És um patinho, um cisne, ou…?

13254161_10154327208266055_3123607684567626145_n

É bem conhecida a história do patinho feio. Um patinho bem diferente dos outros, de quem os irmãos se riam e que cresceu triste e a sentir-se sozinho. Até que um dia vê no lago um conjunto de belas e majestosas aves. No final da história, percebe- se que o patinho feio é, afinal, um cisne. Um belo cisne!

Muitas pessoas já se identificaram com esta história em algum momento das suas vidas. Ou seja, já muitas pessoas se sentiram patinhos feios, diferentes, deslocadas, não aceites.
E, lembrando-se da história do patinho feio, anseiam pelo dia em que se tornarão um cisne. Um belo cisne.

Também foi assim que interpretei esta história durante algum tempo. Como a história de um patinho que era feio e se tornou belo.

Mas com o tempo entendi que o patinho só era feio porque não era um patinho. Sentia-se diferente e deslocado porque não estava onde pertencia. Não estava no seu lar e estava a tentar ser alguém que não era. E não se tornou num cisne – apenas percebeu que sempre tinha sido um cisne e decidiu seguir o seu bando verdadeiro.

Não se tornou mais belo. A sua beleza revelou-se e veio ao de cima quando ele descobriu quem era. E quando decidiu aceitar quem sempre tinha sido.

E tu, pronta(o) para descobrires quem és?

© Isa Lisboa

Mas vale a pena…

«Ernest Hemingway disse: “O mundo é um lugar maravilhoso e vale a pena lutar por ele.” Concordo com a segunda parte.»
In filme Seven

“Seven” é um filme sobre o lado cru e feio da vida, no filme simbolizado pelos sete pecados mortais.

Sim, o mundo nem sempre é um lugar maravilhoso. Sim, o mundo tem pessoas que cometem erros, pessoas que lucram de forma indevida, pessoas que agem com agenda própria, lucrando à custa dos outros. Sim.

Mas sim, o mundo também tem pessoas que são solidárias, pessoas que se preocupam. Mas sim, o mundo também tem heróis anónimos.

Por isso, sim, o mundo é um local pelo qual vale a pena lutar.

© Isa Lisboa

1604370_730827566989562_4523467328174876313_n

 

Agora

“O Paraíso é onde estou.”

Voltaire

 

grass-2246134__340

Voltaire, nesta pequena frase, fala-nos sobre o momento mais importante das nossas vidas. Aquele que nunca mais vai repetir-se, que não teremos oportunidade de voltar a viver. E esse momento é este. Agora. Neste instante. Agora.
Em teoria, parece simples. Viver o momento. Carpe Diem!
Mas a verdade é que os vários instantes da nossa vida são povoados por todas as recordações do passado e por todas as expectativas em relação ao futuro.

Como seres cada vez mais rápidos e cada vez mais envolvidos numa sociedade instantânea, temos naturalmente dificuldades em nos desligarmos do que foi e do que será. E temos tendência a deixar que ambos nos envolvam em excesso. Excesso de passado e excesso de futuro. E, nesse frenesim, muitas vezes não apreciamos o momento. Um sorriso que nos dão. Ou um que podíamos oferecer.

Desligamo-nos deste momento, pensando no que aconteceu, como poderia ter acontecido e o que poderíamos ter feito diferente.

E depositamos as nossas esperanças de felicidade naquele futuro, em que tudo será risonho e exactamente como nós queremos.

Mas a verdade é que não conseguimos controlar o futuro, assim como não podemos fugir do passado. Temos que semear o primeiro e aceitar e libertar o segundo.

E, no meio destes tempos, viver o que se nos oferece: o Hoje. Talvez seja bom ou talvez seja mau. Mas é o que realmente temos. Por isso, vivamo-lo.

Afinal, é para viver que estamos cá. É para viver que estamos cá hoje.

© Isa Lisboa

E se Deus fosse um de nós

“E se Deus fosse um de nós, apenas um estranho no autocarro, a tentar chegar a casa?”

Esta é uma das perguntas que uma conhecida música de Allanis Morisette nos faz.
Sempre me fez pensar, esta música. E se, de facto, assim for? Bom, na realidade, eu acredito que assim é.
Percepciono a presença de Deus no vento que aqui passa e na água que corre ao lado. No calor do sol e nas árvores frondosas que agora me protegem dele. Acredito que a presença de Deus está à nossa volta, em todas as manifestações vivas e inanimadas que nos rodeiam a cada passo que damos. Quando respiramos, quando pegamos numa pedra, quando caminhamos com os pés descalços na terra… Se o fizermos com os olhos do espírito abertos, poderemos sentir a Força que a tudo liga, a Roda que tudo movimenta, a Sabedoria que tudo construiu.
E se em tudo existe Deus, porque não pode existir no estranho que se senta à minha frente? Como uma pequena centelha separada e unida algo maior que si próprio.
Somos uma espécie ávida por criar, construir, ser. Mas ainda assim, assusta-nos pensar que o poder da nossa própria vida esteja ao nosso alcance e que possamos estar mais perto de Deus do que as visões do Céu nos permitem.
“E se Deus fosse um de nós, chamá-lo-ias pelo nome?” – pergunta também Alanis?
E se Deus fosses também tu, chamar-te-ias pelo nome?

