As asas de Ícaro

Skipholt (by)

A sombra –

Essa sedutora –

Roubou as asas de Ícaro.

Desamparado

Caiu

Anteveu o embate

Com a terra seca.

Doeram os músculos

Os ossos

E a pele rasgou.

O sol era um sonho

O que lhe deu asas

Foi o mesmo

Que as derreteu

Ilusões a escorrer

A pingar sobre a Terra

Onde o seu corpo

Caiu

Com vida, mas com dor.

Chamem-lhe soberba

Orgulho

O que for

A sombra sussurrou

Ao ouvido de Ícaro

Sobe

Acima do que és

Sobe

Sem olhar

Sobe até mais não.

Corpo caído

Dorido

Ferido

Dor em mais que corpo.

Uma mão passa-lhe

Na fronte

Água fresca

Nos lábios.

A Sombra

Roubou as asas de Ícaro.

Mas o Amor

Devolveu-lhe a vida.

© Isa Lisboa

Faith

No.

I’m sorry to say

No,

Nobody is coming

To save you.

No

There is no one

For you to save.

It is only you

It is up to you to save yourself

You are the one.

Whether in a white horse

Or not

You are the one

Waiting

To be saved

You are the one

To be rescued

And you have it in you

That power

To bring

Yourself back up

To wipe

Your own tears

To look at yourself

In the mirror of the soul

And see.

See what was it

That you did wrong

See what was it

That could not

Be avoided.

Fate and willpower

Walk hand in hand

Faith is the answer

In the Highest above all things

And in yourself.

Have Faith.

Rebuild yourself.

© Isa Lisboa

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O que ouves no silêncio?

“O silêncio é uma qualidade divina, que só é apreciada e compartilhada quando é tão real que você não precisa falar muito.”

Horácio Graça

Imagem: Horácio Graça

Talvez seja por isso que tememos tanto o silêncio, especialmente nestes tempos de comunicação instantânea. Talvez seja por isso também que tanto procuramos o silêncio.

Estamos cercados de várias formas de comunicação e cada vez comunicamos menos. É um cliché que convém ser repetido e repetido. Para que a comunicação não se torne uma recordação.

Algumas pessoas não conseguem estar ao pé de outra em silêncio. Sentem uma espécie de obrigação de dizer algo. Preencher os espaços vazios. Preencher o espaço de voz, assim como preenchemos um post de uma rede social com “likes” ou com comentários.

Mas se numa rede social a ausência de “som” é suspeita de que não és ouvido(a); quando estamos frente a frente, isso nem sempre é verdade.

Porque por vezes só precisamos ser ouvidos. Não precisamos necessariamente ouvir. Por vezes, o silêncio diz tudo. Diz “Estou aqui”. Diz “Eu compreendo”. Diz “Eu aceito”. Diz “Desabafa”.

É por isso que encontrar alguém com quem podemos compartilhar o silêncio é algo poderoso. Indeed, divino, até!

© Isa Lisboa

Poesia Dissolvida

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Imagem: http://www.pixabay.com

Caminho lentamente

Por esta casa,

Estas quatro paredes

Caminho lentamente

Conto os passos que ficaram

Me trouxeram aqui

Vejo como se desvanecem

No passado

Que já não sou

Já não quero

Não escrevo mais.

Deito-me no silêncio

O cansaço apodera-se

Calo os ecos, os gritos

As lágrimas.

As lágrimas voltam.

Às vezes voltam.

O chão está frio

E pergunta-me do presente

Que presente é este?

Escapo à realidade

Mas volto sempre

Finjo-me

Apenas.

Por momentos. Finjo-me.

Podia ser.

Mas agora estou aqui.

Não posso fingir sempre.

Também tem que doer.

O chão está frio

Mas é Aqui.

É Agora.

Sou. Sinto. Estou.

Levanto-me.

Caminho lentamente.

Para lá da porta que abri.

Caminho.

© Isa Lisboa

Imaginação de Einstein (E outras divagações)

“É mais importante ter imaginação do que conhecimento.”

Albert Einstein

Sem dúvida que o conhecimento é importante. Sem ele, o mundo não conheceria o progresso, as revoluções científicas.

Alguns argumentarão que, sem o conhecimento, ainda viveríamos em cavernas.

Mas também me parece que foi a imaginação que nos tirou de lá.

Devem ter existido mentes que imaginaram uma vida diferente da de sobrevivência diária. Uma vida diferente de caçar ou ser caçado.

E deve ter havido quem se atreveu a testar essa imagem imaginada. Essa vida utópica, que a tantos parecia impossível.

Essa coisa de “ser feliz” devia parecer ainda mais estranha no tempo das cavernas. Mais estranha do que é hoje.

Sim, porque ainda hoje nos sentimos tentados a acreditar que, ou caçamos ou somos caçados. Que ganhamos ou perdemos.

Mas ganhamos o quê? Que prémio é esse? Sabes qual é esse prémio pelo qual tanto lutas? Esse prémio em nome do qual te esqueces de ti, dos teus valores, dos teus desejos? Esse prémio em nome do qual passas por cima de todos os que são fracos (ou assim os julgas tu)? Sabes?

Quando corres, sabes para onde? Sabes se realmente vale a pena correr e se queres até correr? E se estiveres a correr só por habituação? Ou porque julgas que tens uma meta a cortar?

Pois é, essa coisa de ser feliz ainda parece meio estranha. E custa pôr o nariz de fora da caverna, não é?

Divago? Ah, imaginação a mais.

Dirão alguns. Dirão alguns, de lá de dentro da caverna.

© Isa Lisboa