Your eyes

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Foto: Google

(Poesia a duas canetas) por Nuno e Isa

Your mysterious eyes

Your eyes are like a rainbow

Full of colours and life.

Your eyes are like the skies

Full of brightness and infinity

Your eyes are like the ocean

Full of power and emotion

Your eyes are like the sun

Full of light and fun

Your mysterious eyes…

 

Your eyes see mystery

In mine

And they read them

As if they were a beautiful story

Your eyes

Tell of sweet embraces

That I am safe in your arms.

Your curious eyes

They discover me, slowly, delicately.

Your deep eyes

Eyes were I can float

Calm waters, in strong ocean

Your eyes

Touch me gently

They see me

Your eyes, where I dive

With no fear

Your deep, surprising eyes.

 

© Nuno e Isa

Publicado originalmente no Instantâneos a preto e branco

My red shoes

A vida é feita, todos os dias, de escolhas e decisões. Todos os dias escolhemos a roupa que vestimos, o caminho a tomar para o trabalho, o que tomar às refeições, etc, etc

Se a um nível tão curriqueiro, muitas são as escolhas que se nos apresentam, mais são as decisões que temos que tomar ao longo da vida.

Em cada ciclo em que nos vemos, somos convidados a reavaliar o nosso caminho, se há que nos mantermos  neste ou arrancar para outro.

E ainda, quando temos um Caminho à frente e sabemos que é o certo, ainda há que escolher os sapatos certos para a caminhada.

E esses são sempre os que sejam o nosso número, confortáveis, que nos possam levar na caminhada com um andar leve, sem apertões e sem mais cansaços além das pernas.

E, se possível, um par de sapatos com aquele toque, aquele diferente, que reflecte a nossa personalidade. Como os sapatos vermelhos da Dorothy, por exemplo!

© Isa Lisboa

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Mensagens do passado

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“No outro dia cruzei-me com o passado…”

Alguns completariam esta frase com algo como “e ele não me disse nada de novo!”. Outros talvez a completassem com palavras de saudade, outros de dor e outros com a nostalgia do bom e velho “Oh, tempo, volta para trás!”

Pessoalmente, já tive os meus momentos de debate com o passado, alguns foram debates acesos. Talvez deva chamar-lhes briga. A briga não era com o passado, era comigo mesma. Como se o passado fosse uma pessoa. E por vezes era. Uma pessoa. Pessoas. Momentos. Emoções complicadas, baralhadas, que eu ainda não conseguia ver em toda a sua profundidade. Que eu não sabia como sentir.

Aos poucos, comecei a substituir as brigas por conversas. Nem sempre chegavam ao fim. Nem sempre nos entendíamos, eu e essa pessoa que me falava em forma de passado. Mas lá nos fomos ouvindo uma à outra. Percebi quem ela era, o porquê das suas palavras, fui puxando um fio após o outro e com eles fiz uma nova tapeçaria.

Não são conversas que se esgotam, continuamos a conversar. Essa ela do passado ajuda-me ainda a compreender o meu presente. Ajuda-me a preparar um futuro diferente.

Mas também me lembra de todas as vitórias e de todas as alegrias. Porque também as tenho. Tantas. Cada uma tão especial. Um diamante que prendo à tal tapeçaria. Um diamante a reflectir a luz.

É uma tapeçaria redonda, esta do passado. Um círculo desenhado sem compasso, mas, para mim, perfeito. Os ciclos que se repetem, apenas para que deixemos por aquela curva quem já não somos, o que já não nos serve. Ou para percebermos que já deixámos. Apenas uma mensagem a lembrar-nos que somos capazes.

Mas nem sempre é fácil entender o que o passado tem para nos dizer. Pode ser um aviso. Para não repetirmos os mesmos erros. Ou pode ser um teste que colocamos a nós mesmos: será que deixei de vez o passado e consigo passar à frente sem olhar para ele?

Talvez nunca deixemos de fazer estas perguntas a nós próprios, em cada nova situação da vida. Pelo menos enquanto procurarmos percorrer um caminho que nos faça avançar.

Talvez nunca deixemos de fazer estas perguntas, mas, certamente, começaremos a dar-lhes respostas cada vez mais seguras e rápidas.

Porque a resposta nunca é a mesma. Ela depende da aprendizagem que se nos apresenta. E é difícil, por vezes perceber a resposta certa. Mas ao mesmo tempo é muito simples. Perguntem ao coração. Ele sabe sempre.

© Isa Lisboa

Para além de

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Imagem: pintrest

Insuspeito, por debaixo de uma ferida, algo se esconde. A maior parte das vezes, se não sempre, esconde-se algo de novo, renovador e cheio de boas possibilidades.

É por isso que temos que permitir que a ferida sare.

Para, livres da dor e do que parece ser tão feio, podermos finalmente ver o que se escondia lá debaixo.

