A pequena fada das flores

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Imagem: pixabay.com

Era uma vez uma pequena fada, que vivia no Jardim das Orquídeas. A sua função nesse jardim era cuidar das plantas, regá-las, e deixá-las bonitas.  Sentia-se muito feliz ali, no Jardim das Orquídeas.

Um dia, andava a voar por ali perto e encontrou uma fada amiga. Ela vivia no Jardim das Rosas. Começou a falar-lhe da vida por lá e convidou-a a dar um passeio por entre as rosas.

A nossa pequena fada aceitou o convite e seguiu-a. Achou as rosas muito bonitas. Mas não eram tão bonitas quanto as suas orquídeas – pensou. As orquídeas eram bem mais exóticas, apesar de lhe parecer que era mais difícil cuidar delas que das rosas.

Meio imersa nestes pensamentos, sobressaltou-se com um conjunto de risadas e vozes familiares. Eram amigas suas que já não via há muito tempo. Conversaram até ao final do dia e foi muito bom! Enquanto voltava para casa, percebeu que tinha muitas saudades daquelas três amigas. Seria bom trabalharem no mesmo jardim e estarem mais tempo juntas.

No outro dia, voltando ao trabalho, tinha as suas orquídeas com muitas saudades dela e a precisar dos seus cuidados. E foi a isso que se dedicou durante todo o dia.

Quando chegou ao final do dia, percebeu que estava dividida entre Orquídeas e Rosas.

Não queria deixar as suas lindas flores, mas sentia falta das suas amigas.

Precisava de um conselho e, para isso, ninguém melhor que a Fada Azul. Voou até ela, ansiosa!

“Acalma-te, pequena fada.” – disse-lhe logo a anciã – “A tua mente está dividida, mas não é aí que encontrarás as respostas que procuras. As tuas respostas só podem ser ouvidas dentro do teu coração. É o teu coração que sabe qual é o teu verdadeiro lar.”

A pequena fada saiu a pensar naquelas palavras. Como ouvir o coração?

Decidiu ir até um lugar silencioso, onde estivesse sozinho, sem ninguém à volta, sem ninguém a opinar.

No início foi difícil ouvir-se, porque mesmo longe de tudo, continuava a ouvir barulho.

Mas depois de um tempo dedicada apenas a ela própria, a resposta ao seu dilema apareceu; clara como água, dentro de si.

© Isa Lisboa

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Imagem:pixabay.com

História escrita para a Ana Catarina, num Workshop de “Histórias e Metáforas Terapeuticas”.

E vocês, já passaram por um dilema semelhante? Em que têm dois caminhos à frente e, seja qual for que seguirem, há sempre algo a ganhar, mas também a perder? Conseguiram encontrar a solução dentro de vocês mesmos?

Acendermo-nos uns aos outros

Pessoas-luz. Uma expressão que de vez em quando encontro, nos textos que leio.

É fácil perceber o que quer dizer. As pessoas que têm uma luz própria e que a partilham connosco, mesmo sem nós pedirmos. Pessoas que nos fazem sentir um pouco mais leves, que nos lembram de respirar e de largar por um pouco aquele momento carregado que lembramos.

Pessoas que sabem que uma vela não se gasta mais depressa por acender outra.

Desengane-se quem pensa que as pessoas-luz não têm escuridão dentro de si. Têm. São humanas também.

Também têm frustrações, pensamentos negativos. Também sentem raiva, também se sentem derrotadas. Por vezes. Todos sentimos isso, em algum momento da nossa vida. Em momentos. A escuridão também existe, a escuridão também é normal.

O que não é normal, o que não é saudável para nós, é que nos apeguemos a essa escuridão. Que nos agarremos a ela como se fosse a única forma de viver.

As pessoas luz procuram a luz. Porque sabem que não é fácil mantê-la. E que a escuridão tem um lado sedutor, que nos quer agarrar a ela quando a encontramos.

As pessoas luz não são iluminadas. Procuram manter-se iluminadas. Procuram repetidamente o que as acenda. Procuram acender os outros, e também quem as acenda.

Acendamo-nos uns nos outros e sejamos todos, cada um à sua maneira, pessoas-luz.

© Isa Lisboa

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Acender uma vela na escuridão

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Em tempos que falta a luz, resta-nos acender uma vela, para cortar um pouco da escuridão.  Para nos permitir ver que ainda há um caminho, mesmo que não seja tempo de caminhar.

Acender uma vela em nós mesmos pode revelar-se a tarefa mais difícil que encontramos. Mas só assim saberemos o tamanho da escuridão.

E a escuridão dá medo, lembrando quando éramos crianças e os monstros se escondiam, à noite, nos cantos mais escuros da casa.

