Fate

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Imagem: Tumblr

Your fate

Is written in a language

You have long forgotten

The key

Is meant only for you

The path

Was laid down

For your feet only.

You must claim it.

But first

You need to understand

There’s nothing

To learn of new

Only to remember

Your feet know

Where to walk

And your hands

Where to touch

Your lips

Can speak the words

Your heart wants to give

Let go of your shoes

And walk freely

Along the way

That’s where

Your fate lies!

© Isa Lisboa

Mistérios

Todas as flores têm espinhos, assim como todas as palavras têm silêncios.

Tudo na vida é dual, duas faces da mesma moeda. Como na moeda, um lado só existe com o outro, é preciso aprender a ver o que ambos nos ensinam.

Pois como saberíamos a beleza da flor se não conhecêssemos a dor dos espinhos? Como ouviríamos as palavras ditas, se não tivéssemos já ouvido o silêncio? Como, ora, definir a tese sem a sua antítese?

Assim é com a noite e o dia, um dos sábios ciclos da vida. Um vem a seguir ao outro, um mostrando o que a outra esconde. E como duvidar que um não existe sem o outro: se é a escuridão da noite que permite ver a lua, e as sombras do dia só existem em contraste com a luz do sol?

Nesta dança lado a lado, luz conhecendo a sombra e sombra conhecendo a luz; nesta dança ritmada e perfeita se revelam os mistérios da vida e do Eu.

Um passo de cada vez, à medida que estamos prontos para os entender.

© Isa Lisboa

Adam Martinakis

Imagem: Adam Martinakis

Irmão-Fogo

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Imagem: Autor não identificado

Irmão-fogo

Vem, estou pronta para ti

Sei que a dor me espera

Assim é deixar ir

Mas sei também

Que abençoada é a tua cinza

É dela que a Fénix renasce

O que outrora foi lágrima

Agora será força

Dos joelhos caídos no chão

Guardo a humildade

A mão que se estendeu

Entrego-te de vez a cicatriz

Queima-a nas tuas brasas

Incandescentes e renovadoras;

Irmão-fogo

Entrego-me ao teu poder

De braços abertos

E de peito a querer ser livre

Não mais seguro o grito

Não mais escondo a cara

Entre mãos que não são minhas.

Aqui me tens, Irmão-Fogo,

Entro em tuas chamas

De violeta me inundas

Consumirás o que está a mais

Nada sobrará

Para alem do que Sou!

© Isa Lisboa

Irmã-Água

Kawika Singson, Men at sea

Foto: Kawika Singson, Men at Sea

Irmã-Água

Oiço-te

Sei-te plácida a correr nos regatos

E de voz poderosa

A descer das cascatas

Como me sabes cantar

A estas facetas da minha alma

Que em mim giram

Se cruzam

Se tropeçam por vezes

Por eu não as saber entender

Ver em toda a sua plenitude.

Oiço-te harmoniosa

Chamas-me.

Porquê resistir? Não sou livre

Mas quero ser

E tu, minha irmã

Hás-de ensinar-me a ser como tu

A correr ao longo das margens

A contornar os seixos

Mas a galgá-los decidida

Quando preciso for.

Hás-de ensinar-me

A ser rio a correr para o mar

Ser água que procura água

Doce que não tem medo do sal

Sabes que se completam

Que na essência serás sempre

Tu

Água pura, livre e cristalina

Liberta-me

E assim também serei eu!

© Isa Lisboa

Pai – Vento

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Imagem: Miguel Angel Recoba

Pai-Vento

Abraça-me com a tua força

Envolve-me com a tua brisa

Percorre a minha pele

E arranca as células mortas!

Já não as quero

Preciso de lugar

Para a minha nova pele

A que meu peito inquieto

Adivinha e anseia.

Sem querer ver

Tenho calado meus ouvidos

A esse teu murmúrio

Que em todo o meu corpo

Se vem tornando grito.

De braços abertos te peço

Leva!

Leva tudo, para longe

Para os confins da Terra

Liberto-me a ti, Pai-Vento

Descalça dos meus medos

Despida de passado e de futuro

Quero agora abrir os braços

Sei que o redemoinho

Que me ofereces

Já não é a tempestade que criei

Nela só poderei voar!

© Isa Lisboa

Mãe-Terra

Amalia Iuliana Chitulescu

Foto: Amalia Iuliana Chitulescu

Mãe-Terra

Em teu regaço me rendo

Ao teu abraço entrego

O que meu peito

Não mais precisa

Liberto

Estas emoções gastas

Estas recordações dolorosas

Que sem ver

De sal forte temperei.

Deixo-as sair, uma por uma

Peço-te, Mãe Terra

Leva-as

Até às tuas profundezas desconhecidas

Banha-as no teu calor

Dessa tua forja intemporal

Nova vida hão-de renascer

Para onde as levares

Sal da vida hão-de ser.

Mãe-Terra

De peito aberto sigo

Confio que teu abraço

Continuarei a sentir

E que por mais que voe

As minhas raízes estarão em ti

Até que me acolhas

Até que seja este o meu lugar

E quando enfim

O Universo souber

A tua centelha em mim

Continuará a brilhar.

© Isa Lisboa