Fujo e não sei
– Parada e exausta –
De ti e de mim
© Isa Lisboa

Imagem: http://www.pixabay.com


A sombra –
Essa sedutora –
Roubou as asas de Ícaro.
Desamparado
Caiu
Anteveu o embate
Com a terra seca.
Doeram os músculos
Os ossos
E a pele rasgou.
O sol era um sonho
O que lhe deu asas
Foi o mesmo
Que as derreteu
Ilusões a escorrer
A pingar sobre a Terra
Onde o seu corpo
Caiu
Com vida, mas com dor.
Chamem-lhe soberba
Orgulho
O que for
A sombra sussurrou
Ao ouvido de Ícaro
Sobe
Acima do que és
Sobe
Sem olhar
Sobe até mais não.
Corpo caído
Dorido
Ferido
Dor em mais que corpo.
Uma mão passa-lhe
Na fronte
Água fresca
Nos lábios.
A Sombra
Roubou as asas de Ícaro.
Mas o Amor
Devolveu-lhe a vida.
© Isa Lisboa

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No.
I’m sorry to say
No,
Nobody is coming
To save you.
No
There is no one
For you to save.
It is only you
It is up to you to save yourself
You are the one.
Whether in a white horse
Or not
You are the one
Waiting
To be saved
You are the one
To be rescued
And you have it in you
That power
To bring
Yourself back up
To wipe
Your own tears
To look at yourself
In the mirror of the soul
And see.
See what was it
That you did wrong
See what was it
That could not
Be avoided.
Fate and willpower
Walk hand in hand
Faith is the answer
In the Highest above all things
And in yourself.
Have Faith.
Rebuild yourself.
© Isa Lisboa

“O silêncio é uma qualidade divina, que só é apreciada e compartilhada quando é tão real que você não precisa falar muito.”

Imagem: Horácio Graça
Talvez seja por isso que tememos tanto o silêncio, especialmente nestes tempos de comunicação instantânea. Talvez seja por isso também que tanto procuramos o silêncio.
Estamos cercados de várias formas de comunicação e cada vez comunicamos menos. É um cliché que convém ser repetido e repetido. Para que a comunicação não se torne uma recordação.
Algumas pessoas não conseguem estar ao pé de outra em silêncio. Sentem uma espécie de obrigação de dizer algo. Preencher os espaços vazios. Preencher o espaço de voz, assim como preenchemos um post de uma rede social com “likes” ou com comentários.
Mas se numa rede social a ausência de “som” é suspeita de que não és ouvido(a); quando estamos frente a frente, isso nem sempre é verdade.
Porque por vezes só precisamos ser ouvidos. Não precisamos necessariamente ouvir. Por vezes, o silêncio diz tudo. Diz “Estou aqui”. Diz “Eu compreendo”. Diz “Eu aceito”. Diz “Desabafa”.
É por isso que encontrar alguém com quem podemos compartilhar o silêncio é algo poderoso. Indeed, divino, até!
© Isa Lisboa

Feliz dia de Portugal!
Aproveitemos o feriado, lembrando o que o nosso país tem de belo!

Caminho lentamente
Por esta casa,
Estas quatro paredes
Caminho lentamente
Conto os passos que ficaram
Me trouxeram aqui
Vejo como se desvanecem
No passado
Que já não sou
Já não quero
Não escrevo mais.
Deito-me no silêncio
O cansaço apodera-se
Calo os ecos, os gritos
As lágrimas.
As lágrimas voltam.
Às vezes voltam.
O chão está frio
E pergunta-me do presente
Que presente é este?
Escapo à realidade
Mas volto sempre
Finjo-me
Apenas.
Por momentos. Finjo-me.
Podia ser.
Mas agora estou aqui.
Não posso fingir sempre.
Também tem que doer.
O chão está frio
Mas é Aqui.
É Agora.
Sou. Sinto. Estou.
Levanto-me.
Caminho lentamente.
Para lá da porta que abri.
Caminho.
© Isa Lisboa
“É mais importante ter imaginação do que conhecimento.”
Albert Einstein

Imagem: http://www.pixabay.com
Sem dúvida que o conhecimento é importante. Sem ele, o mundo não conheceria o progresso, as revoluções científicas.
Alguns argumentarão que, sem o conhecimento, ainda viveríamos em cavernas.
Mas também me parece que foi a imaginação que nos tirou de lá.
Devem ter existido mentes que imaginaram uma vida diferente da de sobrevivência diária. Uma vida diferente de caçar ou ser caçado.
E deve ter havido quem se atreveu a testar essa imagem imaginada. Essa vida utópica, que a tantos parecia impossível.
Essa coisa de “ser feliz” devia parecer ainda mais estranha no tempo das cavernas. Mais estranha do que é hoje.
Sim, porque ainda hoje nos sentimos tentados a acreditar que, ou caçamos ou somos caçados. Que ganhamos ou perdemos.
Mas ganhamos o quê? Que prémio é esse? Sabes qual é esse prémio pelo qual tanto lutas? Esse prémio em nome do qual te esqueces de ti, dos teus valores, dos teus desejos? Esse prémio em nome do qual passas por cima de todos os que são fracos (ou assim os julgas tu)? Sabes?
Quando corres, sabes para onde? Sabes se realmente vale a pena correr e se queres até correr? E se estiveres a correr só por habituação? Ou porque julgas que tens uma meta a cortar?
Pois é, essa coisa de ser feliz ainda parece meio estranha. E custa pôr o nariz de fora da caverna, não é?
Divago? Ah, imaginação a mais.
Dirão alguns. Dirão alguns, de lá de dentro da caverna.
© Isa Lisboa

D’ O Fazedor de Cercas, de Floro Freitas de Andrade, retive uma ideia simples e muito bonita:
Um Mestre, um sábio, é alguém que se torna inútil e pouco importante.