© Isa Lisboa

 

7962c5310eca3a5d030b98f3af917954 (Pintrest)

Foto: Pintrest

 

E como me alertaram, a música mencionada no post é de Joan Osborne e não de Allanis Morrisete…!

Aqui fica a música, para poderem ouvir e desfrutar!

Eu, pecadora, me confesso

Vou partilhar uma história que ouvi há algum tempo.

Uma mulher estava no meio de uma multidão em círculo. Estava ajoelhada, chorava e pedia piedade. Pedia piedade aos homens que a rodeavam com pedras na mão.

Entretanto, um homem atravessa a multidão, ajoelha-se ao lado dela e ajuda-a a levantar-se. A seguir diz algumas palavras, finalizando com a poderosa frase: “Aquele que de entre vós nunca pecou, que atire a primeira pedra.”

Esta é uma passagem da bíblia amplamente (re)conhecida tanto por cristãos como por não cristãos.

A bíblia descreve que, nesse momento, um por um, os homens começaram a largar as pedras ao chão. Maria Madalena e Jesus ficaram sozinhos, todos os “juízes” se afastaram.

Esta é a história original.

Na história que me contaram, Jesus puxa Maria Madalena por um braço e diz-lhe: “Fujamos daqui, pois somos os únicos pecadores.”

Nesta história, Jesus e Maria Madalena viveriam na era actual.

Ouvi esta história há alguns anos já, mas lembro-me dela muitas vezes, sempre que vejo alguém a pegar numa pedra, resoluto.

Com o aumento da velocidade da comunicação, novas formas de atirar pedras apareceram. Tenho observado algumas nos títulos das notícias do Facebook.

Parece-me que o fenómeno é o que se terá observado na moderna história de Jesus e Maria Madalena. Acredito que, na história original, algum dos homens teve a coragem de assumir os seus pecados para si mesmo. E esse homem foi o primeiro a largar a sua pedra. Outros o seguiram. Hoje em dia, vê-se alguém que atira a primeira pedra, seguindo-se a saraivada de pedras. Muitas vezes, alguém atira uma pedra da barricada contrária e as pedras antes atiradas são reaproveitadas para o novo inimigo.

Quando reaprenderemos a voltar a entender as palavras ditas por Jesus?

“Quem, de entre vós, que nunca pecou, que atire a primeira pedra.”

© Isa Lisboa

Apontar o dedo

Imagem: Autor não identificado

Labirinto

À entrada do labirinto, nunca sabemos bem o que nos espera. Apenas sabemos que nada será como é cá fora.

Vemos a porta de entrada à nossa frente, foi-nos dito que devemos atravessar um caminho desconhecido que, no final, levará a uma outra porta, a de saída. Não temos mapa, não sabemos se teremos indicações ao longo do caminho, se teremos luz no percurso ou se devemos tactear a parede.

E então algo em nós evoca a lenda do Minotauro, a criatura de pele de breu, chifres ameaçadores e olhos ensanguentados pelas vítimas do labirinto que habitava. O labirinto que era a sua prisão.

Mas e se o Minotauro formos nós mesmos? Uma parte de nós que está presa ao labirinto e que, por não conseguir sair, está condenado a não permitir que mais ninguém atravesse o labirinto, que mais ninguém encontre a porta de saída. Uma criatura surgida de humano e de besta, para desencorajar os aventureiros que querem saber mais, viver mais, sentir mais. Talvez o sacrifício que o Minotauro exigia, fosse que os humanos abdicassem dos seus sonhos, deixando-os devorar-se pela mitológica criatura. Devorados por aquela criatura cuja fome não se aplacava. E seremos nós Teseu? Poderemos ser. Podemos encontrar o centro do labirinto e matar o medo. E, agarrados ao fio invisível que nos prende uns aos outros e a tudo o que existe, voltaremos então à vida que queremos viver.