© Isa Lisboa

Entrevista ao novo espaço cultural Caravela Artística

No passado dia 22, nasceu um novo projecto cultural, a Caravela Artística! No link abaixo, poderão ler a entrevista que dei, e que vos convido a ler, bem como a visitar o site e ler as outras duas primeiras entrevistas, bem como o restante conteúdo! 🙂

http://www.caravelaartistica.com/2016/09/entrevista-escritora-isa-lisboa-invernos-sonhos-andorinhas.html

A amiga Grazi Calazans partilha também a resenha que escreveu sobre o meu primeiro livro, Invernos, Sonhos e Andorinhas:

http://www.caravelaartistica.com/2016/09/invernos-sonhos-e-andorinhas-de-isa-lisboa.html

Muito obrigada pela oportunidade de ter esta conversa, aqui, na Caravela Artística!

Bons ventos para esta Caravela e todas as suas navegações!

 

 

 

 

Ampulheta

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Recebi há dias de presente uma ampulheta. É um objecto que acho particularmente simbólico.

Ao observar a areia da ampulheta a cair calmamente, no seu ritmo imutável, penso não só no que ela representa – o Tempo – mas também na nossa relação com ele.

Por vezes somos tentados a procurar controlar o tempo. Seja tentando atrasá-lo, para que algo dure mais tempo; seja tentando acelerá-lo, para que algo que desejamos muito chegue mais rápido.

Ora, se pegarmos numa ampulheta e tentarmos que a areia ande mais devagar, verificaremos que nada que possamos fazer daqui de fora a atrasa. Podemos apenas virá-la ao contrário. Nessa altura, a areia começará a cair de um outro ponto.

E então pensaremos talvez que conseguimos manipular o tempo. Mas se a areia cairá ao mesmo ritmo, não estaremos apenas a inverter o tempo, colocando-nos a nós mesmos numa ilusão de que o tempo agora é nosso?

Eu não tenho dúvidas de que o Tempo tem o seu Tempo e de que a areia cai no ritmo certo para cada um. Procurar alterar isso só nos aproxima da crisálida a quem alguém não deixou sair do casulo.

Essa é uma história que circula em vários sítios pela internet. Para que possa ganhar asas, a jovem crisálida precisa debater-se com o casulo. Só assim as suas asas crescem e se tornam fortes o suficiente para voar. Caso alguém ajude a pequena crisálida a sair, as suas asas ficarão fracas e ela jamais conseguirá voar.

A crisálida sabe que para ser borboleta tem que aguardar que a areia caia de um dos lados da ampulheta para o outro. E que quando ela se vira, é o momento de, ao ritmo dos grãos de areia, se fortificar e lentamente construir as suas asas. As que a farão voar, conhecer as flores e provar o polén. Voando alegremente no vento, o casulo uma recordação do útero que a fez nascer e ser.

E a mim parece-me que a borboleta é feliz.

Procuremos nós ouvir a sabedoria dos grãos de areia que caem na nossa ampulheta. Deixemo-nos ir, confiemos na sabedoria sagrada que nos guia e nos rodeia. Ela fala connosco, baixinho, mas podemos ouvi-la. Basta fechar os olhos e ouvir o som de um grão de areia a cair.

“É por aqui” – Dir-te-á ela. E quando te levantares e seguires o teu caminho, será a própria mão do Tempo a virar a ampulheta. E tudo recomeçará, no tempo que é teu.

© Isa Lisboa

Inferno e céu colectivos

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Imagem: Google

“Mestre e discípulo foram até uma região onde havia fartura de arroz mas os habitantes daquele lugar possuíam talas em seus braços, o que os impedia de levarem o alimento à própria boca. No meio daquela fartura, passavam fome e eram fracos e subnutridos!
– Veja! – Disse o Mestre – Isto, é o inferno colectivo.
Em seguida, o Mestre guiou o Discípulo para uma região próxima e mostrou que nela também havia fartura de arroz e as pessoas também tinham os braços atados a talas mas eram saudáveis e bem nutridas pois uma levava o arroz à boca do outro, em um processo de interdependência e cooperação mútua.
– E isto é o Céu colectivo. “

Adormecer a dor

“Se eu conseguisse adormecer, pelo menos não sentia a dor.”
Foi este o pensamento que trespassou pela minha cabeça durante uma dor de dentes particularmente insistente.
No entanto, este pensamento não teve o efeito de me adormecer, mas antes de me colocar alerta. Porque, subitamente, apercebi-me do quanto este é um pensamento perigoso.
Porque a dor, pode, efectivamente, ser um importante veículo para o adormecimento. Um veículo conduzido não só pelos outros, mas também por nós.
Quantas vezes, para não sentirmos a dor, não procuramos adormecer? Ao dormir, a dor continua lá, mas não se sente, por isso é como se ela já não existisse. Como se. Mas o problema é que continua a existir. E às vezes acorda-nos a meio da noite, provocando-nos um pouco de insónia agora. E, para além disso, o despertador irá tocar, iremos acordar. E aí, teremos que lidar com a dor. De forma mais dolorosa, talvez.
Por isso, podemos sempre tentar adormecer, mas a dor sempre voltará e sempre nos acordará. Os analgésicos só funcionarão durante algum tempo. Depois a dor torna-se imune a eles. Continua a manifestar-se para nos avisar de algo muito importante. O sítio onde dói precisa ser curado.
E é por isso que embora ninguém goste de uma dor de dentes, a verdade é que ela tem a sua função.
Se bem que… já perceberam que já há alguns parágrafos atrás que parei de falar de dores de dentes? Não foi?

© Isa Lisboa

Herb Ritts

Imagem: Herb Ritts