Eu, pecadora, me confesso

Vou partilhar uma história que ouvi há algum tempo.

Uma mulher estava no meio de uma multidão em círculo. Estava ajoelhada, chorava e pedia piedade. Pedia piedade aos homens que a rodeavam com pedras na mão.

Entretanto, um homem atravessa a multidão, ajoelha-se ao lado dela e ajuda-a a levantar-se. A seguir diz algumas palavras, finalizando com a poderosa frase: “Aquele que de entre vós nunca pecou, que atire a primeira pedra.”

Esta é uma passagem da bíblia amplamente (re)conhecida tanto por cristãos como por não cristãos.

A bíblia descreve que, nesse momento, um por um, os homens começaram a largar as pedras ao chão. Maria Madalena e Jesus ficaram sozinhos, todos os “juízes” se afastaram.

Esta é a história original.

Na história que me contaram, Jesus puxa Maria Madalena por um braço e diz-lhe: “Fujamos daqui, pois somos os únicos pecadores.”

Nesta história, Jesus e Maria Madalena viveriam na era actual.

Ouvi esta história há alguns anos já, mas lembro-me dela muitas vezes, sempre que vejo alguém a pegar numa pedra, resoluto.

Com o aumento da velocidade da comunicação, novas formas de atirar pedras apareceram. Tenho observado algumas nos títulos das notícias do Facebook.

Parece-me que o fenómeno é o que se terá observado na moderna história de Jesus e Maria Madalena. Acredito que, na história original, algum dos homens teve a coragem de assumir os seus pecados para si mesmo. E esse homem foi o primeiro a largar a sua pedra. Outros o seguiram. Hoje em dia, vê-se alguém que atira a primeira pedra, seguindo-se a saraivada de pedras. Muitas vezes, alguém atira uma pedra da barricada contrária e as pedras antes atiradas são reaproveitadas para o novo inimigo.

Quando reaprenderemos a voltar a entender as palavras ditas por Jesus?

“Quem, de entre vós, que nunca pecou, que atire a primeira pedra.”

© Isa Lisboa

Apontar o dedo

Imagem: Autor não identificado

Anúncios