Four kings carry a case

Gilbert Williams ‘Valley of the Suns’ (1975). Image from Celestial Visitations- The Art of Gilbert Williams (1979)

Foto: Gilbert Williams ‘Valley of the Suns’ (1975). Imagem from Celestial Visitations – The Art of Gilbert Williams

 

What can

Four kings carry

Such care

Such respect

Four king carry a case

It’s weight does not

Bow them

Some would say

The case carries them.

The four kings who walk at the same pace.

Each has it’s crown

If you’d ask them

They would tell

“I have no kingdom

I have no subjects”

Why, some would find it odd

“I can’t possess nothing

Nothing can possess me

I am my Brothers and Sisters

I am this Case

This Case is within me

It is me”

And some will start

Slowly understanding them

Seeing them

Feeling them

Knowing they are

Brothers and sisters

Of them too

A part of the Case they carry.

They will want to call them

By their name

Who are you, mighty  kings and queens

They will ask!

At one voice they will reply:

“Earth, Wind, Water, Fire

We protect Gaia

And Gaia protects us

We are one and the same

We are you

And you are us

I can’t possess nothing

Nothing can possess me.”

And so, through the ages

Four kings carry a case…

© Isa Lisboa

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Irmão-Fogo

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Imagem: Autor não identificado

Irmão-fogo

Vem, estou pronta para ti

Sei que a dor me espera

Assim é deixar ir

Mas sei também

Que abençoada é a tua cinza

É dela que a Fénix renasce

O que outrora foi lágrima

Agora será força

Dos joelhos caídos no chão

Guardo a humildade

A mão que se estendeu

Entrego-te de vez a cicatriz

Queima-a nas tuas brasas

Incandescentes e renovadoras;

Irmão-fogo

Entrego-me ao teu poder

De braços abertos

E de peito a querer ser livre

Não mais seguro o grito

Não mais escondo a cara

Entre mãos que não são minhas.

Aqui me tens, Irmão-Fogo,

Entro em tuas chamas

De violeta me inundas

Consumirás o que está a mais

Nada sobrará

Para alem do que Sou!

© Isa Lisboa

Irmã-Água

Kawika Singson, Men at sea

Foto: Kawika Singson, Men at Sea

Irmã-Água

Oiço-te

Sei-te plácida a correr nos regatos

E de voz poderosa

A descer das cascatas

Como me sabes cantar

A estas facetas da minha alma

Que em mim giram

Se cruzam

Se tropeçam por vezes

Por eu não as saber entender

Ver em toda a sua plenitude.

Oiço-te harmoniosa

Chamas-me.

Porquê resistir? Não sou livre

Mas quero ser

E tu, minha irmã

Hás-de ensinar-me a ser como tu

A correr ao longo das margens

A contornar os seixos

Mas a galgá-los decidida

Quando preciso for.

Hás-de ensinar-me

A ser rio a correr para o mar

Ser água que procura água

Doce que não tem medo do sal

Sabes que se completam

Que na essência serás sempre

Tu

Água pura, livre e cristalina

Liberta-me

E assim também serei eu!

© Isa Lisboa

Pai – Vento

miguel angel recoba

Imagem: Miguel Angel Recoba

Pai-Vento

Abraça-me com a tua força

Envolve-me com a tua brisa

Percorre a minha pele

E arranca as células mortas!

Já não as quero

Preciso de lugar

Para a minha nova pele

A que meu peito inquieto

Adivinha e anseia.

Sem querer ver

Tenho calado meus ouvidos

A esse teu murmúrio

Que em todo o meu corpo

Se vem tornando grito.

De braços abertos te peço

Leva!

Leva tudo, para longe

Para os confins da Terra

Liberto-me a ti, Pai-Vento

Descalça dos meus medos

Despida de passado e de futuro

Quero agora abrir os braços

Sei que o redemoinho

Que me ofereces

Já não é a tempestade que criei

Nela só poderei voar!

© Isa Lisboa

Mãe-Terra

Amalia Iuliana Chitulescu

Foto: Amalia Iuliana Chitulescu

Mãe-Terra

Em teu regaço me rendo

Ao teu abraço entrego

O que meu peito

Não mais precisa

Liberto

Estas emoções gastas

Estas recordações dolorosas

Que sem ver

De sal forte temperei.

Deixo-as sair, uma por uma

Peço-te, Mãe Terra

Leva-as

Até às tuas profundezas desconhecidas

Banha-as no teu calor

Dessa tua forja intemporal

Nova vida hão-de renascer

Para onde as levares

Sal da vida hão-de ser.

Mãe-Terra

De peito aberto sigo

Confio que teu abraço

Continuarei a sentir

E que por mais que voe

As minhas raízes estarão em ti

Até que me acolhas

Até que seja este o meu lugar

E quando enfim

O Universo souber

A tua centelha em mim

Continuará a brilhar.

© Isa Lisboa