“O Louco” (Gibran Khalil Gibran)

Accept and Deny by Martinakis Adam (r)

O louco, por Kahlil Gibran

“Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:

Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando:

“Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim. E quando cheguei à praça do mercado, um rapaz no cimo do telhado de uma casa gritou:

“É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo.

O sol beijou pela primeira vez a minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava a minha face nua, e a minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais as minhas máscaras.

E, como num transe, gritei:

“Benditos, benditos os ladrões que roubaram as minhas máscaras!”

Assim tornei-me louco.

E encontrei tanta liberdade como segurança na minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.”

O rio

As águas do rio correm violentas. Mas correm para a frente, não posso resistir-lhes. Não quero.

O tempo de estar sentada na margem do rio foi. Mas já não é mais. Há sempre um tempo. Um tempo para cada lugar.

As águas do rio assustam, sei que não as conseguirei controlar, talvez me atirem de uma margem à outra, ao longo do caminho. Talvez me atirem aos seixos do fundo. Mas seguirei. Estou decidida.

Vou chegar, não sei onde, o rio é que sabe. Ao mar, certamente, mas não sei a qual.

Só me interessa que poderei então provar o sal.

© Isa Lisboa

Alexey Zaycev

Imagem: Alexey Zaycev

 

Fate

Vortex_tumblr

Imagem: Tumblr

Your fate

Is written in a language

You have long forgotten

The key

Is meant only for you

The path

Was laid down

For your feet only.

You must claim it.

But first

You need to understand

There’s nothing

To learn of new

Only to remember

Your feet know

Where to walk

And your hands

Where to touch

Your lips

Can speak the words

Your heart wants to give

Let go of your shoes

And walk freely

Along the way

That’s where

Your fate lies!

© Isa Lisboa

O caminho, por Osho

“O caminho é: observe os seus pensamentos e não se identifique com eles.

Simplesmente permaneça um observador, completamente indiferente, nem contra nem a favor. Não julgue, porque qualquer julgamento traz identificação.

Não diga, ‘Estes pensamentos são errados’ e não diga, ‘Estes pensamentos são bons’. Não faça comentários sobre os pensamentos. Deixe que eles passem, como se eles fossem apenas a passagem do tráfego e você está de pé ali ao lado da estrada despreocupado, olhando o tráfego. Não interessa o que está a passar, um autocarro, um camião ou uma bicicleta. Se puder observar o processo de pensamentos da sua mente com tal despreocupação, com tal desapego, não estará longe o dia em que todo o tráfego desaparece… porque o tráfego somente pode existir se você continuar a dar-lhe energia. Se você parar de lhe dar energia…

E isso é o observar: parar de dar energia para isso, parar a energia que se move dentro do tráfego. É a sua energia que faz aqueles pensamentos moverem-se. Quando a sua energia não os está a alimentar, eles começam a cair, eles não conseguem manter-se em pé por si mesmos.

E quando a auto-estrada da mente estiver completamente vazia, você está dentro.

Isso é o que eu quero dizer quando eu digo ‘Vá para dentro’.
E isso é o que Buda quer dizer quando ele diz: ‘Siga a sua natureza’.”

OSHO

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Mistérios

Todas as flores têm espinhos, assim como todas as palavras têm silêncios.

Tudo na vida é dual, duas faces da mesma moeda. Como na moeda, um lado só existe com o outro, é preciso aprender a ver o que ambos nos ensinam.

Pois como saberíamos a beleza da flor se não conhecêssemos a dor dos espinhos? Como ouviríamos as palavras ditas, se não tivéssemos já ouvido o silêncio? Como, ora, definir a tese sem a sua antítese?

Assim é com a noite e o dia, um dos sábios ciclos da vida. Um vem a seguir ao outro, um mostrando o que a outra esconde. E como duvidar que um não existe sem o outro: se é a escuridão da noite que permite ver a lua, e as sombras do dia só existem em contraste com a luz do sol?

Nesta dança lado a lado, luz conhecendo a sombra e sombra conhecendo a luz; nesta dança ritmada e perfeita se revelam os mistérios da vida e do Eu.

Um passo de cada vez, à medida que estamos prontos para os entender.

© Isa Lisboa

Adam Martinakis

Imagem: Adam Martinakis