Como descrevo Invernos, Sonhos e Andorinhas

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No último evento de promoção do livro, uma das pessoas com quem falei perguntou-me como descrevo o meu livro – Invernos, Sonhos e Andorinhas.

Expliquei primeiro a forma, trata-se de um livro de contos; 16 contos. São contos imaginados por mim e que têm algo de real em cada um deles, de situações que vivi, e de pessoas que conheci. Mas também algo de menos real, que saiu da minha imaginação. Todos os contos procuram transmitir uma mensagem, um pouco ao estilo de “moral da história”. E é um livro sobre sonhos, quer sejam sonhos realizados (Andorinhas), quer sejam sonhos esquecidos ou desperdiçados (Invernos).

Ao rever mentalmente esta conversa, apercebo-me de que usei poucas palavras para descrever o meu livro. Talvez uma das razões seja a de que para mim não é fácil falar ou escrever sobre o meu próprio trabalho.

Por isso, vou começar por vos convidar a ler as opiniões de quem melhor pode descrever o meu livro: os seus leitores. Na página de facebook do livro, aqui , podem encontrar as opiniões que me chegaram por parte de alguns deles.

E agora, peço que me acompanhem no meu próprio exercício de auto descrição.

Começarei por dizer que cada um dos contos do livro é uma metáfora sobre situações reais com que me deparei ao longo da minha vida, algumas das quais até vividas na primeira pessoa. O meu objectivo ao escrever estes contos não foi apenas o de contar uma história. Também queria fazer perguntas. A mim própria, primeiro que tudo, mas também a cada uma das pessoas que os viesse a ler.

É por essa razão que o Invernos, Sonhos e Andorinhas não é apenas um meio de entretenimento; é também um livro para quem gosta de questionar a vida e a si próprio.

Um dos leitores do meu livro, o também escritor Paulo Costa Gonçalves, teve a amabilidade de comparar o meu livro ao conhecido “Quem mexeu no meu queijo”. Hesito um pouco ao classificar o meu livro como um livro motivacional (será a minha velha resistência a rótulos?). Mas é verdade que procurei passar uma mensagem motivacional. Se no início, alguns leitores se podem sentir surpreendidos pelo final menos positivo das primeiras histórias; depois o livro evolui para histórias com final feliz, aquele que eu acredito que seja possível para todos.

E se o final feliz está ao alcance de todos, porque escrevi eu histórias com final pouco feliz? Porque a vida abre-nos portas, mas temos que ser nós a passar por elas. O final feliz depende das nossas próprias escolhas. E as personagens dos meus contos fizeram escolhas diferentes. Algumas escolheram ficar no seu lugar seguro, ainda que ele pudesse ser feito de mágoas, ou ser feito de dor, mas era um lugar seguro. Outras ousaram questionar: “E se?”

A Menina de Plasticina, personagem do conto homónimo, ousou fazer uma grande pergunta: “Quem sou eu?”. Não se contentou, como muitas vezes fazemos nós, a procurar saber o seu nome, o nº do BI, a morada. Não lhe bastaram os elementos de identificação como cidadã. Ela quis saber quem era para além do que é visível. Quis saber quem era como pessoa.

E vocês, querem saber quem são? Então, desafio-vos a ler o meu livro. Não descobrirão lá todas as respostas, estou certa, mas tenho fé de que encontrarão alguma.  

© Isa Lisboa

Se quiserem adquirir o livro autografado, no próximo dia 04 de Junho, estarei na Feira do Livro de Lisboa, às 17h, no stand da Chiado Editora. Será uma oportunidade de nos conhecermos e de saberem mais sobre o livro!

Quem não tiver oprtunidade de se deslocar à Feira do Livro, pode também fazer a sua encomenda através de encomendas@isalisboa.com.

Template Convites - Feira do Livro 2017_Isa Lisboa

Areias do Tempo


Como se as Areias do Tempo se tivessem soltado, o Instante se deu, congelando o Futuro, preso entre um e outro lado da Grande Ampulheta.

Momentos há em que é o Passado que escorre com dificuldade, mas também o Futuro pode passar em frente dos nossos olhos, grão a grão do que não mais será, grão a grão do que não mais sabemos.

Somos nós também um grão, entre os Tempos da Ampulheta. Julgamos saber para que lado cairemos de seguida, mas nada tomemos por certo. Apenas que a Vida nos foi dada por Dádiva e devemos fluir com ela, ouvir como os nossos passos fazem parte de uma caminhada maior que nós.

Diz-me a tua Voz que confie, que me deixe escorrer com as lágrimas, mas que não me deixe cegar por elas. Que permita que elas me purifiquem e que me abram mais os olhos.

Que eu não me permita esquecer de quem sou e de onde venho.

Que eu não me permita ensurdecer, deixar de ouvir a mim mesma.

Que eu não me permita duvidar da minha própria Voz.

E que eu não permita vacilar, no momento em que entender as Areias do Tempo, e a Ampulheta volte a andar, no centro da Bússola.

© Isa Lisboa

Beth Moon

Imagem: Beth Moon

Solitude

Solitude

Palavra estranha

A alguns desconhecida

É aqui junto ao mar

Que melhor a saboreio

Deixo-a pousar

Na palma da minha mão

O vento levanta-a

E ela rodeia-me

No abraço de quem

Me conhece

Descansa em mim

E eu descanso nela

Como duas velhas amigas

A ouvir o mar.

© Isa Lisboa

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Publicado originalmente no blog Tubo de Ensaio:

http://tubodeensaio-laboratorio.blogspot.pt/2015/01/solitude.html

Queimar e Arder

Podemos queimar em lume brando por um tempo, mas chega um momento em que temos que arder como a Fénix.

Permitir que o fogo consuma as penas, a carne, até os ossos.

Ser cinza, depois de ter sabido o que é voar.

Permanecer cinza, até que venha o sopro que nos fará novamente ave.

© Isa Lisboa

Pier Toffoletti

Arte: Pier Toffoletti

Terramotos da alma

Talvez os terramotos da alma sejam bastante semelhantes aos da terra.

Num momento o chão está calmo e as flores crescem. Mas de repente, vem o inesperado abalo e a terra rasga-se, abrindo um buraco no caminho.

Se os terramotos que abrem a terra libertam energias contidas; será que os terramotos da alma servem para nos abrir o coração? Para o rasgar de tal forma que aquela Luz especial possa lá entrar?

A alma é sábia, a mente nem sempre o é. Pode, respondendo à dor, abrir fendas ainda maiores. Ou tapá-las com terra pouco nutrida, em pazadas apressadas.

A alma pede que se cicatrizem as feridas com Luz e Amor. E para ouvirmos a alma, por vezes precisamos sentar-nos à beira do epicentro do choque, deixar a terra tremer e tragar tudo o que tiver que ser.

E levantarmo-nos quando parar de tremer.

De entre as cinzas se verá que houve fogo renovador e que novos caminhos se abriram por entre as labaredas.

© Isa Lisboa

Lost in Madness

Imagem: Autor não identificado