Amanhã

Amanhã vai ser como uma manhã de Abril. Vou renascer. Vou abrir os olhos e inspirar, tal como se fosse a primeira vez. Com curiosidade e com vontade de agarrar tudo aquilo que de novo se me apresenta.
Enquanto o mundo renasce, também eu vou reinventar-me.
Não, talvez o mundo não renasça amanhã, não é mesmo Abril; é quase Inverno. É suposto a vida dormir e não renascer…
Mas o mundo é cheio de surpresas. Segue os seus ciclos, mas ainda assim surpreende-nos.
Não obstante, amanhã é o meu dia. Não sei se estou preparada. Até acho quer não. Tenho borboletas no estômago. Devem ser pássaros, que as asas batem forte. É a antecipação. A antecipação que comprova que amanhã é dia.
Podia encolher-me num canto ou fugir para longe. Parte de mim, quer fazê-lo. Continuar assim. É confortável. Seguro.
Mas a outra parte de mim sabe que não dá. Não dá para virar a cara, todo o meu corpo quer avançar, todo o meu corpo quer que seja amanhã. Não sei o que me traz amanhã. Mas sei que é novo e que o preciso.
Talvez os sons, as cores, os cheiros pareçam demasiado a início e me assustem.
Mas depois vão tornar-se descobertas. E eu gosto de descobrir. Pegar, tocar, cheirar, ouvir, saborear.
Está na hora de voltar a descer para o mundo. As convulsões já as sinto. É a vida a avisar-me que vou renascer.
Amanhã vai ser como uma manhã de Abril.
 

© Isa Lisboa

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