TEDx ULisboa – Insights

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No dia 04/05/19 fui assistir às TEDx ULisboa. O tema era encontrar o verdadeiro Norte. Entre palestras performativas, histórias de vida e histórias da vida, foi um dia inspirador. Porque ouvi histórias inspiradoras. Algumas de dor e superação.

Perante histórias como as que ouvi é fácil sentir-me por momentos pequenina. Sentir que a minha dor é pequenina.

Mas de repente ocorreu-me que é essa uma forma de me sentir vítima.

E isso, descobri já há muito tempo que não sou.

E às vezes dói. E, fazer de conta que não dói, não resolve nada. Só mascara. Por isso, às vezes dói. Só que não fico ali, onde dói, parada, abraçada à dor. Isso é que não ajuda ninguém, especialmente a mim!

O que quero dizer é mais ou menos isto:

A tua dor é só tua. E só tu sabes quanto dói. E é natural que por vezes te sintas na *****. Mas não é natural que fiques a chafurdar por lá. Porque tu consegues muito mais que isso.

Eu sei que consegues. E tu também sabes que consegues!

© Isa Lisboa

(Nos próximos dias, publicarei mais alguns insights que tive durante as palestras deste TEDx. Se quiseres saber um pouco de como foi, passa por cá!)

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Qual a velocidade do teu piloto automático?

Lembro-me de ter visto no Facebook um post cómico, com uma imagem que dizia algo como “Amanhã, das 10h às 12h, estarei a vender limonada, à porta da minha casa. Preço: 1€ por copo.” Seguiam-se comentários como: “Quando?”, “Onde?”, “A que horas?”, “Qual é o preço?”.

Este era um post cómico, mas que é, na verdade, bastante real. Vejo muitas vezes este fenómeno, de ver, ler e ouvir em cruz, sem realmente absorver a mensagem, sem se dar tempo de a entender.

Nas redes sociais, já o vi várias vezes em páginas e grupos. Já me aconteceu ter comentários na minha página em que percebi que apenas a primeira frase tinha sido lida e, por isso, a mensagem do texto havia ficado perdida no éter social.

Mas se as redes sociais nem sempre espelham a vida, também podem ser um micro-cosmos dela.

Parece-me ser este um dos casos. Viver em piloto automático é tentador. A sociedade actual incentiva-o. Precisas fazer, e fazer instantaneamente.

Temos muitas opções de fast food, mas assim como podemos escolher o alimento para o corpo, também podemos escolher o alimento para a mente e para o espírito.

Pergunta-te a ti mesmo(a): queres alimentar a mente e o espírito com comida pré-cozinhada e pronta para o micro-ondas? Ou preferes uma refeição acabada de fazer, ainda que te dê mais trabalho?

Em função da tua resposta, escolhe a velocidade do teu piloto automático.

© Isa Lisboa

Bem vinda, Primavera!

Hoje é o primeiro dia de Primavera. O frio começa a ir embora e o sol fica mais tempo durante o dia. A vida começa a despontar, no verde, nas cores das flores. 

A Primavera sempre foi a minha estação do ano. Talvez porque tenha nascido com ela. Sempre que ela chega, sinto um reinício a prometer chegar, a luz a a aquecer o meu corpo e a iluminar a minha alma.

Bem vinda, Primavera!

Isa Lisboa

Consumir(-te) antes do prazo de validade

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A nossa sociedade gosta de colocar prazos de validade. E não falo dos iogurtes, dos sumos, dos enlatados e dos congelados.

A nossa sociedade gosta de colocar prazos de validade às pessoas. A mim, A ti.

Tens que fazer isto até aos 20, aquilo até aos 30, ai de ti que passes dos 40 para aquela outra coisa, aos 50 não podes mesmo fazer isso, aos 60, faz muito pouco e, a partir daí, cuidado, cuidadinho, que a idade pesa-te e a tua já é para teres juízo.

Se sais dessa linha, és tola. Se decides, aos 40, mudar de vida, és doida; se aos 60 ressuscitas um sonho, és mesmo doida.

Se, em qualquer idade, fazes algo que “já não é para a tua idade”, és ridícula. És ridícula porque isso não é para a tua idade. És ridícula, porque já passaste a validade e ainda assim, insistes.

Insistes em viver, em seres tu, em procurares o que te faz feliz. Insistes em não te acomodares. Em não te acostumares com o que não queres. Insistes. Passas o prazo da validade. Passas o prazo da validade da sociedade.

