Decisões

“Há uma anedota Zen sobre uma mulher, que não conseguia decidir-se por qual porta deveria sair de certo aposento. Ambas as portas levavam ao mundo exterior. Após algumas horas de indecisão, ela empilhou algumas esteiras diante de uma das saídas e caiu em um sono profundo. De manhã cedo, levantou-se e examinou o mesmo problema novamente. Uma das portas estava livre, mas a outra estava bloqueada por uma pilha de esteiras. Ela suspirou finalmente: “Agora eu não tenho escolha.”

Autor: Não identificado

Orientação

Trazia sempre uma bússola consigo. No entanto, andava sempre perdido.

Um dia encontrou um livro de História. Sobre o tempo dos navegadores. De como encontravam terra usando uma bússola e seguindo as estrelas.

Então decidiu comprar um barco.

A partir daí nunca mais precisou de uma bússola para encontrar o caminho.

© Isa Lisboa

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Parábola dos Lobos Internos

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Imagem: Autor não identificado

“Um velho índio estava a falar com o seu neto e contava-lhe:

«Sinto-me como se tivesse dois lobos a lutar no meu coração. Um é um lobo irritado, violento e negativo. O outro está cheio de amor e compaixão.»

O neto perguntou:

«Avô, diga-me: qual dois dois ganhará a luta no seu coração?»

O avô respondeu:

«Aquele que eu alimente»”

Irmão-Fogo

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Imagem: Autor não identificado

Irmão-fogo

Vem, estou pronta para ti

Sei que a dor me espera

Assim é deixar ir

Mas sei também

Que abençoada é a tua cinza

É dela que a Fénix renasce

O que outrora foi lágrima

Agora será força

Dos joelhos caídos no chão

Guardo a humildade

A mão que se estendeu

Entrego-te de vez a cicatriz

Queima-a nas tuas brasas

Incandescentes e renovadoras;

Irmão-fogo

Entrego-me ao teu poder

De braços abertos

E de peito a querer ser livre

Não mais seguro o grito

Não mais escondo a cara

Entre mãos que não são minhas.

Aqui me tens, Irmão-Fogo,

Entro em tuas chamas

De violeta me inundas

Consumirás o que está a mais

Nada sobrará

Para alem do que Sou!

© Isa Lisboa

Irmã-Água

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Foto: Kawika Singson, Men at Sea

Irmã-Água

Oiço-te

Sei-te plácida a correr nos regatos

E de voz poderosa

A descer das cascatas

Como me sabes cantar

A estas facetas da minha alma

Que em mim giram

Se cruzam

Se tropeçam por vezes

Por eu não as saber entender

Ver em toda a sua plenitude.

Oiço-te harmoniosa

Chamas-me.

Porquê resistir? Não sou livre

Mas quero ser

E tu, minha irmã

Hás-de ensinar-me a ser como tu

A correr ao longo das margens

A contornar os seixos

Mas a galgá-los decidida

Quando preciso for.

Hás-de ensinar-me

A ser rio a correr para o mar

Ser água que procura água

Doce que não tem medo do sal

Sabes que se completam

Que na essência serás sempre

Tu

Água pura, livre e cristalina

Liberta-me

E assim também serei eu!

© Isa Lisboa

Pai – Vento

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Imagem: Miguel Angel Recoba

Pai-Vento

Abraça-me com a tua força

Envolve-me com a tua brisa

Percorre a minha pele

E arranca as células mortas!

Já não as quero

Preciso de lugar

Para a minha nova pele

A que meu peito inquieto

Adivinha e anseia.

Sem querer ver

Tenho calado meus ouvidos

A esse teu murmúrio

Que em todo o meu corpo

Se vem tornando grito.

De braços abertos te peço

Leva!

Leva tudo, para longe

Para os confins da Terra

Liberto-me a ti, Pai-Vento

Descalça dos meus medos

Despida de passado e de futuro

Quero agora abrir os braços

Sei que o redemoinho

Que me ofereces

Já não é a tempestade que criei

Nela só poderei voar!

© Isa Lisboa