Circle of Life

We were once beautiful

Knew Mother Earth’s womb

Was Home

Somewhere

The knowledge was lost

That she gave birth to us

To Her we will return

In a never-ending

Circle of Life:

First we must be planted

As tiny seeds

And then burst from the ground

Until we can grow up

As long as our branches

Can be seen

And then,

When we can see the sky

We will also be ready

To be Mother’s of Life.

© Isa Lisboa

 

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Imagem: Autor não identificado

Matemásia

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Uma experiência em “matematiquês”

 

Matemática não é poesia

Disseram-me outro dia

Discordei. Sem esta dicotomia

Aqui eu não estaria.

 

O poeta pediu-me emoção,

O matemático demonstração.

 

Na caneta peguei

Daquela geometria,

Eu lembrei logo,

Em que um círculo é uma recta;

Digam-me se tal exercício

Não é fora da caixa pensar!

E que dizer das paralelas

Que caminham lado a lado

Até ao sem fim,

Nunca se tocando,

Maior amor impossível

Só o Romeu e a Julieta!

E na onda do romance

Ainda aquela equação

Em que x explica y,

Que um não se acha

Sem se achar o outro.

Mais, que maior mistério

O daquele conto

Em que x termina

Tendendo para mais infinito;

Até podia ser

Para menos infinito

O Mundo que fica apenas

Do outro lado.

 

E somando letras

Subtraindo palavras

Assim se faz a metáfora,

Uma rima que divide os versos

Ou até não:

Se uma simples constante

Marca o ritmo do poema

Quando a variável entra

Talvez até em soneto se transforme.

 

Quem pode afirmar ainda

Que matemática e poesia

Pura antítese são?

Duas faces da minha alma

O contradizem

A Emoção e a Demonstração.

© Isa Lisboa

Aritmética temporal

Olhei o relógio e,

Subitamente,

A hora chegou

E no segundo seguinte

Já passou

O tempo que assim corre

Não é percebido

Pelo tolo sentir

Todos os minutos

Foram somados

E a aritmética temporal

Dita, sem dúvidas,

Já todos são

Inevitavelmente

Passado!

Deles resta a memória

Do ponteiro, Tic

Que avança

Vai já ali

Onde há pouco era futuro.

Vens

Ou ficas aí?

 .

© Isa Lisboa

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A luz do trovão

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O trovão só faz barulho porque temos medo dele; mas depois vem a luz.

E porque a luz só momentaneamente nos ilumina, logo nos esquecemos de que o medo nos mostrou a luz.

Ou talvez nos esqueçamos porque vemos o quanto a luz é poderosa, rápida e indestrutível.

E aí fala de novo o medo, temos medo que a luz entre em nós, do que poderá destruir em nós. Ignoramos o coração que nos sussurra que há planícies que precisam ser devastadas, seja pelo fogo renovador ou pela água purificadora.

O medo esconde-nos que o trovão vem do alto, é um grito que no fundo queremos ouvir, o rugido de leão que em nós habita.

Fomos feitos para o ouvir, do início o procuramos, sabemos que também nós somos som que procura o silêncio, para em luz se manifestar.

 © Isa Lisboa

Em maresia

Era manhã e havia orvalho na janela. Havia ainda flocos do sol que nasceu, vislumbrou. Ela estava sentada num banquinho, os braços apoiados na mesa de madeira. A casa ainda dormia, assim como o mundo.

As abas do pijama alvo moveram-se ao ritmo da porta que retiniu. Sabia que não era o vento; e não sabendo ao certo quem esperava, levantou-se para o receber.

Empurrou a porta devagar e entrou, sorriso á frente. Tinha a pele de muitas luas e os olhos de muitos sóis. Estendeu-lhe uma oferta.

Vendo que estava embrulhada em maresia, aceitou-a com cuidado. Quando ia agradecer, viu-o desaparecer calmamente no nevoeiro. Sem entender, entendeu. O presente era para abrir.

Encontrou um par de asas, que lhe serviam na perfeição.

Agora já era noite, mas ainda assim levantou voo. Voou na direcção do mar, porque não?

O cheiro da maresia guiava-a e a memória de casa persistia. Não era uma memória vã, era mais antiga que ela própria, e só para a lembrar, acordara nessa manhã.

Voou até ver. Quando viu, soube, e quando pousou os pés na areia, já não era manhã, nem noite.

 

© Isa Lisboa

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Imagem: Mila Marquis

Imagem: mila_marquis-1068×1068

 

Your eyes

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Foto: Google

(Poesia a duas canetas) por Nuno e Isa

Your mysterious eyes

Your eyes are like a rainbow

Full of colours and life.

Your eyes are like the skies

Full of brightness and infinity

Your eyes are like the ocean

Full of power and emotion

Your eyes are like the sun

Full of light and fun

Your mysterious eyes…

 

Your eyes see mystery

In mine

And they read them

As if they were a beautiful story

Your eyes

Tell of sweet embraces

That I am safe in your arms.

Your curious eyes

They discover me, slowly, delicately.

Your deep eyes

Eyes were I can float

Calm waters, in strong ocean

Your eyes

Touch me gently

They see me

Your eyes, where I dive

With no fear

Your deep, surprising eyes.

 

© Nuno e Isa

Publicado originalmente no Instantâneos a preto e branco

Para além de

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Imagem: pintrest

Insuspeito, por debaixo de uma ferida, algo se esconde. A maior parte das vezes, se não sempre, esconde-se algo de novo, renovador e cheio de boas possibilidades.

É por isso que temos que permitir que a ferida sare.

Para, livres da dor e do que parece ser tão feio, podermos finalmente ver o que se escondia lá debaixo.

© Isa Lisboa

Iludidos, os mortais

E os Deuses a soltaram

À Felicidade.

Iludidos,

Os pobres mortais,

Pensaram que bastaria

Respirar…

E assim a apanhariam

Como se fora um vírus;

Mas que traria antes a vida

Não mais a tristeza que mata

Lentamente.

Iludidos

Pensaram que Tudo

Os Deuses lhe davam.

Não souberam ver

Que a Felicidade é

Um Tesouro

Que temos que encontrar.

© Isa Lisboa

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Imagem: Her Box (Victoria and Albert Museum)

Gigantes

Que maior gigante haverá que aquele que pequeno se vê?

Pois que maior dádiva haverá, que sabendo correr, se abrande a marcha? Se pegue nas mãos que se abrem e se levem ao longo do caminho? O caminho que já se sabe ser belo, mas que outros precisam descobrir. Que maior dádiva, que ver alguém crescer?

Quem se tendo aproximado das nuvens, se volta de novo à Terra, nela finca raízes; porque será que vem, senão para distribuir a luz que descobriu? Que maior generosidade há, que partilhar a felicidade e a glória mostrando o caminho, o caminho ao alcance de todos.

Os gigantes não cabem na terra, e por tal, pequenos nascem, para a todos mostrar como podem crescer. Na escuridão acordam, para lembrar como acender a luz e a outros mostrar a lanterna acesa.

Que maior gigante haverá, que a criança que quer crescer?

 © Isa Lisboa

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