Mistérios

Todas as flores têm espinhos, assim como todas as palavras têm silêncios.

Tudo na vida é dual, duas faces da mesma moeda. Como na moeda, um lado só existe com o outro, é preciso aprender a ver o que ambos nos ensinam.

Pois como saberíamos a beleza da flor se não conhecêssemos a dor dos espinhos? Como ouviríamos as palavras ditas, se não tivéssemos já ouvido o silêncio? Como, ora, definir a tese sem a sua antítese?

Assim é com a noite e o dia, um dos sábios ciclos da vida. Um vem a seguir ao outro, um mostrando o que a outra esconde. E como duvidar que um não existe sem o outro: se é a escuridão da noite que permite ver a lua, e as sombras do dia só existem em contraste com a luz do sol?

Nesta dança lado a lado, luz conhecendo a sombra e sombra conhecendo a luz; nesta dança ritmada e perfeita se revelam os mistérios da vida e do Eu.

Um passo de cada vez, à medida que estamos prontos para os entender.

© Isa Lisboa

Adam Martinakis

Imagem: Adam Martinakis