Usas roupas ridículas, unhas ridículas, cabelo ridículo, tens um riso que incomoda tanta gente. Seres feliz incomoda muita gente. Teres as tuas próprias opiniões incomoda tanta gente.

Mas tantas pessoas incomodadas com o teu prazo de validade, outras tantas sorriem contigo. Outras tantas ficam felizes por verem os outros felizes. Mesmo que tenham um prazo de validade diferente do seu.

Saboreio a vida sem olhar para o prazo de validade que alguém me impôs. Porque se eu me restringir a esse prazo de validade, acabo por me consumir, dia por dia. E ao fim de um tempo, não serei eu quem perderá o meu prazo de validade. Será a vida. Será a minha vida que perdeu o prazo de validade, e eu nem terei dado por isso!

© Isa Lisboa

 

Imagens: http://www.pixabay.com

Amor

Fevereiro é o mês do Amor. Ontem foi dia dos namorados. Dia de celebrar o amor, fazer votos, declarações, dar mimos, carinho, demonstrar amor. É um dia bonito. Celebramos o amor romântico, que preenche uma parte da nossa vida.

Mas hoje, gostaria que reflectisses sobre outro amor: o amor-próprio. 

Pergunta-te: prometes amar-te, respeitar-te e cuidar-te, hoje e todos os dias da tua vida?

© Isa Lisboa

Desafio dos 10 anos

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Circula nas redes sociais o desafio dos 10 anos – 10 year challenge – que desafia a que se publique uma foto actual, comparando com uma de há 10 anos atrás.

Isso fez-me pensar sobre o que andava eu a fazer há 10 anos atrás.

Fui realmente procurar fotografias e chamou-me a atenção uma, tirada numa “road trip” pela Irlanda, em que examinava um mapa de estradas.

Além dessa, ainda fiz outras viagens nos últimos 10 anos. Conheci mais lugares. Conheci pessoas. Fui loira, ruiva e até morena durante uns meses. Li muitos livros. Escrevi e editei o meu primeiro livro. Aprendi muitas coisas novas, especialmente sobre mim mesma. E comecei a partilhar o que aprendi. E a aprender mais, desta forma.

Nos últimos 10 anos, ri e chorei. Caí, esfolei os joelhos e cresci com isso. Enfrentei a dor, senti o seu sabor amargo, mas não deixei que ela se entranhasse em mim. Vivi coisas grandes, mas aprendi a enormidade das pequenas coisas. Conheci o sucesso, mas também a derrota e percebi que tantas vezes eles se confundem um com o outro.

Nos últimos 10 anos, permiti-me ser criança mais vezes e com isso percebi que cresci.

Também fui mais vezes adulta, além de pagar as contas; na parte de manter contas certas com a vida.

Nos últimos 10 anos, cresci, amadureci e sou mais Eu. Sem dúvida!

© Isa Lisboa

Vem aí mais uma passagem

Aproxima-se mais uma passagem de ano. Muitos deverão estar a preparar a festa e muitos, também, estarão a preparar os seus rituais de passagem de ano.

Eu também costumo fazer alguns pequenos rituais, alguns por ter adoptado tradições, outros por os ter começado a criar por mim e para mim mesma.

Um dos rituais é uma auto-reflexão sobre o ano que passou, sobre o que aprendi e sobre como cresci enquanto pessoa, nos vários aspectos da vida. Também essas reflexões costumam vir acompanhadas de uma espécie de resoluções de ano novo, em que me propunha objectivos. Objectivos não apenas do mundo material, mas também objectivos emocionais e espirituais.

Suspeito que hei-de retomar estes rituais, mas agora, neste exacto momento em que escrevo estas palavras, não me apetece. Não me apetece fazer balanços, nem objectivos, nem contar badaladas.

Apetece-me apenas aproveitar este tempo de pausa, ver a lareira a crepitar e ouvir o vento do Inverno. Apetece-me apenas ficar a ver o ano 2018 a despedir-se com um sorriso e 2019 a chegar com outro sorriso.

“All is yet to come”. O futuro está sempre à espera de acontecer.

Vem.

© Isa Lisboa

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Carta do Pai Natal

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Este texto foi escrito originalmente para o blog Tubo de Ensaio, e descreve uma carta que o Pai Natal poderia escrever-nos!

