Inquiridor

“Passando pelo inquiridor enquanto ele rezava, vieram o aleijado, o pedinte e o exausto. Ao avistá-los, o Santo homem embrenhou-se ainda mais nas suas orações e exclamou:

«Meu Deus, como é que um criador tão misericordioso pode ver estas coisas e mesmo assim não fazer nada?»

E vindo de um grande silêncio, Deus disse: «Fiz qualquer coisa. Fiz-te a ti.»

Autor não identificado

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Foto: Suri

A infância e a velhice são muito semelhantes

“A infância e a velhice são muito semelhantes. Em ambos os casos, por motivos diferentes, é-se bastante inerme. Ainda não – ou já não – se toma parte activa na vida e isso permite que se viva com uma sensibilidade sem esquemas, aberta. É durante a adolescência que uma couraça invisível começa a formar-se em volta do nosso corpo. Forma-se durante a adolescência e continua a engrossar durante toda a idade adulta. O processo do seu crescimento parece-se um pouco com o das pérolas, quanto maior e mais profunda é a ferida, mais forte é a couraça que se desenvolve em torno dela. 

Contudo, depois, à medida que o tempo vai passando, como um vestido que se usou durante muito tempo, essa couraça começa a gastar-se nas partes mais usadas, deixa ver a trama e, de repente, a um movimento mais brusco, rasga-se. De início não damos conta de nada, estamos convencidos de que a couraça ainda nos envolve totalmente, até que um dia, inesperadamente, por uma coisa estúpida, sem sabermos porquê, damos por nós a chorar como umas crianças.”

Susanna Tamaro, in Vai aonde te leva o coração

olhos (google)

Foto: Google

“O Louco” (Gibran Khalil Gibran)

Accept and Deny by Martinakis Adam (r)

O louco, por Kahlil Gibran

“Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:

Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando:

“Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim. E quando cheguei à praça do mercado, um rapaz no cimo do telhado de uma casa gritou:

“É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo.

O sol beijou pela primeira vez a minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava a minha face nua, e a minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais as minhas máscaras.

E, como num transe, gritei:

“Benditos, benditos os ladrões que roubaram as minhas máscaras!”

Assim tornei-me louco.

E encontrei tanta liberdade como segurança na minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.”

O caminho, por Osho

“O caminho é: observe os seus pensamentos e não se identifique com eles.

Simplesmente permaneça um observador, completamente indiferente, nem contra nem a favor. Não julgue, porque qualquer julgamento traz identificação.

Não diga, ‘Estes pensamentos são errados’ e não diga, ‘Estes pensamentos são bons’. Não faça comentários sobre os pensamentos. Deixe que eles passem, como se eles fossem apenas a passagem do tráfego e você está de pé ali ao lado da estrada despreocupado, olhando o tráfego. Não interessa o que está a passar, um autocarro, um camião ou uma bicicleta. Se puder observar o processo de pensamentos da sua mente com tal despreocupação, com tal desapego, não estará longe o dia em que todo o tráfego desaparece… porque o tráfego somente pode existir se você continuar a dar-lhe energia. Se você parar de lhe dar energia…

E isso é o observar: parar de dar energia para isso, parar a energia que se move dentro do tráfego. É a sua energia que faz aqueles pensamentos moverem-se. Quando a sua energia não os está a alimentar, eles começam a cair, eles não conseguem manter-se em pé por si mesmos.

E quando a auto-estrada da mente estiver completamente vazia, você está dentro.

Isso é o que eu quero dizer quando eu digo ‘Vá para dentro’.
E isso é o que Buda quer dizer quando ele diz: ‘Siga a sua natureza’.”

OSHO

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