
“Só temos consciência dos receios que conseguimos resolver sozinhos quando somos tomados de assalto por novos medos.”
José Gameiro, in Até que possas voar

“Só temos consciência dos receios que conseguimos resolver sozinhos quando somos tomados de assalto por novos medos.”
José Gameiro, in Até que possas voar

O louco, por Kahlil Gibran
“Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando:
“Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim. E quando cheguei à praça do mercado, um rapaz no cimo do telhado de uma casa gritou:
“É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo.
O sol beijou pela primeira vez a minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava a minha face nua, e a minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais as minhas máscaras.
E, como num transe, gritei:
“Benditos, benditos os ladrões que roubaram as minhas máscaras!”
Assim tornei-me louco.
E encontrei tanta liberdade como segurança na minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.”
“O caminho é: observe os seus pensamentos e não se identifique com eles.
Simplesmente permaneça um observador, completamente indiferente, nem contra nem a favor. Não julgue, porque qualquer julgamento traz identificação.
Não diga, ‘Estes pensamentos são errados’ e não diga, ‘Estes pensamentos são bons’. Não faça comentários sobre os pensamentos. Deixe que eles passem, como se eles fossem apenas a passagem do tráfego e você está de pé ali ao lado da estrada despreocupado, olhando o tráfego. Não interessa o que está a passar, um autocarro, um camião ou uma bicicleta. Se puder observar o processo de pensamentos da sua mente com tal despreocupação, com tal desapego, não estará longe o dia em que todo o tráfego desaparece… porque o tráfego somente pode existir se você continuar a dar-lhe energia. Se você parar de lhe dar energia…
E isso é o observar: parar de dar energia para isso, parar a energia que se move dentro do tráfego. É a sua energia que faz aqueles pensamentos moverem-se. Quando a sua energia não os está a alimentar, eles começam a cair, eles não conseguem manter-se em pé por si mesmos.
E quando a auto-estrada da mente estiver completamente vazia, você está dentro.
Isso é o que eu quero dizer quando eu digo ‘Vá para dentro’.
E isso é o que Buda quer dizer quando ele diz: ‘Siga a sua natureza’.”OSHO
Esta é a oração do Perdão dos Kahunas Havaianos. Quando a li a primeira vez, senti uma imensa paz e libertação. Sempre que preciso, volto a lê-la, seja dirigida a outras pessoas, seja a mim mesma.
Partilho-a convosco, desejando que vos trasmita também o que mais precisarem:
“Buscando eliminar todos os bloqueios que atrapalham a minha evolução, dedico AGORA alguns momentos para “PERDOAR”. A partir deste momento, eu perdoo todas as pessoas que, de alguma forma, me ofenderam, me magoaram ou me causaram alguma dificuldade desnecessária. Perdoo sinceramente quem me rejeitou, me entristeceu, me abandonou, me humilhou, me amedrontou ou me iludiu. Perdoo, especialmente, quem me provocou, até que eu perdesse a paciência e acabasse por reagir agressivamente, para depois me fazer sentir vergonha, culpa, ou simplesmente, sentir-me inadequada. Reconheço que também fui responsável por estas situações, pois muitas vezes confiei em indivíduos negativos, escolhi usar mal minha inteligência e permiti que descarregassem sobre mim as suas amarguras, as suas histórias, os seus traumas e o seu mau humor. Por tempo demais suportei tratamento indigno, humilhações, medo e desamor, perdendo muito tempo e energia, na tentativa de conseguir um bom relacionamento com essas pessoas. Agora, sinto-me livre da necessidade compulsiva de sofrer e livre da obrigação de conviver com pessoas e ambientes que me diminuem e, principalmente, das pessoas que se sentem incomodadas com a minha presença e a minha luz.Iniciei, agora, uma nova etapa na minha vida em companhia de gente mais positiva, cheia de boas intenções, gente