Peças do (Eu)Nigma #1 – O Fit

Há uns tempos atrás, li uma frase que ficou meio impressa na minha memória. Dizia algo como “agora que chegaste aos 40, podes achar que já sabes tudo sobre ti mesma, mas ainda tens muito a descobrir!”
A frase foi recebida por mim como uma espécie de aviso.
Se era verdade que achava que ainda tinha coisas a aprender sobre mim mesma, também era verdade que, naquele momento, não estava à espera de encontrar grandes surpresas.
Mas, por alguma razão, surpresas eram o que aquela frase me prometia, naquele momento.
E cumpriu a sua promessa.
No último ano e meio da minha década de 40, tenho vindo a descobrir novas peças do (Eu)Nigma.
Uma delas comecei a descobri-la no início do ano e fui-a investigando melhor durante a quarentena. Vou chamar-lhe o (Eu)Fit.
Há cerca de um ano decidi perder os 15kg que se tinham instalado nos três anos anteriores. Começava a sentir os efeitos do excesso de peso no meu estado físico em geral, desde sentir-me mais cansada, até sentir pequenos sinais ao nível dos músculos.
Identifiquei duas medidas para começar a caminhada para os menos 15. Uma delas foi, literalmente, começar a fazer algumas caminhadas. A outra foi reduzir a quantidade no prato e cortar as refeições pouco saudáveis que lá iam acontecendo com mais frequência que o habitual.
Cheguei aos menos 4.
Mas como o corpo não continuava a responder da mesma forma, decidi intensificar os treinos, além da hidroginástica, que fazia duas vezes por semana.
Após um mês desta experiência começar, eis que fico quarentenada.
Aqui começam as surpresas. Além de nunca ter sido fã de treino, também acreditava não conseguir treinar em casa.
Mas assim como durante o dia transformava a minha sala num escritório, ao final do dia transformava-a num ginásio. Três vezes por semana. Com a orientação de um personal trainer, também a minha despensa se transformou numa fonte de objetos de treino. Pacotes de arroz e de leite, garrafas de água, também se transfiguravam em cargas, quando o ginásio caseiro estava aberto.
Com o levantamento da quarentena, os treinos evoluíram e também as caminhadas evoluíram. Um dia decidi tentar correr. Consegui fazê-lo durante um minuto e meio. Mas claro que não quis ficar por aí. Fui tentando aumentar o tempo progressivamente e, neste momento, o meu recorde é de quase 53m!
E a tal caminhada inicial está nos menos 14. A adicionar uma melhoria a nível de resistência, de energia e da satisfação de conseguir completar treinos que há 9 meses não teria imaginado fazer.
E porque estou a partilhar isto contigo? Para te pedir que tentes. Talvez não saibas se és capaz. Mas tenta. Só assim saberás. E também não te agarres à ideia de que não consegues. Podes surpreender-te, como eu. Podes descobrir que também tens um Eu Fit aí dentro de ti e não sabes.
Tenta. Uma caminhada de alguns passos pode transformar-se numa corrida.

© Isa Lisboa