Celebrando S. Martinho

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Hoje é dia de comer castanhas e de provar o vinho novo. Mas não só. Também é dia de celebrar a generosidade e a compaixão.

Diz a lenda de S. Martinho que este, quando era soldado, regressava a casa no meio de uma tempestade, e viu um mendigo cheio de frio na beira da estrada, a pedir esmola. Não tendo mais que lhe dar, o soldado Martinho desembainhou a espada e cortou o seu manto a meio, dando metade ao mendigo para que se aquecesse. Nesse momento, a tempestade ter-se-à dissipado e apareceu um sol radioso no céu – um Verão de S. Martinho.

Hoje, convido-vos a que,. enquanto comemos castanhas, pensemos de que formas podemos integrar (mais) a compaixão e a generosidade nas nossas vidas. Sem esquecer da auto-compaixão.

Bom dia de S. Martinho!

Isa Lisboa

Bookshelf – The minotaur takes a cigarette break

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Continuando a partilhar um pouco das minhas leituras, deixo-vos hoje um livro que posso classificar como intrigante. Esta é uma edição em inglês, e, traduzindo o título à letra, venho falar de “O Minotauro faz uma pausa para fumar”. 

A personagem principal é ele mesmo: o Minotauro. O temível. O que guardava o labirinto e se banqueteava com sacrifícios humanos.

Vive agora uma vida comum, num trabalho normal, imerso na humanidade contemporânea. Tentando deixar o passado para trás, procura manter os chifres baixos e a cauda escondida. 

Será mesmo este livro sobre uma criatura mítica? Ou sobre tantas e tantas pessoas reias?

Se já leram, deixem os vossos comentários sobre a obra 🙂

Isa Lisboa

O ciclo do grito

O ciclo do grito é algo de que ouvi falar numa série de comédia – “How I met your mother”.

Revi este episódio específico há pouco tempo e tive vontade de escrever sobre este fenómeno que já observei na vida real.

Diz-se que a ficção imita a vida real. Neste caso, em que o meio usado é a comédia, a mensagem, a meu ver, passa de forma mais eficaz… Mas desvio-me do assunto.

Neste episódio, umas das personagens lida, ou tenta lidar sem sucesso, com a prepotência do seu chefe que constantemente grita com ele. Outra das personagens, o seu amigo Barney, fala-lhe do ciclo do grito. Diz-lhe que quando uma pessoa grita com outra, a segunda pessoa deverá depois ir gritar com outra, como forma de se libertar da frustração e assim por diante.

E durante a maior parte do episódio, Barney tenta convencer o amigo Marshal a fazer parte desse ciclo do grito, o que o amigo não queria fazer. Quando o tenta – sendo uma comédia – os resultados são o oposto do esperado. Porque a pessoa com ele gritou, um empregado de restaurante onde jantam, já cansado de tantos clientes mal-humorados e prepotentes, grita com ele.

Na primeira vez em que vi este episódio, pensei em duas coisas: uma que o ciclo do grito é bem real, que muitas pessoas entram neste ciclo, de forma consciente ou inconsciente.

Ouvem gritos do patrão, engolem a injustiça. Ou ouvem gritos de uma pessoa próxima e preferem não levantar ondas. Mas depois ao chegarem a casa, gritam com a família, ou então chegam ao trabalho e descarregam em quem podem.

A outra coisa em que pensei é se o ciclo será sempre um círculo fechado ou se, como naquele episódio, há sempre alguém que escolhe não perpetuar este ciclo vicioso. Não gritando, mas também recebendo toda a frustração e raiva acumulada de quem gritou antes com a pessoa que gritou. E antes, e antes, e antes…

Bom, na verdade, pensei em três coisas. Também pensei que já me senti como o Marshal, a personagem que não queria fazer parte do ciclo do grito. Sabendo que não queria entrar nesse ciclo, mas, ao mesmo tempo, sem saber bem como lidar com os gritos.

E agora, na segunda vez que vi este episódio, percebi que como foi que, a pouco e pouco, fui fazendo essa aprendizagem.

Eu não queria gritar porque não queria dar a alguém algo que eu não gostava e que eu sentia que não fazia bem a ninguém. Mas, por outro lado, estava a aceitar que outras pessoas me dessem os seus gritos. E estava a aceitar parte do que esses gritos me diziam.

Foi por aí que comecei. A não aceitar, ou melhor, a declinar, as sensações que esses gritos meu causavam. A não deixar entrar na minha mente as coisas negativas que os gritos diziam sobre mim. A reconhecer o quanto daqueles gritos NÃO eram eu.

Ao responder, comecei a deixar de levantar a voz para me fazer ouvir. Passei antes a aumentar a segurança na voz ao defender-me. Ao dizer a minha verdade.

E, a pouco e pouco, percebi que isso era mais forte. E que diminuía os gritos à minha volta, porque diminuía o eco que os gritos faziam na minha mente.

Por isso, hoje em dia, sinto-me confortável com o meu lugar fora do ciclo do grito.

Sei que o que não quero receber e também estou tranquila com a minha decisão do que não quero dar.

© Isa Lisboa

E ao que parece… já lá vão 3 anos!

Pois é, o tempo passa e, ao que parece, já lã vão três anos!

Faz hoje 3 anos que o meu livro Invernos, Sonhos e Andorinhas foi lançado. Este é um aniversário especial, porque marca o dia em que dei a conhecer este meu muito especial projecto. Mas a “idade”deste livro começa antes. Começa ainda antes de eu ter terminado de o escrever. Antes de ter começado a escrevê-lo. Começa quando comecei a sonhá-lo.

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Mas hoje é o aniversário do lançamento do livro, e por isso gostaria de agradecer a todas as pessoas que me apoiaram e incentivaram a escrevê-lo e a todas as pessoas que estiveram presentes na Biblioteca Municipal de Sintra (fotos aqui). Também a todos os que leram o livro e aos que me deram a sua opinião sobre ele, que partilharam comigo qual o seu conto favorito e quais as mensagens que o Invernos, Sonhos e Andorinhas vos transmitiu. Agradeço a todas as pessoas que me têm ajudado a divulgar o livro e que acreditaram e acreditam em mim e na minha escrita.

Obrigada por fazerem parte deste sonho!

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Isa