amiga, que se preocupa em ser saudável, alegre, próspera e iluminada. Gente preocupada em melhorar a qualidade de vida – não só a nossa, mas a de todo o planeta. Queremos compartilhar sentimentos nobres, aprendendo uns com os outros e ajudando-nos mutuamente, enquanto trabalhamos pelo nosso progresso material e a nossa evolução espiritual sempre procurando difundir as nossas ideias de unidade, de paz e de amor. Procurarei valorizar sempre todas as conquistas que fiz e o amor que tenho em mim, evitando todas as queixas desnecessárias, que me seguram nesta frequência, de onde já consegui sair. Se, por um acaso, eu tornar a pensar nestas pessoas com quem ainda tenho dificuldade de convivência, vou lembrar-me que elas todas já estão perdoadas. Embora eu não me sinta na obrigação de trazê-las novamente para minha intimidade, eu assim o farei, se elas demonstrarem interesse em entrar em sintonia. Agradeço pelas dificuldades que elas me causaram, porque isso me desafiou e me ajudou a evoluir, do nível humano comum, a um nível de maior amor e compaixão, maior consciência, em que procuro viver hoje. Quando eu tornar a lembrar destas pessoas que me fizeram sofrer, procurarei valorizar suas qualidades e também libertá-las, pedindo ao Criador que também as perdoe, evitando que elas sofram pela lei de causa e efeito, nesta vida ou em outras. Também compreendo as pessoas que rejeitaram o meu amor e minhas boas intenções, pois reconheço que é um direito de cada um, não poder ou não querer corresponder ao meu amor.
*** Fazer uma pausa e respirar profundamente, por algumas vezes, para acumular energia ***
Agora, sinceramente, peço perdão a todas as pessoas a quem, de alguma forma consciente ou inconsciente, magoei, prejudiquei ou fiz sofrer. Analisando o que fiz ao longo da minha vida, sei que minhas as intenções foram boas, embora nem sempre tenha acertado e que, estas coisas que fiz de bom, são suficientes para resgatar a dor da minha aprendizagem, ainda deixando um saldo positivo a meu favor. Sinto-me em paz com minha consciência e, de cabeça erguida, respiro profundamente… prendo o ar… e concentro-me para enviar uma corrente de energia destinada ao meu Eu Superior.
* * * Ao relaxar, as minhas sensações revelam que este contacto foi estabelecido. * * *
Agora, dirijo uma mensagem de fé, ao meu Eu Superior, pedindo orientação, protecção e ajuda para a realização, de um modo acelerado, de um projecto muito importante que estou a mentalizar e para o qual estou a trabalhar com dedicação e amor. ( …citar o projeto… ) e que será, com certeza, para o bem maior de todos os envolvidos. Também peço que minha fé seja firme e que eu possa, cada vez mais, tornar-me um canal, uma conexão permanente com os Seres de Luz, desenvolvendo todos os potenciais que possam facilitar esta comunicação. Que eu perceba todas as respostas às minhas perguntas e dúvidas, reconhecendo os sinais claros que estiver a receber, sempre protegida e amparada pelo Universo.Agradeço, de todo o coração, a todas as pessoas que me ajudaram e comprometo-me a retribuir trabalhando para o bem do próximo, para a sua alegria, o seu bem-estar, actuando como agente catalisador de harmonia, entendimento, saúde, crescimento, entusiasmo, prosperidade e auto-realização.Tudo farei sempre em harmonia com as leis da natureza e com a permissão do nosso Criador eterno e infinito que sinto como único poder real, actuante dentro e fora de mim.
ASSIM SEJA E ASSIM SERÁ”
“Há uma anedota Zen sobre uma mulher, que não conseguia decidir-se por qual porta deveria sair de certo aposento. Ambas as portas levavam ao mundo exterior. Após algumas horas de indecisão, ela empilhou algumas esteiras diante de uma das saídas e caiu em um sono profundo. De manhã cedo, levantou-se e examinou o mesmo problema novamente. Uma das portas estava livre, mas a outra estava bloqueada por uma pilha de esteiras. Ela suspirou finalmente: “Agora eu não tenho escolha.”
Autor: Não identificado

