequeno mundo era o mais belo.
Agora, aos 16 anos, descobria que havia mais mundo, para além do campo de orquídeas.
Hoje descobria que, noutros pontos do país, havia uma beleza imensa, maior do que a vista alcança. De um azul mais mágico que a cor de qualquer flor que algum dia tenha visto crescer.
Hoje, Cristiana Pé Curto descobria que queria dar passos de gigante.
Hoje, Cristiana Pé Curto descobria que havia um mundo chamado mar. Um mundo que havia de a levar a outros mundos.
Hoje tornava-se amanhã.

© Isa Lisboa

Este conto surgiu a partir de um desafio de escrita criativa.

Frase da semana – Receita

“Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela só tenho uma chance de fazer o que quero.
Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce, dificuldades para fazê-la forte,
Tristeza para fazê-la humana e esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas,
elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.”

Clarice Lispector

Outra vez massa – mãe

Fui ao supermercado e já não havia fermento de padeiro. E pronto, cá estou eu de novo a fazer massa – mãe.
O que quer dizer que de novo ponho em stand by os contactos. E de novo ponho a luz verde na casa da saudade.
Volto aos telefonemas, vídeo – chamadas, mensagens via chat.
A nova massa – mãe ainda não faz bolhas, mas o confinamento voltou ao início.
Agora já sei fazer massa-mãe e já sei que o sabor do pão não é o mesmo. Mas também já sei que consigo ter uma alternativa para fazer o pão de aveia em casa.
E também já sei que, como em todas as situações difíceis, o mais importante é manter acesa a luz da alma,
Enquanto a alma estiver com luz à sua frente, podemos continuar a ver o melhor dentro de nós mesmos. Mesmo quando não vemos o caminho à frente.
Mesmo quando o mundo parece feio.
É preciso paciência para fazer massa – mãe.
É preciso paciência para ultrapassarmos os tempos difíceis.
Fermentemos.
 

© Isa Lisboa

In the Bookshelf – O Impiedoso País das Maravilhas e o Fim do Mundo

Foto: Isa Lisboa

O Impiedoso País das Maravilhas e o Fim do Mundo foi o último livro que li em 2020. Ao começar a ler, reconheci o estilo original de Murakami, mas, ao mesmo tempo não o reconhecia totalmente.
Duas histórias decorrem em simultâneo, ambas no estilo surrealista que marca a escrita deste autor. Sem ser óbvio como se entrecruzam, essa junção começa a mostrar-se a certa altura do livro, de uma forma inteligente e surpreendente.
Um livro policial que nos apresenta, no entanto, mais que uma história de suspense e de mistério. Um livro que nos sugere que talvez o maior mistério seja a mente.
Uma história que nos leva ao fim do mundo e nos pergunta se queremos ficar lá. Qual achas que seria a tua resposta?
Lê o livro e depois responde 🙂


©Isa Lisboa

Medos e dogmas

Imagem: http://www.pixabay.com

“Não há factos eternos, como não há verdades absolutas.”
Friedrich Nietzche

Gosto muito desta frase e acho que é algo importante lembrar.
Lembrar, mas não para a atirar a quem tem uma opinião diferente da nossa. É uma boa frase para atirarmos a nós mesmos.
Vivemos um tempo de medos, que me parece estarem a fazer muitas verdades absolutas. E isso dá-me medo.
Tenho medo dos efeitos do vírus na vida, na saúde, e nos sistema de saúde. Tenho medo dos efeitos do vírus no aumento da fome, na perda de condições de subsistência e condições de vida mínimas, na saúde mental.
Mas também tenho cada vez mais medo da intolerância.
Já no pré – covid a via muitas vezes.
Mas as vagas de covid trouxeram novas vagas de verdades absolutas e ataques a quem tem opiniões diferentes. Como se essa opinião fosse também um vírus.
Concedo que algumas ideias se possam assemelhar a vírus, incluindo as suas consequências nefastas.
Mas pensemos em algo de inovador: e se a opinião do outro, for apenas uma visão de alguém que vive uma realidade diferente da nossa? Que
também sofre, mas com dificuldades diferentes das nossas? E que talvez (vá, só um esforço de imaginação), talvez, por isso pense de forma diferente da nossa?
Talvez o sacana egoísta do lado nos veja a nós como sacanas egoístas. Já pensaram nisso?
Isto assusta-me. Assustam-me as verdades absolutas, fechadas sobre si próprias. Assusta-me que estejamos a tentar salvar uma sociedade que se esqueceu de que o outro não é apenas quem pensa igual a si. Uma sociedade que cada vez mais deixa de saber como se colocar no lugar do outro.

Termino como comecei, com uma citação:

“Posso não concordar com uma só palavra sua, mas defenderei até à morte o seu direito de dizê-las.”
Voltaire

© Isa Lisboa