
“Aqueles que pensam que o mundo é do tamanho das suas experiências ficam autoritários. Frequentemente, inquisidores.”
Rubem Alves

“Aqueles que pensam que o mundo é do tamanho das suas experiências ficam autoritários. Frequentemente, inquisidores.”
Rubem Alves
Há alguns anos atrás, estava a falar no chat do Facebook com uma pessoa amiga. A certa altura, despedi-me, dizendo que era hora de ir jantar.
A resposta que recebi foi mais ou menos a seguinte: “És mesmo estranha, a maior parte das pessoas trás o prato para o pé do computador e come enquanto está no chat!”
Na altura senti um certo desconforto com esta observação.
Não só porque na altura ainda me incomodava ser chamada de estranha – especialmente vindo essa expressão de uma pessoa amiga – mas também pela razão da “acusação”. Como se, por algum motivo, aquela observação me fosse privar do prazer de aproveitar uma refeição calmamente.
Não me recordo ao certo se foi esse o efeito que teve, mas é bem possível que sim.
Agora que olho para trás, fiquei incomodada com a crítica. Na altura, terei achado que fiquei incomodada com o conteúdo da crítica. Mas na realidade, fiquei incomodada porque aquela observação tinha uma frase escondida e que, na minha mente, eu ouvi: “Agora que eu queria falar, desligas para fazer algo tão banal como comer.”
Foi isso que o meu inconsciente ouviu. E reagiu com a tradicional mágoa e raiva: “E eu, não posso tirar um bocado de tempo para mim, não?”. Por isso, enquanto mastigava a comida, devo também ter mastigado essa sensação. Possivelmente, nesse dia, a comida não teve o sabor do costume.
Mas deveria ter sabido como de costume. Porque sim, eu tinha direito àquele tempo para mim. Até teria direito a simplesmente ter desligado a net e ter ido sentar-me no sofá sem fazer nada.
Todos temos direito a tempo para nós mesmos, para estarmos sozinhos, para fazer algo de que gostamos.
Parece simples. Mas inconscientemente, ao longo do tempo, fomos aprendendo a sentir culpa por querermos esse tempo. Fomos aprendendo a explicarmo-nos por isso.
No trabalho, sentimos obrigação de explicar porque não (podemos) fazer horas extraordinárias; se alguém nos telefona e não podemos atender, sentimos obrigação de explicar a chamada perdida… Outros exemplos haveria.
Mas porque precisamos justificar que precisamos de tempo para nós? Porque temos sempre que ter tanto tempo para os outros, e o tempo para nós pode sempre vir depois?
Não defendo com esta reflexão que nos ponhamos sempre acima dos outros e sempre em primeiro lugar. Mas não nos esqueçamos de nós mesmos. Quando o fazemos, começamos lentamente a perder a capacidade de ajudar os outros. E a capacidade de nos ajudarmos a nós mesmos e de nos mantermos resilientes.
Existe uma analogia muito conhecida sobre este instinto de sobrevivência – vou chamar-lhe assim.
Quando embarcamos num avião, ditam-nos as regras de segurança que, caso seja acendido o sinal para colocarmos a máscara de oxigénio, devemos começar por colocar a máscara em nós mesmos, antes de ajudar outros passageiros com dificuldade em colocá-la. Se não o fizermos, podemos nós ficar com falta de ar e desmaiar. E aí, já não poderemos ajudar os outros passageiros em dificuldades.
Assim também é na nossa vida. Se estivermos sempre a correr para ajudar a todos, excepto a nós mesmos, vamos perdendo essa força anímica que poderia ajudar alguém a voltar a respirar.
O que nos pode parecer egoísmo é auto-preservação. Se eu não conseguir cuidar de mim, como posso cuidar de ti?
© Isa Lisboa

Foto: Lorenzo Quinn

“Não faças da tua vida um rascunho.
Poderás não ter tempo de passá-la a limpo.”Mario Quintana
Vamos a um café, e dizemos “Queria um pastel de nata e um café.” – E o empregado responde-nos com a típica “Queria, então já não quer?”
Já aconteceu a muitas pessoas, certamente. E também, certamente, já tiveram como reacção aquela ligeira irritação pela “piada seca”. Também eu já tive muitas vezes essa reacção.
Mas dei por mim a pensar: realmente porque não digo “QUERO um pastel de nata e um café!”? Porque nos incomoda tanto dizermos directamente o que queremos, com um seguro “QUERO!”? Porque temos que amenizar a nossa vontade com aquele “queria” que fica ali a meio do “quero” e do “mas se não puder ser, não faz mal?”
Quando somos crianças, não temos problemas em expressar o que queremos: “Quero ir ver os desenhos animados.”
Aprendemos depois a acrescentar as palavras “Por favor”. O que é bom. Essas palavras ensinam-nos a respeitar a vontade, o “quero” do outro.
Mas quando foi que aprendemos a querer mais ou menos e só se não for muito incómodo? Quando foi que aprendemos a deixar de dizer com segurança o que queremos?
E, mais importante ainda, quando foi que aprendemos a deixar de dizer o que não queremos?
© Isa Lisboa

Imagem: Patrice Murciano

“O ideal seria ter um coração na cabeça e um cérebro no peito. Assim, pensaríamos com amor, e amaríamos com sabedoria.”
Mafalda
Os meus desejos para 2018 estão expressos na mensagem do vídeo abaixo: que todos possamos reencontrar a nossa alegria interior e mais pura.



“Escreve as ofensas na areia e os benefícios no mármore.”
Benjamin Franklin

Foto: http://www.pixabay.com
Bound to Earth
That was how I woke up
One day, feeling lost
Not knowing why!
All of the sudden
The memories
Were no longer lost
I remembered everything
How I used to fly
And I used to be one with you
And the Universe was one
Now I’me here
Disconnet
No recolection of my elder tongue
My eyes hurt for not seeing
My ears hollow for lack of use
All my body hurts
Feeling the soul pounding from whitin
My thought wants to let
Her scream out
But she’s afraid the world won’t listen!
Lost within myself
Only one thing to do:
I kneel
And say that old prair
Only you and I know
You listen
And you answer
‘Cause you are me
And I am you.
I remember.
I want to go back.
Here I am.
I want to go home.
Ready to leave all the rest
Behind.
You are in me.
I am in you.
Connected.
© Isa Lisboa

“Os homens são como as moedas; devemos tomá-los pelo seu valor, seja qual for o seu cunho.”
Carlos Drummond de Andrade