Foto: http://www.pixabay.com

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“a Fé: aquela firmeza interior que nos devolve não a capacidade de acreditar que somos guiados, mas antes a firme certeza de o sermos. “
Eva Vilela

Imagem: Autor não identificado
“Um velho índio estava a falar com o seu neto e contava-lhe:
«Sinto-me como se tivesse dois lobos a lutar no meu coração. Um é um lobo irritado, violento e negativo. O outro está cheio de amor e compaixão.»
O neto perguntou:
«Avô, diga-me: qual dois dois ganhará a luta no seu coração?»
O avô respondeu:
«Aquele que eu alimente»”

Fonte imagem: 1,000,000 Pictures
Começou à pouco tempo a Primavera – aqui neste lado do mundo – e, a pouco e pouco, os dias começam a libertar-se dos ares invernosos. Também há dias se celebrou a Páscoa católica.
Por diversos motivos, este é um momento do ano que sempre me convida à reflexão e me trás ventos de renovação.
A renovação é uma palavra que, no primeiro momento, nos parece muito bonita. Associamos-lhe uma aura de esperança, de melhorias a acontecer na nossa vida. E isso, todos queremos, portanto, facilmente abrimos o sorriso perante a palavra.
Depois, lembramo-nos de que, para que haja renovação, tem que existir também mudança. E a mudança é uma palavra mais complicada, que já assusta um pouco. Podemos pensar que não, até quando conscientemente desejamos que alguma mudança aconteça.
Mas, lá bem atrás na nossa mente, o medo sempre reage. Mais ou menos intensamente, pelo menos naquele primeiro momento. É um medo natural, que nos faz questionar se a mudança é mesmo necessária e o porquê de querermos mudar.
Mas se quisermos a mudança pelas razões certas, há que vencer esse medo. E o que por vezes vem a seguir.
O medo do desconhecido. Quero mudar, mas, e se encontrar algo pior? E o que vou perder? Sim, porque ainda que haja razões para mudar, encontramos 8quase) sempre também razões para ficar. Nem que seja o conforto do que conhecemos. Do que podemos controlar.
É um conflito que pode parecer paradoxal. E talvez até o seja. Mas é um conflito real e que todos nós, mais ou menos vezes, já sentimos. É também um conflito que precisamos assumir e encarar.
Em todas as situações “escolha” iremos, inevitavelmente, perder algo. E algumas das coisas que perderemos são boas. Muito raramente na nossa vida uma situação tem apenas aspectos maus (assim como o contrário também é verdade). Precisamos pesar. Pesar o bom que podemos perder com o bom que podemos ganhar. E o mau que podemos encontrar versus aquele que já conhecemos.
A vida é feita de escolhas e consequências. Fazer umas e assumir as outras dá-nos Força. Ainda que venhamos a perceber que, afinal, a decisão foi errada, podemos sempre recomeçar. Quem sabe nos reinventemos no processo, e a tal má decisão nos mostre um caminho inesperado, mas tão certo?
Se ouvirmos o nosso silêncio, para lá do som das dúvidas e dos medos, sabemos que assim é. E também os nossos olhos saberão ver que à frente se abre caminho.
Mas este não é um caminho fácil de percorrer. Dar o primeiro passo sem ver o fim da estrada não é fácil.
Mas não é isso que as árvores fazem na Primavera? As novas folhas começam a surgir lenta e espontaneamente, confiando que irão surgir as flores e, mais tarde, os frutos. Talvez confiem até que o frio voltará e as fará cair de novo ao chão, como as suas antepassadas.
No entanto, a natureza sabe que os ciclos não podem parar, pois só assim ela vive. Deixando-se morrer, para renascer, em todo o seu esplendor.
E nós, vamos deixar cair aquela folha, aquela que está tanto a querer desprender-se do galho?
© Isa Lisboa