© Isa Lisboa

church_tower_stairs_276976_h

O Caminho do Eu

Uma vez percorrido o Caminho do Eu, temos tendência a achar que a viagem foi cumprida.
Mas assim como o rio que atravessamos hoje não será amanhã o mesmo, também este Caminho muda após feita a primeira viagem.
É um Caminho que devemos atravessar uma e outra vez, libertando novas camadas de quem não somos. Ou descobrindo novas manifestações de quem somos.
Aceitar a jornada nem sempre é fácil, e mais difícil é perceber que só no silêncio interno podemos encontrar o percurso a seguir.
Habituados a tudo planear, custa aprender a deixar a Sabedoria da Vida fluir e tomar conta de nós.
Resistimos, queremos categorizar em certo e errado. Queremos categorizar-nos em certo e errado.
Mas só quando aceitamos que o que é É, É, só aí o Caminho se abre. Só aí nos conseguimos ver plenamente, sem julgamentos, esquecidos do pecado da imperfeição.
Despidos de expectativas, sobre nós e sobre o Mundo, estamos então leves o suficiente para percorrer o Caminho.
Para nos libertarmos das camadas protectoras, por debaixo das quais a nossa verdadeira voz se esconde, amordaçada.
E, passo a passo, a nossa Voz voltará a ouvir-se.
Nós voltaremos a ouvir-nos.

© Isa Lisboa

Swan song by Zena Holloway

Imagem: Swan song, by Zena Holoway

Luz e escuridão

Há quem só veja sombras, mais ou menos difusas. E há quem só veja luzes. Pelo menos assim parece.

Não acredito na tese sem a antítese, o que, trocado por miúdos, quer dizer que não acredito que a visa sempre nos sorria. Que tudo sempre corra bem. Que só exista Luz.

A Escuridão também existe. E pode ser tão poderosa quanto a Luz.

Mas como pode a Escuridão ser combatida com Escuridão? O que mais pode combatê-la senão a Luz?

E é nos dias em que a Escuridão nos visita que mais devemos procurar a Luz. E que mais nos devemos socorrer da Luz que temos dentro de nós.

© Isa Lisboa

tumblr_nq3a0iw1wH1takhpwo1_500

Imagem: Tumblr

Nunca será fácil

Nunca será fácil”

Vi, há algum tempo, um filme sobre a vida de Maria, a mãe de Jesus. Para além da perspectiva bíblica e religiosa, este filme apresentava uma visão de Maria que muito me fascina e faz reflectir. A visão de Maria filha, mulher, esposa e mãe. Em suma, Maria, a humana.

Maria foi alguém como nós. Uma mulher, que cresceu numa comunidade, que criou expectativas e sobre quem foram criadas expectativas. Uma mulher que amou. Uma mulher a quem um dia foi proposta uma missão, a ela, mulher cheia de graça, escolhida pelo seu Deus para dar à luz e acompanhar o crescimento de uma criança especial. Uma criança com uma missão ainda maior que a sua: a de salvar a Humanidade.

Dizem-nos as escrituras que Maria aceitou a sua missão – “Eis aqui a serva do Senhor.” Mas pergunto-me eu os dilemas e dúvidas que esta mulher – jovem, e apenas com a sua fé como apoio – terá tido.

Pergunto-me quantas lágrimas terá chorado, a dor que sentiu ao ser rejeitada e acusada pela comunidade que a viu nascer. Ao ser rejeitada, em certa altura, pelo homem que amava, com quem sonhava uma vida em conjunto.

Numa das cenas iniciais do filme, José volta, dirige-se a Maria, dizendo que acredita nela, que cumprirão a missão juntos e que daí em diante, tudo será mais fácil.

Maria responde-lhe, com certeza na voz, mas serena: “Nunca será fácil. Nunca nada na nossa vida será fácil.” Aquela jovem mulher, com um filho no ventre, tinha uma única certeza: a de que a sua vida não seria fácil. De que a esperavam provações. Perguntas às quais não sabia se iria dar resposta. Sabia que teria que preparar o seu filho para uma missão que ela própria não entendia. Sabia, talvez no seu âmago, que um dia ele partiria para sempre. Primeiro para o Mundo. Depois para a morte. Não o saberia em termos concretos, mas todo o seu ser lhe dizia “Nunca será fácil”.

Ao ouvir essa frase, e ao imaginar Maria a dizê-la, olhei-a sob uma nova luz e passei a admirá-la mais. Maria era mulher como eu.

Talvez esta frase choque alguns, mas a verdade é que eu acredito que Maria era uma mulher como eu. Jesus foi uma criança como eu fui, e um adulto como eu sou. Ambos foram humanos, e conheceram sentimentos como o medo e a dúvida.

Existiam, claro, grandes diferenças entre nós. As missões de Maria e de Jesus eram maiores que as minhas. A sua fé em algo que a todos Une e Maior que cada um de nós isoladamente – era maior. Não era uma fé, eles sabiam. A sua fé não era fé, era certeza.

E por isso souberam abraçar a sua vida e as suas missões. Missões que a maioria de nós acharia impossível ou, no mínimo, demasiado grande para suportar.

E essa é uma das dádivas que Maria, José, Jesus e outros nos deixaram. Também eu sei que nunca será fácil.

“Nunca será fácil”. Eu sei. Mas também sei que viver vai sempre valer a pena. Por isso me esforço por aproveitar como posso esta oportunidade que me foi dada.

Nunca será fácil, mas será sempre belo!

© Isa Lisboa

Mãe Maria

Imagem: Autor não identificado