Oh, Oh, Oh!
Olá, meninos adultos!!
Lembram-se de mim? Não, não estou a falar da figura no centro comercial, ou nos filmes de Hollywood ou impressa nos papéis de embrulho para o Natal…
Pergunto se se lembram de mim, o pai Natal, aquele a quem escreviam cartas a pedir um presente, o que estacionava o trenó no telhado e descia pela chaminé abaixo. O velhinho das barbas, eu mesmo!
Eu sei que alguns de vocês se lembram de mim. Vocês, que sorriem quando vêm as luzes de Natal a acenderem-se. E vocês, que voltam a ser crianças quando fazem a árvore de Natal e enquanto escolhem os enfeites. E vocês, que ao oferecerem presentes no Natal, sentem aquele calor no coração, igual ao que eu sinto na noite de Natal.
A vocês, eu poderia escrever, mas eu sei que vocês sabem que eu vos visito todos os Natais, e que vos deixo algo para afagar esse espírito que têm no coração. E vocês sabem também que estão dentro do meu coração.
Na realidade, esta carta é para os meninos adultos que já não se lembram de mim e, especialmente, para aqueles que nunca me escreveram.
Talvez alguns de vocês já se achem grandes demais para acreditar no Pai Natal e por isso não queiram perder tempo com todas essas coisas.
Bom, confesso-vos que isso me deixa um bocadinho triste… Porque o vosso lado criança é uma das melhores coisas que existem dentro de vocês. Não se lembram como eram felizes quando podiam ir brincar ou quando acreditavam que criaturas mágicas se escondiam no vosso jardim ou no vosso quarto? Lembram-se do que sentiam no Natal quando ouviam o “Oh, Oh, Oh”? Bem sei que agora há a azáfama toda, a correria para comprar todas as prendas antes do dia 24 – algumas no dia 24 – a preocupação a olhar para o extrato do Multibanco antes de ir comprar a seguinte. E depois, ainda falta comprar a comida para a ceia de Natal e preparar tudo. E, e, e…
E se parássemos só por um bocadinho? Pergunta-te: porquê toda essa preocupação? Não podes comprar o presente caro que querias? A pessoa a quem ias comprar vai ficar triste? Tu ficarás triste? Porquê? Já te perguntaste? Experimenta, pelo menos este ano, uma coisinha: compra o presente que podes comprar, mas compra algo que sabes que a outra pessoa vai gostar. Pode até ser algo simples. Se não puderes comprar, faz-lhe algo. Aposto que vai ser uma prenda ainda mais especial.
E, acima de tudo, não te esqueças do mais importante de tudo: ao ofereceres o presente, acompanha-o de um abraço sincero, sentido.
Se não puderes comprar ou fazer mais nada, esse pode até ser o único presente. Pode parecer-te pouco. À outra pessoa pode também parecer pouco a princípio. Mas… e se eu disser que esse presente irá deixar uma marca mais duradoura que qualquer um que possas embrulhar? Parece-te estranho, eu sei. Mas porque não tentas? Mas tenta de coração aberto, de outra forma não me darás oportunidade de mostrar que tenho razão.
Peço-te apenas um pequeno acto de fé. E nem é em mim, é em ti.
Depois me dirás… Ou não digas, se não o quiseres. Guarda o que sentires para ti. Mas depois não te esqueças desse pequeno fogo que te aqueceu o coração. E busca-o no resto do ano. Chama-o tantas vezes quantas as que quiseres e conseguires…!
Talvez no próximo ano já acreditem um pouco mais em mim. Ou talvez não. Mas eu ficarei feliz se já acreditarem um pouco mais em vocês!
Vou aproveitar ainda esta carta para falar também com outros meninos-adultos. Aqueles que não gostam das prendas que recebem e que, por isso, já desistiram de mim.
Entendo que às vezes seja frustrante pedir uma coisa e receber outra. Mas, sabem, eu gosto de dar prendas úteis. Úteis no sentido de ajudarem a conseguir algo – que devem sempre ser vocês a conseguir – ou no sentido de vos ensinarem algo.
Sei que não é assim que se entendem alguns presentes, à primeira vista. Mas agora que leram esta revelação, digam-me lá se, olhando para trás, não receberam presentes que traziam estas benesses atrás?
É esse o meu desafio: da próxima vez que receberem algo de que não gostem tanto, perguntem a vós mesmos o que pode aquele presente ensinar-vos ou trazer de bom, ao fim de um tempo!
E, finalmente, ainda há quem, por vezes, receba o famoso pedaço de carvão. Pois é, parece um presente pequeno, inútil e sem graça. Ainda por cima é associado aos meninos que se portam mal. Mas eu tenho a dizer-vos que não é essa a intenção. Eu não quero castigar-vos. O pedaço de carvão é apenas uma mensagem… Se um pedaço de carvão está apagado e sem vida, também é verdade que ainda não é cinza. E que com um pedaço de calor e um pouco de fogo, voltará finalmente à vida e ele próprio a produzir fogo e calor. E assim são também vocês. Assim somos todos nós, com o potencial de sermos chama viva. É esse o desafio que vos deixo, caso encontrem um pedaço de carvão no sapatinho: que o reavivem com a vossa luz. E não me digam que não a têm, porque têm! Pode até estar diminuída e mal se ver, mas não está extinta. E basta um pequeno sopro para que ela se reavive.
E isto vale para todos vocês, meninos-adultos. Mesmo para os que não receberam carvão. Nunca se esqueçam da vossa luz!
E para que ela se fortaleça, já acendi a luz do Natal e mando-a para todos, para que ilumine o vosso coração e lá viva durante todo o ano!
Feliz Natal!