Crescemos, e a escuridão passa para aqueles momentos da vida em que tudo parece impossível, irreal e surreal.

Mas na verdade, a escuridão é a perda da esperança e a perda da fé em nós mesmos.

E a escuridão é também a cegueira de não querermos olhar para nós mesmos e ver. Ver os passos que demos e nos levaram ali. Ou os passos que não demos agora para sair.

Porque é preciso muito mais coragem para aceitarmos a nossa quota-parte no nosso destino, do que o é para amaldiçoarmos a escuridão.

Aquele canto escuro, onde nos escondemos, enrolados sobre nós próprios, com pena de nós mesmos… Esse canto, é a verdadeira escuridão, a que escondemos dentro de nós.

E se nos apegarmos demasiado a esse canto, facilmente nos esquecemos de que a escuridão não existe sem a luz: antíteses complementares que se completam.

Basta um passo, basta lembrar, acreditar. Acreditar na luz que nunca se extingue. Mas também acreditar na escuridão que sempre a acompanha.

E, sobretudo, acreditar, lembrar, assumir, que a escolha entre uma e outra, é sempre e só, apenas tua. Em cada momento, em todos os momentos. Não escolhes só uma vez, porque a vida está sempre a pôr-te à prova.

A vida põe-te à prova para que possas reclamar um prémio: a tua essência, o teu ser mais puro, quem tu és. A vida põe-te à prova para que te descubras. E para que quando te encontres te possas reinventar. Hoje, amanhã, quando for.

O que vais escolher, agora?

© Isa Lisboa

Bookshelf – meu gato, meu guru

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Quem tem ou já teve gatos, vai identificar-se com cada um dos conselhos deste livro. Vocês, como eu, sabem que os gatos são grandes mestres, não é?

Quem nunca partilhou a casa com um gato, pode retirar também conselhos sábios deste livro. E, quem sabe, ficar com vontade de adoptar um gato! 

© Isa Lisboa

 

Para quem ficar com vontade de adoptar um gato, deixo o link para algumas instituições que cuidam de gatos abandonados e onde podem encontrar um animal.

Abrigo do gato

União Zoofila

Gatos da vila

O que ouves no silêncio?

“O silêncio é uma qualidade divina, que só é apreciada e compartilhada quando é tão real que você não precisa falar muito.”

Horácio Graça

Imagem: Horácio Graça

Talvez seja por isso que tememos tanto o silêncio, especialmente nestes tempos de comunicação instantânea. Talvez seja por isso também que tanto procuramos o silêncio.

Estamos cercados de várias formas de comunicação e cada vez comunicamos menos. É um cliché que convém ser repetido e repetido. Para que a comunicação não se torne uma recordação.

Algumas pessoas não conseguem estar ao pé de outra em silêncio. Sentem uma espécie de obrigação de dizer algo. Preencher os espaços vazios. Preencher o espaço de voz, assim como preenchemos um post de uma rede social com “likes” ou com comentários.

Mas se numa rede social a ausência de “som” é suspeita de que não és ouvido(a); quando estamos frente a frente, isso nem sempre é verdade.

Porque por vezes só precisamos ser ouvidos. Não precisamos necessariamente ouvir. Por vezes, o silêncio diz tudo. Diz “Estou aqui”. Diz “Eu compreendo”. Diz “Eu aceito”. Diz “Desabafa”.

É por isso que encontrar alguém com quem podemos compartilhar o silêncio é algo poderoso. Indeed, divino, até!

© Isa Lisboa

Poesia Dissolvida

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Imagem: http://www.pixabay.com

Caminho lentamente

Por esta casa,

Estas quatro paredes

Caminho lentamente

Conto os passos que ficaram

Me trouxeram aqui

Vejo como se desvanecem

No passado

Que já não sou

Já não quero

Não escrevo mais.

Deito-me no silêncio

O cansaço apodera-se

Calo os ecos, os gritos

As lágrimas.

As lágrimas voltam.

Às vezes voltam.

O chão está frio

E pergunta-me do presente

Que presente é este?

Escapo à realidade

Mas volto sempre

Finjo-me

Apenas.

Por momentos. Finjo-me.

Podia ser.

Mas agora estou aqui.

Não posso fingir sempre.

Também tem que doer.

O chão está frio

Mas é Aqui.

É Agora.

Sou. Sinto. Estou.

Levanto-me.

Caminho lentamente.

Para lá da porta que abri.

Caminho.

© Isa Lisboa

Imaginação de Einstein (E outras divagações)

“É mais importante ter imaginação do que conhecimento.”

