Eu ainda acredito no Pai Natal

“Eu ainda acredito no Pai Natal!” – é uma frase que me tenho ouvido a mim mesma dizer nas últimas semanas. É uma frase que digo habitualmente nesta altura do ano, perante reacções faciais que variam entre o “Que tolice!” e o mais sorridente “Só tu!”

Provavelmente, por aí, as reacções foram semelhantes. Pois que sentido fará que uma adulta como eu, ainda acredite no velhinho das barbas brancas?

Perante uma pergunta semelhante feita por alguém que ainda há pouco tempo acreditava no Pai Natal, tentei explicar que o Pai Natal não tem que descer pela minha chaminé e deixar uma prenda lá em casa. O Pai Natal em que eu acredito é a motivação do velhinho que percorre os céus, todos os natais, com o propósito de “apenas” fazer todos os meninos do mundo felizes. O Pai Natal em que eu acredito é um símbolo do espírito de Natal.

E porque acreditas num símbolo que não vês, foi a pergunta seguinte.

E fez-me pensar. Realmente, cada vez mais nos tornámos em “S. Tomé”, cépticos a tudo o que não vemos, não tocamos e não entendemos. Esta altura do ano tem muito de visual, desde as luzes que enfeitam a árvore em casa às luzes mais chamativas dos centros comerciais, de onde podem sair as prendas coloridas. Prendas que, afinal não é o Pai Natal que traz, mas antes os pais, os irmãos, os filhos, etc, etc… Afinal, não são os duendes que, durante meses, fabricam os brinquedos e as prendas que são colocadas debaixo da árvore de natal. Afinal, o Pai Natal não atravessa o globo numa noite só, distribuindo presentes. Afinal, o trenó é o porta bagagem do carro de família…

Esta é uma imagem que talvez se possa classificar como “dos tempos modernos”, mas eu acho que também aqui há algo que não se vê. Mas que podemos ver, se quisermos.

Os duendes fazem as peças dos brinquedos, uma a uma. Constroem o brinquedo, um de cada vez. Cada brinquedo para o menino ou menina que o pediu. Colocam-nos cuidadosamente no saco do Pai Natal. E o Pai Natal entrega-o meticulosamente na casa de cada criança, sabendo exactamente o nome da pessoa que o receberá e imaginando o seu sorriso aberto, ao desembrulhar a prenda.

Pergunto eu, porque é que cada um de nós não pode ser esses duendes, comprando cada presente para a pessoa, pensado no que a pessoa irá gostar? Porque é que cada um de nós não pode ser o Pai Natal, entregando o presente e dando mais que apenas o que está lá embrulhado? Dando um pouco de si, do que sente, pondo um pouco do que sente a embrulhar também o presente.

Eu acredito nisso. Acredito nisso que não se vê, o amor que podemos colocar em tudo o que fazemos e em tudo o que damos.

E é por isso que eu ainda acredito no Pai Natal.

© Isa Lisboa

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