I see distance From what was Once pain. A paved road Lies behind Each square Marking a story. I see distance From who I once were And yet I am now So much closer To her The lost girl. These walls Are now Truly a home My skin Is now My own. I see distance From all of that Which created the scars I see beauty In each of them The skin needed To be cut And the blood Needed to be drained. I see distance From that time When the scars Have slowly disappeared. I see distance But I know That time is there Waiting for me In the distance That I see.
Sometimes I seem to forget For a brief moment I seem to forget The different layers Of evil in the world. For a brief moment I am reminded That good people Can do bad things That fear Can darken a heart. Sometimes My heart feels darkened Too. Seeing that humans forget Forget that being human Is being unique But part of a greater thing. Humans can be cruel Even not knowing it Humans can bring sadness To hide their own. Maybe the hardest evil To fight Is that one No one sees Blended in with normality Hurting another soul Because they do not know. Sometimes I seem to forget That people forget.
Poesia (Des)construtora de almas Estás nos imortais versos De folhas amareladas E nas novas páginas Sem papel, digitais. Rimas Mas também não rimas Como eu. Refugias-te em letras Músicas Símbolos visíveis. Mas escondes-te à vista, No vento que passa Na flor que abre Na água que corre Sem rumo. Como a minha caneta A experimentar Rabisco Deixo sair, os dedos vão Andando, escorregando Por entre palavras Sem sentido. Tento juntá-las. Dispersas Algumas Quem disse Que precisa ter sentido? Se para o poeta tem, Deve vir de algum Pedaço d’alma. O artista cria Nem ele sabe o quê Por vezes. Só sabe que aquele mármore, Pedaço de barro, Tela em branco, Quer ser outra coisa. Assim é o poeta A tinta desliza no papel E algo surge A que chamamos Poema.
Não olhes assim para mim! Estás a pensar que é impossível, mas não é! Ou, pelo menos, não podes afirmá-lo sem primeiro tentares. É incerto, é arriscado! Pois é! Mas e o risco de te renderes ao que não queres, ao que te esvazia, ao que é Nada? Não é esse risco maior? O risco de te perderes de ti, de te esqueceres de quem és e do que queres. Aceitar apenas o que te dão já feito. Confortável. Talvez. Não precisar decidir. Não precisar lutar. Lutar cansa. Cansa! Às vezes dói. Levamos umas bofetadas sem esperar. Se dói, é porque o sangue corre. Faz parte. Não vais ganhar sempre. E só a perder aprendes a ganhar. Não olhes assim para mim. Lá estou eu com as minhas maluquices, eu sei. Mas eu também sei: não é impossível.
Amanhã vai ser como uma manhã de Abril. Vou renascer. Vou abrir os olhos e inspirar, tal como se fosse a primeira vez. Com curiosidade e com vontade de agarrar tudo aquilo que de novo se me apresenta.
Enquanto o mundo renasce, também eu vou reinventar-me.
Não, talvez o mundo não renasça amanhã, não é mesmo Abril; é quase Inverno. É suposto a vida dormir e não renascer…
Mas o mundo é cheio de surpresas. Segue os seus ciclos, mas ainda assim surpreende-nos.
Não obstante, amanhã é o meu dia. Não sei se estou preparada. Até acho quer não. Tenho borboletas no estômago. Devem ser pássaros, que as asas batem forte. É a antecipação. A antecipação que comprova que amanhã é dia.
Podia encolher-me num canto ou fugir para longe. Parte de mim, quer fazê-lo. Continuar assim. É confortável. Seguro.
Mas a outra parte de mim sabe que não dá. Não dá para virar a cara, todo o meu corpo quer avançar, todo o meu corpo quer que seja amanhã. Não sei o que me traz amanhã. Mas sei que é novo e que o preciso.
Talvez os sons, as cores, os cheiros pareçam demasiado a início e me assustem.
Mas depois vão tornar-se descobertas. E eu gosto de descobrir. Pegar, tocar, cheirar, ouvir, saborear.
Está na hora de voltar a descer para o mundo. As convulsões já as sinto. É a vida a avisar-me que vou renascer.