S. Nicolau

© Isa Lisboa

Quem ganhou a discussão?

Há algum tempo, numa loja, presenciei uma discussão entre mãe e filha. Estava na caixa e no balcão elas tinham dois vasos de flores. Quando a funcionária da loja passou o código de barras, aperceberam-se de que o preço das plantas era diferente. De imediato, a mulher mais nova reclamou. A funcionária da loja explicou que uma das plantas era, efectivamente mais cara, e que até poderiam confirmar, pois as plantas estavam expostas na caixa ao lado.

“Então não levamos!” – respondeu logo a primeira. Mas a mãe reagiu de imediato, pegando logo no vaso e dizendo “Não, não, mas eu quero levar esta planta, porque gosto dela.”

A discussão teve mais algumas trocas de palavras, em que a filha opinava que era uma estupidez levar uma planta tão cara, e a mãe opinava que ia levar na mesma.

Fiquei um pouco a observar esta troca de palavras e a pensar o quanto aquela discussão não tinha nada a ver com a planta propriamente dita.

Pareceu-me antes ser uma disfarçada luta de poder, uma luta para ter razão e impor a sua própria opinião.

Talvez a mãe não gostasse assim tanto da planta e noutras circunstâncias não a levasse. Talvez a filha não achasse o preço assim tão elevado e noutras circunstâncias até a comprasse para a mãe.

Talvez. Não posso saber. Mas o que acredito é que, naquele momento, o Orgulho foi quem ganhou a discussão.

© Isa Lisboa

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“És feito daquilo que amas!”

“És feito daquilo que amas!”

Esta frase “entrou-me pelos olhos adentro” enquanto conduzia numa rua de Lisboa. Estava escrita num outdoor, era um slogan publicitário sobre a cidade.

À parte a publicidade, a frase chamou-me a atenção, pela sua verdade simples e abrangente.

Por um lado tudo aquilo que amamos, acaba por nos ajudar a definirmo-nos. Mas também, e principalmente, aquilo que amamos é o que nos faz viver uma vida plena, é o que nos faz levantar da cama e adormecer à noite em paz.

Ter na nossa vida algo que nos apaixona, algo que nos entusiasma, que faz sentir aquela pequena ou grande adrenalina, é algo que para mim é essencial.

Nem sempre conseguimos dedicar-nos a esse amor tanto quanto queremos, os desafios diários parecem uma constante interminável.

Mas se esquecermos essa parte de nós – a que se entusiasma, a que vibra, a que quer fazer, avançar, criar – aí criamos mais tempo. Mas criamos mais tempo para outros desafios diários, para mais stress. Stress não é apenas ter muitas coisas para fazer. É, acima de tudo, ter que as fazer sem prazer, por obrigação, porque alguém nos está a pressionar ou porque nós próprios nos estamos a pressionar. E tudo isso só nos suga a energia. Só nos vai subtraindo, um pouco a cada dia.

Por isso é tão importante que encontres – e faças – espaço para aquilo que mais amas.

Porque aquilo que amas é quem tu és.

© Isa Lisboa