Ciclos, bruxas e antepassados

Nesta altura do ano, assinalam-se várias festividades ou efemérides. O Halloween, o Samhain, Lo Dia de Los Muertos e o Dia dos Fiéis Defuntos.
São comuns a todos eles, de alguma forma, o fim de um ciclo. No Samhain marcava-se o fim do Verão e o início do Inverno, na cultura celta. No Dia de Los Muertos e no Dia dos Fiéis Defuntos, honram-se os antepassados, recordam-se os mortos, lembrando a brevidade desse ciclo maior que é a vida. O Halloween evoca o lado escuro, por vezes até terrorífico da vida, e trá-lo à luz do mundo, lembrando que precisamos de nos libertar das trevas para poder ver a luz.
Há quem defenda que estas tradições estão entrelaçadas e que têm origem no festival celta. Há quem celebre um e discorde da celebração dos outros.
Pessoalmente, gosto desse entrelaçar de ideias que estas celebrações me sugerem.
Agrada-me a ideia de que a linha entre este mundo e o sub-mundo se desvanece, por um momento. Que por um momento pomos cá para fora o lado vampiresco, o lado bruxa com verruga, o lado monstro desconhecido. Que o pomos cá para fora, não para o adorar. Mas para o reconhecer e deixar de o recear. Não para o deixar à solta, mas para escolher antes a melhor parte de nós.
Agrada-me essa celebração do fim de um ciclo. Mesmo que o Verão tenha sido difícil e que não saibamos bem como será o Inverno, a verdade é que o Verão acabou, e não vale a pena ficarmos agarrados a ele. Assim é também na vida. Adeus, Verão; bem vindo, Inverno.
É tempo de celebrar o que vem na frente e o passado, o passado é tempo de honrá-lo. Honrá-lo como aos nossos antepassados, que preparam o caminho para o mundo que habitamos hoje. Honrar a sabedoria que nos passaram, ao longo das gerações. Mas também honrar a sabedoria em nós. Aquela que acumulámos em todas as estações que já vivemos. E saber que ela nos acompanha nas que aí vêm.
Adeus, Verão. Bem vindo, Inverno.

© Isa Lisboa

Peças do (Eu)Nigma #1 – O Fit

Há uns tempos atrás, li uma frase que ficou meio impressa na minha memória. Dizia algo como “agora que chegaste aos 40, podes achar que já sabes tudo sobre ti mesma, mas ainda tens muito a descobrir!”
A frase foi recebida por mim como uma espécie de aviso.
Se era verdade que achava que ainda tinha coisas a aprender sobre mim mesma, também era verdade que, naquele momento, não estava à espera de encontrar grandes surpresas.
Mas, por alguma razão, surpresas eram o que aquela frase me prometia, naquele momento.
E cumpriu a sua promessa.
No último ano e meio da minha década de 40, tenho vindo a descobrir novas peças do (Eu)Nigma.
Uma delas comecei a descobri-la no início do ano e fui-a investigando melhor durante a quarentena. Vou chamar-lhe o (Eu)Fit.
Há cerca de um ano decidi perder os 15kg que se tinham instalado nos três anos anteriores. Começava a sentir os efeitos do excesso de peso no meu estado físico em geral, desde sentir-me mais cansada, até sentir pequenos sinais ao nível dos músculos.
Identifiquei duas medidas para começar a caminhada para os menos 15. Uma delas foi, literalmente, começar a fazer algumas caminhadas. A outra foi reduzir a quantidade no prato e cortar as refeições pouco saudáveis que lá iam acontecendo com mais frequência que o habitual.
Cheguei aos menos 4.
Mas como o corpo não continuava a responder da mesma forma, decidi intensificar os treinos, além da hidroginástica, que fazia duas vezes por semana.
Após um mês desta experiência começar, eis que fico quarentenada.
Aqui começam as surpresas. Além de nunca ter sido fã de treino, também acreditava não conseguir treinar em casa.
Mas assim como durante o dia transformava a minha sala num escritório, ao final do dia transformava-a num ginásio. Três vezes por semana. Com a orientação de um personal trainer, também a minha despensa se transformou numa fonte de objetos de treino. Pacotes de arroz e de leite, garrafas de água, também se transfiguravam em cargas, quando o ginásio caseiro estava aberto.
Com o levantamento da quarentena, os treinos evoluíram e também as caminhadas evoluíram. Um dia decidi tentar correr. Consegui fazê-lo durante um minuto e meio. Mas claro que não quis ficar por aí. Fui tentando aumentar o tempo progressivamente e, neste momento, o meu recorde é de quase 53m!
E a tal caminhada inicial está nos menos 14. A adicionar uma melhoria a nível de resistência, de energia e da satisfação de conseguir completar treinos que há 9 meses não teria imaginado fazer.
E porque estou a partilhar isto contigo? Para te pedir que tentes. Talvez não saibas se és capaz. Mas tenta. Só assim saberás. E também não te agarres à ideia de que não consegues. Podes surpreender-te, como eu. Podes descobrir que também tens um Eu Fit aí dentro de ti e não sabes.
Tenta. Uma caminhada de alguns passos pode transformar-se numa corrida.

