
Ser ou parecer?
Uma difícil, órfã
Outra eleita.
© Isa Lisboa

Ser ou parecer?
Uma difícil, órfã
Outra eleita.
© Isa Lisboa
Cresci
Com a velocidade
De um foguetão
Prestes a implodir
E das cinzas que
Restaram
Me fiz explosão.
Do fogo
Me acendi a mim mesma
Calor
Luz
Dor.
Também dor.
Da dor cresci.
É sempre assim.
Se soubermos
Entender
Aceitar
Abraçar.
Abraçar a vida.
Abraçar a mim mesma.
Aprendi a ser por mim.
Cresci.
Abraçada a mim mesma
Cresci
E me fiz coragem.
De segurar o coração
Na própria mão
E deixá-lo doer.
Doer para bater.
O sangue flui
E a vida retoma
As lágrimas secam
E tudo muda
Muda num segundo
Ou numa vida
Tudo é eternidade
Para sempre
Cresci.
© Isa Lisboa

Imagem: Autor não identificado
Sou uma aresta
Tu e ele também
Juntos formamos um vértice
Unidos a outros
Novo vértice somos
Assim juntos, elo invisível
Para além do sólido que se forma
Somos parte
Dessa grande geometria.
Apenas éramos rectas
Talvez, algumas, infinitas
Sem saber de onde vínhamos
Nem para onde íamos.
Conhecemos a finitude
Mas ganhamos um novo plano
Outra dimensão
Esses onde agora somos sólido
Forte, mais forte
Se uma cair, também outra
Poderá cair
Mas se uma fraqueja
Outra a sustém
Até a força voltar.
E o matemático olha e sonha
Talvez um dia
Cubos, pirâmides, paralelepípedos
Até esferas
Todos se saibam juntar
Ainda
E assim expandir a geometria
Criando novo sólido
Sonha chamar-lhe
Harmonia.
.
© Isa Lisboa



Toco o Vazio
Envolvendo-me o Todo
E juntos são Eu
© Isa Lisboa

Sou eu
Mas já não sou
Quanto mudou
Nas intermitências
De esquecer
E de deixar ir…
Leve,
Sei que ainda há
A libertar.
Decidida
Tranquila.
De mim
Não mais abdicarei.
O que a mais habita
Não ficará
Passo a passo, a seu tempo
Se irá
Quando olhar para trás
Será mais um degrau
Da história que quem fui
Da escada que subi
Para chegar a quem sou.
© Isa Lisboa

Foto: http://www.pixabay.com
Bound to Earth
That was how I woke up
One day, feeling lost
Not knowing why!
All of the sudden
The memories
Were no longer lost
I remembered everything
How I used to fly
And I used to be one with you
And the Universe was one
Now I’me here
Disconnet
No recolection of my elder tongue
My eyes hurt for not seeing
My ears hollow for lack of use
All my body hurts
Feeling the soul pounding from whitin
My thought wants to let
Her scream out
But she’s afraid the world won’t listen!
Lost within myself
Only one thing to do:
I kneel
And say that old prair
Only you and I know
You listen
And you answer
‘Cause you are me
And I am you.
I remember.
I want to go back.
Here I am.
I want to go home.
Ready to leave all the rest
Behind.
You are in me.
I am in you.
Connected.
© Isa Lisboa

Foto: Christos Lamprianidis, via Art_Pics (Facebook)
Encontrei-me, perdendo-me. E também me perdi, encontrando-me. As fronteiras das nossas emoções não se demarcam a caneta. Tão pouco a lápis as conseguimos muitas vezes desenhar.
Nunca saberemos o que é o amor, até que o nosso coração se abra, sabendo que tanto a dor como a felicidade podem entrar.
E nunca saberemos o que é a felicidade, se não estivermos dispostos a sentir a dor. A dor também nos ensina a vida; e apaziguá-la ensina-nos a contactar com a nossa humanidade.
Somos paradoxos. Frágeis nas nossas fortalezas auto erguidas. Fortes, nas nossas fragilidades olhadas nos olhos.
Encontrei-me, olhando-me. Desviando os olhos, dou um passo para me perder.
Só fazendo um mapa poderei apagar as falas fronteiras. E o Caminho far-se-á um passo após o outro, nas pontes entre mim.
© Isa Lisboa
Vida perdida
Morte adiantada
Caminhando
Sobre pernas esquecidas
A vida segue
Fingindo que ainda existe
Passa ao lado
Do destino
Fingindo não o ver
Ou demasiado adormecida
Passa sem parar
Sequer ponderar
Quem
Como
Poderia ser
Fugir à dor dói
Libertar-se ainda mais
O medo é grilheta
O grito afoga-se
Sem ar na garganta
O coração…
Lentamente esmorece
A alma encolhe-se
Protegida espera
Que agarres a vida
Sejas quem és!
© Isa Lisboa

Imagem: Vera Chimera
No dia em que nasci
Foi aquele em que morri
A noite em que me fui
Foi a aurora do primeiro grito
Ou assim o via
Quando acreditava
Que Tempo havia
E que o Fim
Era Antítese
Do Princípio
Olhos não tinha ainda
Para ver
Que caímos à terra
Apenas para árvore
Renascer
E que antes que a matéria
Se torne noutra forma
Aquilo que a habita
Havemos de tocar
Nascemos para entender
Que o destino somos Nós
E o caminho
Nada mais é que
Ser!
© Isa Lisboa

Foto: Vadim Stein