Vulgar ladrão

Chryssalis

Medo.

Vulgar ladrão.

Com um suspiro

Prendes ao chão.

Dizes-te seguro

Mas seguro só tu

Pois patrão te tornas

Um olhar, uma palavra

Dúvida semeada

Vida petrificada.

Suores frios

Coração acelerado

É do que te alimentas.

Não vivem sem ti

Queres fazer crer

Que proteges,

Vulgar mentiroso.

Proteges de viver

E assim, lentamente

Matas!

© Isa Lisboa

Impiedoso Tempo

O Tempo passa

E é impiedoso

Mas para quem

O deixa passar

Apenas.

Não o deixes passar

Passa com ele

Vive-o!

Verás que não passa

Afinal

Só soma!

Tu cobras o Tempo

Mas ele nada te deve

Limitou-se a ser

Medida inexacta

Daquela vida

Que escolheste

Não viver

Que ficou esquecida

Nos planos do Tempo.

No que deixaste

Para amanhã

Para qualquer dia

Para quando der.

Tu deixaste.

E o Tempo passou.

Passou por ti.

Por aquela vida.

Aquela que não viveste.

Ocupad@. Tão ocupad@.

Não há tempo.

Pois não.

Quando deixas passar

O Tempo consome-se

Tu consomes-te.

Febril.

Como aquela Black Friday

Imperdível.

Tens que conseguir a

Melhor pechincha

Fica tão bem

Na sala de estar.

Ganhaste.

Chegaste primeiro.

E o Tempo?

Amanhã.

Amanhã logo se vê.

Ontem não tive Tempo.

Hoje

Não sei que é este lugar

Onde cheguei…

Vim andando

E não sei bem onde é.

Não sei bem

Quem sou

Quanto Tempo se perdeu

Não sei bem

Quanto de mim

Eu não fui.

Tempo.

Ainda há?

 

© Isa Lisboa

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Acendermo-nos uns aos outros

Pessoas-luz. Uma expressão que de vez em quando encontro, nos textos que leio.

É fácil perceber o que quer dizer. As pessoas que têm uma luz própria e que a partilham connosco, mesmo sem nós pedirmos. Pessoas que nos fazem sentir um pouco mais leves, que nos lembram de respirar e de largar por um pouco aquele momento carregado que lembramos.

Pessoas que sabem que uma vela não se gasta mais depressa por acender outra.

Desengane-se quem pensa que as pessoas-luz não têm escuridão dentro de si. Têm. São humanas também.

Também têm frustrações, pensamentos negativos. Também sentem raiva, também se sentem derrotadas. Por vezes. Todos sentimos isso, em algum momento da nossa vida. Em momentos. A escuridão também existe, a escuridão também é normal.

O que não é normal, o que não é saudável para nós, é que nos apeguemos a essa escuridão. Que nos agarremos a ela como se fosse a única forma de viver.

As pessoas luz procuram a luz. Porque sabem que não é fácil mantê-la. E que a escuridão tem um lado sedutor, que nos quer agarrar a ela quando a encontramos.

As pessoas luz não são iluminadas. Procuram manter-se iluminadas. Procuram repetidamente o que as acenda. Procuram acender os outros, e também quem as acenda.

Acendamo-nos uns nos outros e sejamos todos, cada um à sua maneira, pessoas-luz.

© Isa Lisboa

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