
Só por hoje, permito que o meu coração acalme!
© Isa Lisboa

Só por hoje, permito que o meu coração acalme!
© Isa Lisboa

Sou uma aresta
Tu e ele também
Juntos formamos um vértice
Unidos a outros
Novo vértice somos
Assim juntos, elo invisível
Para além do sólido que se forma
Somos parte
Dessa grande geometria.
Apenas éramos rectas
Talvez, algumas, infinitas
Sem saber de onde vínhamos
Nem para onde íamos.
Conhecemos a finitude
Mas ganhamos um novo plano
Outra dimensão
Esses onde agora somos sólido
Forte, mais forte
Se uma cair, também outra
Poderá cair
Mas se uma fraqueja
Outra a sustém
Até a força voltar.
E o matemático olha e sonha
Talvez um dia
Cubos, pirâmides, paralelepípedos
Até esferas
Todos se saibam juntar
Ainda
E assim expandir a geometria
Criando novo sólido
Sonha chamar-lhe
Harmonia.
.
© Isa Lisboa


Só por hoje, decido que sorrir é o melhor da vida!


Caros leitores,
Peço-vos desculpa pela ausência de publicações novas. O (Eu)Nigma precisou fazer uma pausa, mas voltarei brevemente.
Obrigada pela vossa presença e carinho!
Isa

Para quem não sabe falar inglês, deixo um pequeno resumo do vídeo acima:
Trata-se da história de um casal, em que o homem pergunta à mulher se pensou no seu pedido de casamento. Ela responde-lhe que não pode casar com ele, porque é cega, e porque quer ver o futuro de ambos juntos. Ela diz que precisa ter os olhos dela.
Na cena seguinte, é a mulher quem vai ter com ele, e muito feliz, diz-lhe que poder ver é a sensação mais fantástica do mundo. Ele pergunta-lhe se agora ela já pode casar com ele e abraça-a, desajeitadamente. Nessa altura, ela percebe que ele não vê e, revoltada, diz-lhe que não pode casar com alguém que é cego e sai.
Numa terceira cena, ela encontra por acaso um envelope, ao arrumar as coisas da mesa. Dizia na parte de fora “Para quando tiveres os teus olhos.”. Ela abre o envelope e dentro tem, assinado pelo ex-namorado, um bilhete que diz: “toma bem conta dos meus olhos”.
Como o comentador, Jay Shetty, explica de seguida, este vídeo não é sobre cegueira física, mas sim sobre cegueira emocional. Sobre a forma quando julgamos as pessoas, especialmente quando a nossa situação muda para melhor e não conseguimos ver o outro lado, o lado do outro.
Este enquadramento fez-me sentido, mas não consegui deixar de ficar a pensar um pouco naquilo que o homem fez. E não consegui deixar de sentir que também ele errou. Talvez vos pareça estranho, visto que, afinal, é ele a vítima desta história, o injustiçado…
Mas, olhando mais de perto, vejo que ele abdicou de uma parte essencial dele mesmo para que outra pessoa se sentisse completa. Abdicou de uma parte essencial dele próprio, para a dar a uma pessoa que não se amava a ela própria da maneira que era. Por isso, pergunto-me, não seria ele também cego emocionalmente? Pois como poderemos fazer os outros inteiros, se nós próprios estamos despedaçados?
© Isa Lisboa

Toco o Vazio
Envolvendo-me o Todo
E juntos são Eu
© Isa Lisboa

Sou eu
Mas já não sou
Quanto mudou
Nas intermitências
De esquecer
E de deixar ir…
Leve,
Sei que ainda há
A libertar.
Decidida
Tranquila.
De mim
Não mais abdicarei.
O que a mais habita
Não ficará
Passo a passo, a seu tempo
Se irá
Quando olhar para trás
Será mais um degrau
Da história que quem fui
Da escada que subi
Para chegar a quem sou.
© Isa Lisboa