© Isa Lisboa

Desafios literários

Esta semana descobri dois interessantes desafios literários no Instagram.

A Fnac desafia os leitores a partilhar a sua máscara literária, tal como se lê no site :

“Tal como as máscaras que nos habituamos a usar em contexto de pandemia, há outras máscaras que nos protegem, desta vez contra a falta de conhecimento e imaginação: as máscaras literárias!”

Já a página Constele_se desafia-nos a partilhar fotos da capa de um livro favorito e uma citação de uma página do mesmo.

Fiquei com vontade de participar, mas estava com muito problemas em escolher um livro para responder a estes desafios. Porque para mim é difícil indicar apenas um livro favorito.

Até que me lembrei daquele clássico, que acompanha a minha criança interior e a adulta crescida que já sou também: O Principezinho, de Antoine Saint-Exupery.

É, sem dúvida, uma excelente máscara literária para mim, como podem ver:

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Porquê mo utensílio de jardim a espreitar? Como diz uma personagem do livro:

“Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante!”

Daí que esta máscara literária também vos convide a regarem-se a vocês própri@s todos os dias, com calma e cuidado! 🙂

A não esquecer também, a citação que partilhei no segundo desafio:

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“Duas ou três borboletas terei mesmo que suportar para ficar a conhecer as borboletas.”

Participem nestes desafios, e assim divulguem mais um livro, que pode chegar a alguém que o quer ler!

(C) Isa Lisboa

Quando a capa está F*dida!

Já por duas vezes encontrei nas redes sociais uma crítica que me pareceu curiosa. O post apresentava uma foto com escaparates com os dois livros de Mark Manson: “A arte subtil de dizer que se f*da!” e “Está tudo f*dido”.

Resumindo, o conteúdo da crítica resumia-se às ideias: “Não li o livro” e “Não tenho nada contra asneiras, mas isto era mesmo necessário?”

Das duas vezes achei muito divertida esta leitura pela capa. Apenas li o primeiro dos livros, mas esse é um livro em que são passadas algumas mensagens sobre a vida e o desenvolvimento pessoal. Curiosamente, temas sobre os quais estas chocadas leitoras com a capa muito postam nas redes.

Lembrei-me de o Mark contar na introdução que o questionaram se ele devia mesmo publicar um livro com aquele título. E ele disse: claro que sim! Ao ler este comentário pela segunda vez, pensei: “Mark, tu sabia-la toda!”

Também me lembrei do nosso conterrâneo Miguel Esteves Cardoso e do seu “O amor é f*dido!”. Li esse livro há muitos anos, quando andava no secundário ou na faculdade;não sei precisar. Vá lá, não haja quem fique chocado por eu ter lido esse livro tão nova. Na verdade ainda não sabia o que era o amor, mas já intuía que era f*dido!

Mas se as personagens do Miguel acabam por demonstrar que o amor é realmente f*dido – pelo menos para eles, que passaram a vida um bocado f*didos – o mesmo não se passa no livro do Mark.

True, que ele às vezes diz “Que se f*da!”. Mas para demonstrar que por vezes é preciso virar a mesa, dizer não. Mas que também não podemos apenas dizer “Que se f*da!” a tudo na vida. Senão, onde fica aquela responsabilidade? Pois, às vezes queremos evitá-la. E é confortável. Mas, se o fizermos sempre, aí não é só a capa que fica f*dida, é a p*rra da vida toda. E podes botar a culpa em “tódo’o mundo”, na família, nos professores, nas instituições – no que tu quiseres. Mas a verdade é que ninguém é melhor do que tu a f*der a tua vida.

So… faz-te à vida e unfuck yourself!

Ai, ai, que cometi o erro gramatical de misturar calão, inglês e ainda calão em inglês! Olha, apeteceu-me!

E que se f*da a capa, e que se f*dam os palavrões, e que se f*da o que não se pode dizer. Que se f*da tudo o que se f*deu durante a vida. O que importa é apanhar os cacos e continuar. Reerguer.

Que se f*da a pedra no sapato, quem o quiser dizer. Mas eu cá, vou tirá-la, arrancá-la e continuar. É para a frente que quero ir, e a olhar para a pedra no sapato…. Não chego a lado nenhum.

E a vida, em algum ponto do caminho, há-de voltar a ficar lixada com F grande. But…that’s life. Se estavas à espera que te servissem a vida numa bandeja de prata, estás… já sabes: enganad@.

Pois é, o amor é f*dido, a vida é f*dida, mas… também é tudo muito bom, e, já que aterrámos por cá… ‘Bora lá viver e deixar as capas. Se não, a vida tem um bocadinho menos de piada!

© Isa Lisboa

In the bookshelf – Alimentação, Mitos e Factos, de Isabel do Carmo

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Li sobre este livro num artigo e fiquei com muita curiosidade. Neste momento em que a informação flui mais fácil é rapidamente, são muitas as opções de estilo de alimentação saudável que encontramos, todas defendidas mais ou menos ferozmente por quem as pratica.

Este livro oferece uma análise dessas opções, do ponto de vista científico. Fala do que a ciência já percebeu e do que ainda está a procurar descobrir, ao nível da alimentação. Dá – nos uma perspectiva histórica de porquê comemos o que comemos. É também uma visão de como a indústria agro-alimentar tem influenciado as nossas opções alimentares.

Li o livro numa perspectiva de questionar as minhas próprias ideias sobre a alimentação e sobre alguns dos regimes alimentares em voga actualmente. Pela forma objectiva como os temas são apresentados, foi um livro que me permitiu essa reflexão e que me ajudou a cimentar muitas ideias. Recomendo-o a quem se interessar por estes temas e quiser “arriscar-se” a ter algumas das suas ideias desafiadas! 😉

(C) Isa Lisboa

Massa – mãe

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O que aprendeste durante a quarentena? Tenho ouvido esta pergunta recentemente. A resposta que me surge recorrentemente é apenas uma: “massa-mãe”.
Massa-mãe é também o tema que me surge sempre que penso em escrever, apesar de não saber exactamente o que escrever.

Mas “massa-mãe” parece ser a resposta à pergunta, apesar de eu ainda não ter entendido qual a pergunta. Por isso, decidi escrever. Escrever sobre massa-mãe. Vou começar a discorrer sobre massa – mãe e ver aonde isto me leva.
Desde já, apresento as minhas desculpas, caso cheguem ao final e nada disto faça sentido.

Mas a certa altura, massa – mãe fez sentido. Queria continuar a fazer pão de aveia e espelta em casa. Algo que descobrira recentemente. Que gosto de pão de aveia e espelta e que prefiro fazer este pão em casa, às variedades já embaladas. Comecei então a comprar levedura. Mas, pouco tempo após o início da quarentena, a levedura e a farinha tornaram-se no novo papel higiénico. Durante a pandemia, surgiu uma pãodemia e na prateleira do supermercado nem um cubo do ambicionado fermento de padeiro.
O que me fez pensar que antigamente, a levedura não aparecia em cubos envoltos em plástico. E embora eu saiba que os ovos não nascem nas caixas de pack de 6, na verdade não sabia como fazer levedura. Quando aprendi a fazer pão com a minha mãe, ela usava um cubo de fermento envolto em papel…

Decidi perguntar ao Google. Descobri que podia fazer massa – velha. Esta é feita a partir de uma pequena quantidade de levedura misturada com farinha. Mantinha-se o problema: não tinha nenhum pedaço de levedura de sobra.

Havia então a massa – mãe. Os artigos avisavam que fazer massa – mãe era um processo de paciência, que demoraria tempo, que precisava de dedicação diária, de alguns minutos. E, no final de tudo isso, o processo podia não resultar.

Apesar de todos os avisos – ou, na verdade, por causa deles – a ideia fascinou-me. Fiquei logo com vontade de experimentar.

Agora que escrevo, parece-me que algo nesta descrição me lembrou da vida. Dá trabalho, é preciso ter paciência. E garantias, poucas vezes as há.

Se calhar, foi por isso que decidi fazer massa – mãe.

Com mais tempo nas mãos, apeteceu-me voltar a este pedaço de básico da vida: para que algo cresça, é preciso alimentá-lo todos os dias. E aceitar que há dias em que se vêm resultados, e outros que não.

Aquela massa-mãe que comecei a fazer durou bastante tempo. Na verdade, até hoje. Hoje usei toda a massa – mãe que tinha guardada.

Assim como não sabia o que ia escrever, também não sabia bem porque quis usar toda a quantidade. Podia ter deixado um pouco e continuar a alimentá-la.

Mas se a massa – mãe é como a vida, então também este ciclo tinha que acabar.

Quando precisar, começo de novo uma massa – mãe.

Porque agora já sei como a fazer.

© Isa Lisboa

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Pausa Mindfull – Meditação

Para a Pausa Mindfull desta semana, proponho uma pequena meditação, que podem fazer ao vosso ritmo, durante o tempo que fizer sentido para vocês e durante o qual se sintam bem.

Comecem por se sentar numa posição confortável. Se quiserem, coloquem uma música suave que vos faça sentir bem.

Fechem os olhos, ou, caso se sintam mais confortáveis, basta semi-cerrarem os olhos. Respirem fundo, inspirando e expirando profundamente. Repitam, pelo menos 3 vezes.

Depois, imaginem à vossa frente uma pequena bola de luz. Ela pode ter a cor que quiserem, a cor que vos faça sentir bem nesse momento. Pode ser branca, azul, rosa, verde… Escolham a cor que a vossa bola de luz terá, e imaginem-na a flutuar à vossa frente. Mantenham o foco nessa bola de luz por um pouco e, quando se sentirem preparad@s, visualizem essa bola de luz a expandir-se, lentamente, calmamente… ao vosso ritmo… Imaginem essa bola de luz a aumentar até ao tamanho de todo o vosso corpo, a aumentar além do tamanho do vosso corpo. A envolver-vos totalmente. Imaginem essa bola de luz a envolver-vos numa sensação de calma e protecção. Sintam esse momento de calma, de protecção, de segurança. Apreciem essa sensação.

Este é o teu momento. Aprecia-o, sente-o, aproveita-o.

Fiquem com esta imagem enquanto se sentirem bem. Caso o pensamento vagueie, para lá da bola de luz, isso é perfeitamente normal. Apenas voltem a concentrar o vosso foco na bola de luz e na sensação que ela vos provoca. Quando quiserem terminar, comecem a mexer as mãos, braços, pernas. Lentamente. Abram os olhos devagar, espreguicem-se, se quiserem. 

Boa semana!

Isa

Frase da semana -Higiene mental

“Não duvide do valor da vida, da paz, do amor, do prazer de viver, em fim, de tudo que faz a vida florescer. Mas duvide de tudo que a compromete. Duvide do controle que a miséria, ansiedade, egoísmo, intolerância e irritabilidade exercem sobre você. Use a dúvida como ferramenta para fazer uma higiene no delicado palco da sua mente com o mesmo empenho com que você faz higiene bucal.”

Augusto Cury

Pausa Mindfull – Lista de Gratidão

A Pausa Mindfull que proponho hoje é uma pausa para a semana inteira 🙂

No cimo de uma folha, escrevam: 

“Estou grata(o) por:”

No final de cada dia, escrevem algo pelo qual se sintam grat@s neste momento. Repitam este exercício em cada dia da semana e, quando chegarem a domingo, releiam e percebam qual a mensagem que esta lista que escreveram tem para vocês.

Boa semana!

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