“Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela só tenho uma chance de fazer o que quero. Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce, dificuldades para fazê-la forte, Tristeza para fazê-la humana e esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas, elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.”
O que quer dizer que de novo ponho em stand by os contactos. E de novo ponho a luz verde na casa da saudade.
Volto aos telefonemas, vídeo – chamadas, mensagens via chat.
A nova massa – mãe ainda não faz bolhas, mas o confinamento voltou ao início.
Agora já sei fazer massa-mãe e já sei que o sabor do pão não é o mesmo. Mas também já sei que consigo ter uma alternativa para fazer o pão de aveia em casa.
E também já sei que, como em todas as situações difíceis, o mais importante é manter acesa a luz da alma,
Enquanto a alma estiver com luz à sua frente, podemos continuar a ver o melhor dentro de nós mesmos. Mesmo quando não vemos o caminho à frente.
Mesmo quando o mundo parece feio.
É preciso paciência para fazer massa – mãe.
É preciso paciência para ultrapassarmos os tempos difíceis.
O Impiedoso País das Maravilhas e o Fim do Mundo foi o último livro que li em 2020. Ao começar a ler, reconheci o estilo original de Murakami, mas, ao mesmo tempo não o reconhecia totalmente. Duas histórias decorrem em simultâneo, ambas no estilo surrealista que marca a escrita deste autor. Sem ser óbvio como se entrecruzam, essa junção começa a mostrar-se a certa altura do livro, de uma forma inteligente e surpreendente. Um livro policial que nos apresenta, no entanto, mais que uma história de suspense e de mistério. Um livro que nos sugere que talvez o maior mistério seja a mente. Uma história que nos leva ao fim do mundo e nos pergunta se queremos ficar lá. Qual achas que seria a tua resposta? Lê o livro e depois responde 🙂
“Não há factos eternos, como não há verdades absolutas.” Friedrich Nietzche
Gosto muito desta frase e acho que é algo importante lembrar. Lembrar, mas não para a atirar a quem tem uma opinião diferente da nossa. É uma boa frase para atirarmos a nós mesmos. Vivemos um tempo de medos, que me parece estarem a fazer muitas verdades absolutas. E isso dá-me medo. Tenho medo dos efeitos do vírus na vida, na saúde, e nos sistema de saúde. Tenho medo dos efeitos do vírus no aumento da fome, na perda de condições de subsistência e condições de vida mínimas, na saúde mental. Mas também tenho cada vez mais medo da intolerância. Já no pré – covid a via muitas vezes. Mas as vagas de covid trouxeram novas vagas de verdades absolutas e ataques a quem tem opiniões diferentes. Como se essa opinião fosse também um vírus. Concedo que algumas ideias se possam assemelhar a vírus, incluindo as suas consequências nefastas. Mas pensemos em algo de inovador: e se a opinião do outro, for apenas uma visão de alguém que vive uma realidade diferente da nossa? Que também sofre, mas com dificuldades diferentes das nossas? E que talvez (vá, só um esforço de imaginação), talvez, por isso pense de forma diferente da nossa? Talvez o sacana egoísta do lado nos veja a nós como sacanas egoístas. Já pensaram nisso? Isto assusta-me. Assustam-me as verdades absolutas, fechadas sobre si próprias. Assusta-me que estejamos a tentar salvar uma sociedade que se esqueceu de que o outro não é apenas quem pensa igual a si. Uma sociedade que cada vez mais deixa de saber como se colocar no lugar do outro.
Termino como comecei, com uma citação:
“Posso não concordar com uma só palavra sua, mas defenderei até à morte o seu direito de dizê-las.” Voltaire