Albert Einstein

Sem dúvida que o conhecimento é importante. Sem ele, o mundo não conheceria o progresso, as revoluções científicas.

Alguns argumentarão que, sem o conhecimento, ainda viveríamos em cavernas.

Mas também me parece que foi a imaginação que nos tirou de lá.

Devem ter existido mentes que imaginaram uma vida diferente da de sobrevivência diária. Uma vida diferente de caçar ou ser caçado.

E deve ter havido quem se atreveu a testar essa imagem imaginada. Essa vida utópica, que a tantos parecia impossível.

Essa coisa de “ser feliz” devia parecer ainda mais estranha no tempo das cavernas. Mais estranha do que é hoje.

Sim, porque ainda hoje nos sentimos tentados a acreditar que, ou caçamos ou somos caçados. Que ganhamos ou perdemos.

Mas ganhamos o quê? Que prémio é esse? Sabes qual é esse prémio pelo qual tanto lutas? Esse prémio em nome do qual te esqueces de ti, dos teus valores, dos teus desejos? Esse prémio em nome do qual passas por cima de todos os que são fracos (ou assim os julgas tu)? Sabes?

Quando corres, sabes para onde? Sabes se realmente vale a pena correr e se queres até correr? E se estiveres a correr só por habituação? Ou porque julgas que tens uma meta a cortar?

Pois é, essa coisa de ser feliz ainda parece meio estranha. E custa pôr o nariz de fora da caverna, não é?

Divago? Ah, imaginação a mais.

Dirão alguns. Dirão alguns, de lá de dentro da caverna.

© Isa Lisboa

TEDx ULisboa – Insights sobre e com a palestra de Catarina Holstein

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Catarina Holstein, TEDx ULisboa

Catarina Holstein decidiu um dia despedir-se do seu trabalho. Entre as suas opções estava fazer um MBA. Mas decidiu fazer antes um MLA – Masters in Life Adventures. Viajando pelo mundo, aprendeu muitas coisas novas e fez assim o seu Mestrado.

Desta “aula” retive duas ideias que acho muito importantes.

A primeira é de que não é necessário viajar pelo mundo para nos auto-conhecermos. Mas para nos auto-conhecermos temos que arranjar tempo para.

Assim como precisamos de tempo para conhecermos bem outra pessoa, também precisamos de tempo para travar conhecimento connosco mesmos. Precisamos construir um relacionamento sério connosco mesmos. E isso leva tempo.

A segunda ideia foi sobre o mestrado ideal. Cada um pode encontrar o formato do seu Mestrado para a Vida. Tudo começa em decidir fazê-lo e acaba em fazer os nossos talentos florescer, e depois partilhá-los.

Catarina fez do mundo a sua sala de aulas. Mas nós, cada um de nós, pode fazer da vida o seu professor.

© Isa Lisboa

TEDx ULisboa – Insights sobre e com a palestra de Daniel Caramujo

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Daniel Caramujo, palestra no TEDx ULisboa

Estudante de psicologia, Daniel Caramujo, falou-nos sobre um tema cada vez mais atual: a solidão.

Relembrou-nos de que todos nós já nos sentimos sós em algum ponto da nossa vida. E isto quer dizer que todas as pessoas à nossa volta já se sentiram sós em algum ponto da sua vida.

Continua o Daniel a dizer que, por isso, sabemos reconhecer a solidão dos outros. Mas que raramente tomamos a iniciativa de contactar com os outros e “interromper” essa solidão. Mesmo quando nós próprios estamos sozinhos.

Lembrou o nosso hábito português de dizer “Temos de combinar qualquer coisa!”. Dizemo-lo muitas vezes, mas fazemo-lo poucas.

Fica o desafio, para mim também, de combinar qualquer coisa mais vezes!

© Isa Lisboa

TEDx ULisboa – Insights sobre e com a palestra de Leyla Acaroglu

Leyla Acaraglu foi falar sobre um tema importante para todos: o ambiente. Em particular, destaco uma característica que foi enfatizada na palestra: a sua raridade.

Leyla lembrou-nos como conseguimos facilmente colocar um valor em bens de consumo, em algo que nos dá status. Achamos que um diamante é raro.

No entanto, não paramos para pensar no valor que tem uma abelha ou uma árvore. Em que o que é raro é um animal em extinção.

Uma abelha sem a qual a vida não existiria. Uma árvore sem a qual não poderíamos respirar.

Esta é de facto uma questão enorme, na qual deveríamos pensar cada vez mais. Qual o valor que damos ao ambiente?

Leyla defende que todos podemos fazer algo pelo planeta.

O que está cada um de nós a fazer? Neste momento?

© Isa Lisboa

Deixo uma outra palestra da Leyla Acaroglu: